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Geólogo e professor aposentado, trabalho este espaço como se participasse da confecção de um imenso tapete persa. Cada blogueiro e cada sitiante vai fazendo o seu pedaço. A minha parte vai contando de mim e de como vejo as coisas. Quando me afasto para ver em perspectiva, aprendo mais de mim, com todas as partes juntas. Cada detalhe é parte de um todo que se reconstitui e se metamorfoseia a cada momento do fazer. Ver, rever, refletir, fazer, pensar, mudar, fazer diferente... Não necessariamente melhor, mas diferente, para refazer e rever e refletir e... Ninguém sabe para onde isso leva, mas sei que não estou parado e que não tenho medo de colaborar com umas quadrículas na tecedura desse multifacetado tapete de incontáveis parceiros tapeceiros mundo afora.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Bélgica nacionaliza filial belga do Banco Dexia (10out2011)

Publicado hoje no sítio da AFP.

Foto: AP Photo/Virginia Mayo

O desmembramento do banco franco-belga Dexia

BRUXELAS, Bélgica — A liquidação ordenada do Banco Dexia, selada nesta segunda-feira, dará lugar à criação de uma entidade belga nacionalizada, a uma estrutura francesa de financiamento das instituições locais e a um 'banco podre' voltado para os ativos tóxicos, enquanto o restante foi colocado à venda.

Estas são as linhas gerais do projeto de desmantelamento:

A estrutura francesa:

O Estado francês espera criar um novo banco dedicado ao financiamento das instituições locais, que terá a participação do Banco Postal e da Caixa de Depósitos (CDC), com uma pasta de mais de 70 bilhões de euros constituída em grande parte por empréstimos. As discussões são difíceis com a CDC e ainda não foram concluídas.

A estrutura belga:

O Estado belga compra a filial do banco de clientes do Dexia na Bélgica por 4 bilhões de euros, depois de ter salvado a Dexia pela primeira vez em 2008, injetando 3 bilhões de euros. A Bélgica pretende permanecer vários anos como proprietária do banco.


Criação de um banco de distribuição dos ativos tóxicos

A França, Bélgica e Luxemburgo vão criar uma estrutura denominada 'banco podre' para isolar os ativos de maior risco que atualmente afundam o balanço da entidade, incluindo os títulos da dívida de países fragilizados da Europa. Os três países vão dar uma garantia ao financiamento desta entidade e não sobre os próprios ativos.

Depois das negociações difíceis, os Estados vão dividir esta garantia em proporções idênticas às que assumiram, em 2008, no primeiro plano de socorro ao Dexia: Bélgica assumirá 60,5%, a França 36,5% e Luxemburgo 3%. A operação terá repercussões na dívida pública dos três países.

O restante das atividades:

O holding Dexia SA que agrupa as diferentes atividades perde razão de ser. Os 600 empregados afetados deverão ser realocados. A filial bancária em Luxemburgo, Dexia Banque Internationale, será comprada pelo capital do Qatar. Quanto à filial turca, o DenizBank, a joia da coroa, também está à venda. Segundo a imprensa, vários bancos estão interessados em adquiri-la, entre eles o espanhol BBVA e o grupo russo Sberbank.

Para assinar mensgem de apoio aos manifestantes de Wall Street (10out2011)

Há, no acampamento popular em Wall Street, um painel eletrônico mostrando em tempo real as assinaturas da mensagem de apoio que se encontra no Avaaz.



O endereço é Avaaz.org (clique aqui). Acesso à página em português, clique aqui. Já assinei petições anteriores no Avaaz e não tive complicação nenhuma depois disso. O máximo que vai acontecer será o assinante receber e-mails informando de novas campanhas. Nada que incomode ou estufe a caixa de mensgens de ninguém.

Há, na página do Avaaz um link transmitindo imagens ao vivo do painel eletrônico.

Dá uma emoção esquisita sentir que podemos pessoalmente interferir naquele painel. Há, também, um monitor grande com a imagem do blog Avaaz e as assinaturas tão logo elas são feitas.

No momento em que assinei, o número de apoios já passava dos 520.000.

Quem quiser interferir, nem que seja um pouquinho, com uma simples mensagem de apoio, a um movimento até há pouco impensável na matriz do Império, e nas barbas dos banqueiros mundiais, esta é uma boa oportunidade.

Ministra barra "manobra" de mulher de desembargador (10out2011)

Notícia publicada hoje no sítio do jornal Mídia News.

Defesa de Célia Cury quis suspender processo para obter aúdio de interceptações

Por Alexandre Aprá
Da Redação / Mídia News

A ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou um pedido de suspensão de prazo formulado pela defesa da advogada Célia Cury, esposa do desembargador José Tadeu Cury, que foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF).

Ela é acusada de participar de um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal Regional Eleitoral e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Além dela, outras 26 pessoas também foram denunciadas.

A investigação veio à tona depois da deflagração da Operação Asafe, em maio do ano passado. Foram investigados juízes, desembargadores, advogados, servidores e lobistas. O STJ, cautelarmente, já afastou dois desembargadores, um juiz e um advogado que exercia o cargo de juiz membro do TRE.

No pedido negado pela ministra Nancy Andrighi, relatora da ação penal, que ainda deverá ter o seu recebimento analisado pelo STJ, Cely Cury solicita a cópia integral das interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal e pede o "sobrestado do prazo para resposta".

Na prática, os advogados de Célia pedem a suspensão do prazo processual até que o pedido fosse atendido.

Entretanto, a relatora entendeu não haver motivos para suspender o prazo processual, já que todas as transcrições estão contidas no processo, além das mídias em áudio.

"Não obstante venha tramitando fisicamente, o presente processo, desde o início - aí considerada inclusive a sua fase investigatória, em que estava autuado como inquérito - vem sendo integralmente digitalizado, formando um backup virtual que, além de protegê-lo contra eventual extravio, possibilita que todos aqueles que estejam devidamente habilitados obtenham cópia dos autos. Da mesma forma, a Coordenadoria da Corte Especial mantém cópia integral dos áudios encaminhados pela Polícia Federal, relativos às interceptações telefônicas realizadas", concluiu a ministra, negando os pedidos.

Juristas ouvidos pelo MidiaNews classificaram o pedido como uma "manobra" para retardar o andamento do processo. O próximo passo é a análise do recebimento ou não da denúncia penal formulada pelo MPF. Caso a denúncia seja aceita, os denunciados passam a condição de réu em ação penal.


Origem das suspeitas

As investigações a respeito dos indícios de venda de sentença no Judiciário de Mato Grosso começaram na Superintendência da PF, em Goiás, em 2007.

No desdobramento de uma operação de combate ao tráfico de drogas, houve suspeitas de exploração de prestígio no Tribunal de Justiça (TJ/MT) para favorecer traficantes em decisões judiciais. O caso foi remetido ao STJ por conta do foro privilegiado dos envolvidos.

Pelo esquema, advogados, parentes e servidores de magistrados prometiam vantagens as pessoas processadas em troca de benefícios particulares. A PF apura se isso ocorria com ou sem consentimento dos juízes e desembargadores.

Os benefícios dados a traficantes no Tribunal de Justiça se expandiu para a Justiça Eleitoral e passou a conceder vantagens a políticos processados. O inquérito 669 chegou a ser instaurado para investigar venda de sentença na Justiça Eleitoral após denúncia do procurador regional eleitoral, Thiago Lemos de Andrade. No entanto, foi anexado ao 558 que já mantinha investigação semelhante.

O principal crime investigado é a exploração de prestígio, que consiste no fato do cidadão comum que não é servidor público prometer facilidades usando de funcionários públicos.

O nome Asafe se deve a um versículo bíblico do livro de Salmos que cita que Deus está na congregação dos poderosos e julga no meio dos deuses. "Até quando julgareis injustamente e aceitareis as pessoas dos ímpios?", diz.

Patrimônio Histórico - Memória viva de um povo! (10out2011)

Veja no blog Guerrilheiros Virtu@is texto e fotos de Marco Antonio Veiga:

Patrimônio Histórico - Memória Viva de um Povo!:

"Alguém me disse que a música preserva a identidade sonora de uma Cidade, Estado ou País. Que é a sonoridade expressão viva do jeito de ser de um povo..."


Mídia, que também é empregadora, não tem isenção ao tratar das greves (10out2011)

Postagem de 3 de outubro de 2011 no blog Sítio Coletivo.

As greves, a mídia e o "teto de vidro"

Por Júlio Carignano


Em Curitiba, trabalhadores "enterram" Dilma e Bernardo (foto: Sintcom/PR)

O ano de 1968 foi considerado o "orgasmo da história" em virtude da onda de manifestações que eclodiram por todo mundo. No mesmo ano, Martin Luther King – ativista dos direitos civis nos Estados Unidos – foi assassinado. Em abril, dias antes do crime, ele liderou uma marcha em apoio a uma greve de 1,3 mil funcionários negros da limpeza pública por melhores condições de trabalho e salários decentes.

Na ocasião, a paralisação dos trabalhadores já durava cerca de dois meses e a marcha foi reprimida com violência dos órgãos repressores do Estado. Luther King dizia que a "greve é a linguagem dos não-ouvidos". Linguagem é comunicação e, quando falamos em greve, a comunicação tem um papel fundamental e os meios que propagam informação devem agir com responsabilidade.

Deixando 1968 na história e voltando ao presente, vivenciamos uma espécie de "catarse coletiva" de mobilizações em todo o País, com greves nacionais como a dos bancários e dos Correios, paralisações de professores em Minas Gerais e Ceará e, aqui no Paraná, a recente mobilização dos servidores da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Como de praxe - ainda que de forma velada - a mídia vem fazendo sua ofensiva diante das greves.

Nenhum meio de comunicação (seja ele grande, de circulação nacional, ou regional e local, que reproduz as mesmas visões e juízos) ataca de forma direta o direito de greve. Não pela falta de vontade em si, mas por não terem coragem de investir contra um direito que foi conquistado ainda no século 19, com o esforço, sacrifício e sangue de trabalhadores.

Como não podem atacar o direito constitucional de greve fazem ofensivas direcionadas em cada paralisação, especialmente quando as greves acontecem no setor público. É raro (quase surreal) quando a mídia admite que uma greve é justa. Para ela, todas as mobilizações são "abusivas" e foco da cobertura está sempre nas pessoas prejudicadas (o usuário/consumidor) e nunca no trabalhador grevista.

domingo, 9 de outubro de 2011

Festival de notícias boas do Pentelhão (9out2011)

Postado no Blog do Passarinho Pentelhão em 5 de outubro de 2011.

Quarta-feira Boa da Míriam Leitão! Tem Ancelmo Gois ufanista! Mais casos de desindustrialização reversa! O mundo batendo palmas pro Brasil! Por fim, até o sertão vai virar mar!!! Que loucura!!!

Querida, esse último Domingo agora fiquei sabendo que você chegou muito atrasada na discussão da tal da faxina seletiva. Merval Pereira já abandonou esse assunto faz tempo! É, depois que, mesmo com apoio sistemático do PIG, apenas alguns gatos pingados compareceram à Cinelândia e a coisa começou a cheirar mal lá pelas bandas tucanas em São Paulo, o melhor era dar um tempo mesmo. Portanto, diga-nos, o que aconteceu contigo, mulher, pra estar tão sem ‘time’??? E já que você gosta tanto de uma faxina, desde já a convidamos para o ato “Faxina na Rede Globo”, no dia 19/10/2011, a partir das 13 horas no Jardim Botânico, aqui no Rio de Janeiro. Chegando mais perto, colocaremos um post-convite com todos os detalhes do evento! Para que seu patrão não a veja por lá, faça que nem o Reinaldo Azevedo costuma fazer nessas ocasiões, vá fantasiada!!!

Vamos às notícias boas!


As empresas do povo

Petrobras

Coluna Negócios & Cia, jornal O Globo, sábado, dia 01/10/2011:
Progrediu – A Petrobras alcançou a marca de R$ 500 milhões em financiamentos do Progredir. O programa empresta dinheiro à cadeia de fornecedores. Em um ano, cem contratos foram assinados. O custo dos empréstimos é até 40% menor que nas demais linhas. BB, Bradesco, CEF, Itaú, HSBC e Santander são parceiros.
Comentário do Pentelhão: É a Petrobras não só comprando do, mas também financiando o fornecedor nacional! Isso te incomoda, querida???


Economia

Jornal O Estado de S. Paulo, terça-feira, dia 04/10/2011:
Saldo comercial até setembro bate o de 2010
O superávit da balança comercial brasileira atingiu US$ 23,03 bilhões de janeiro a setembro deste ano, superando todo o saldo fechado em 2010, de US$ 20,2 bilhões. O resultado até setembro é o maior dos últimos quatro anos e representa um aumento de 81,4% em relação aos nove primeiros meses de 2010.
Comentário do Pentelhão: Querida, você quer saber se o Pentelhão esqueceu você prevendo déficit comercial para este ano? Na verdade para todos os últimos anos? Não, Míriam, o meu ‘saco de maldades’ onde vou guardando tudo que vocês falam não me permite esquecer estas coisas. Até mesmo para informar a todos que vocês sempre erram! Se vocês parassem um pouquinho de torcer contra no melhor estilo urubu talvez não passassem tanto vexame. Fazer o quê, né? Por mim você pode continuar a vontade. Quer prever mais um déficit para 2012, valendo uma outra caixa de cerveja, além daquela que apostamos na inflação dentro da meta neste ano, ou cansou???


Investimentos

Operação da CIA na década de 1960: criar a crença de que comunistas devoravam crianças (9out2011)

Postagem de 8 de outubro de 2011 do Blog da Cidadania.

Peter Pan e os devoradores de criancinhas


Quando o escritor e dramaturgo anglo-escocês Sir James Matthew Barrie escreveu a peça de teatro Peter and Wendy – obra que, depois, por incontáveis vezes ganharia as telas do cinema rebatizada simplesmente como Peter Pan –, jamais imaginaria que a história dos garotos que não queriam crescer e fugiram para uma terra mágica em que isso era possível batizaria operação da agência norte-americana de inteligência, a CIA, que constitui um dos momentos mais dolorosos da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética.

Alguns pensam que é piada ou ironia a frase sobre comunistas, além de todos os pecados, serem devoradores de criancinhas, mas a origem do que hoje é considerado piada vem de um tempo em que os Estados Unidos tentaram realmente vender a acusação inacreditável de que o regime de Fidel Castro pretendia usar crianças para alimentar os povos supostamente esfaimados do Leste Europeu. Só que, de tão ridícula, a acusação não foi oferecida ao mundo, mas, tão-somente, ao povo cubano, dando origem à segunda grande diáspora desse povo rumo à ensolarada Miami, e sob o beneplácito e o incentivo do governo ianque.

sábado, 8 de outubro de 2011

Nosso apoio e solidariedade aos manifestantes que ocupam Wall Street (8out2011)

Publicado no blog Aldeia Gaulesa na sexta-feira.

Naomi Klein: Occupy Wall Street é a coisa mais importante do mundo hoje


Eu amo vocês.

E eu não digo isso só para que centenas de pessoas gritem de volta “eu também te amo”, apesar de que isso é, obviamente, um bônus do microfone humano. Diga aos outros o que você gostaria que eles dissessem a você, só que bem mais alto.

Ontem, um dos oradores na manifestação dos trabalhadores disse: “Nós nos encontramos uns aos outros”. Esse sentimento captura a beleza do que está sendo criado aqui. Um espaço aberto (e uma ideia tão grande que não pode ser contida por espaço nenhum) para que todas as pessoas que querem um mundo melhor se encontrem umas às outras. Sentimos muita gratidão.

Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo.

Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela sua crise”.

Esse slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou.

“Por que eles estão protestando?”, perguntam-se os confusos comentaristas da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: “por que vocês demoraram tanto? A gente estava querendo saber quando vocês iam aparecer.” E, acima de tudo, o mundo diz: “bem-vindos”.