Quem sou eu

Minha foto
Bebedouro, São Paulo, Brazil
Geólogo e professor aposentado, trabalho este espaço como se participasse da confecção de um imenso tapete persa. Cada blogueiro e cada sitiante vai fazendo o seu pedaço. A minha parte vai contando de mim e de como vejo as coisas. Quando me afasto para ver em perspectiva, aprendo mais de mim, com todas as partes juntas. Cada detalhe é parte de um todo que se reconstitui e se metamorfoseia a cada momento do fazer. Ver, rever, refletir, fazer, pensar, mudar, fazer diferente... Não necessariamente melhor, mas diferente, para refazer e rever e refletir e... Ninguém sabe para onde isso leva, mas sei que não estou parado e que não tenho medo de colaborar com umas quadrículas na tecedura desse multifacetado tapete de incontáveis parceiros tapeceiros mundo afora.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Relato de jornalista que visitou a Líbia em 1979 (4nov2011)

Série de postagens feitas no Blog do Bourdoukan denominadas "A Líbia que eu conheci", em que o jornalista Georges Bourdoukan, então da Rede Globo, diretor do programa Globo Repórter, relata sua visita à Líbia, ao se completarem dez anos da Revolução chefiada por Kadafi, em 1979, para entrevistar o líder líbio com o intuito de produzir uma edição do programa Globo Repórter.

A Líbia que eu conheci

Por Georges Bourdoukan

Nelson Mandela assim que foi libertado foi agradecer a Kadafi o seu apoio ao povo sul-africano contra o regime do aparheid.

Estive na Líbia em setembro de 1979, por ocasião do décimo aniversario da Revolução que levou Kadafi ao poder.

Me acompanharam na ocasião o cinegrafista Luis Manse e o operador de Nagra Nelson Belo, Belo ( por onde andarão?).

Estávamos ali pelo Globo Repórter, do qual eu era o diretor em São Paulo.

Primeira surpresa. O hotel, para onde o governo nos enviou, estava totalmente ocupado por diplomatas.

Perguntei ao embaixador do Brasil a razão dessa concentração.

A resposta me surpreendeu ainda mais.

Na Líbia de Kadafi, os aluguéis estavam proibidos.

Os líbios que não tivessem casa, era só solicitar que o governo imediatamente providenciava a construção de uma.

O pais era um imenso canteiro de obras.

E mais: Uma lei em vigor, A LEI DO COLCHÃO, determinava que, qualquer cidadão líbio que soubesse da existência de casa alugada, era só atirar um colchão no quintal que a casa passava a ser sua.

Aninha Zortea analisa as reações das pessoas à doença do ex-presidente Lula (4nov2011)

O Meu Querido Presidente LULA!!!

Por Ana Giulia Zortea

O Brasil hoje chora, chora uma noticia que caiu como uma bomba na cabeça de todos nós brasileiros.

Fiquei analisando estes dois dias a reação das pessoas, a grande maioria esta chorosa se sentindo perdida  como se um parente muito próximo estivesse doente. Sim um parente muito próximo, porque é assim que a grande maioria dos brasileiros vêem nosso ex e eterno presidente Lula. Ele consegue com seu jeito simples e despretensioso, chegar ao coração de todos . É como se fizesse parte da família de cada um. Mas também vi que no Brasil existem muitas pessoas "pequenas" pequenas em dignidade, pequenas em respeito ao próximo, pequenas em humanidade.  Estas pessoas não sabem o que é respeitar o próximo e ainda dizem que estão representando um partido politico. Como o comentário de um presidente que representa a juventude de um partido politico pode vir carregado de tanta ignorância  agressividade e desrespeito??? Penso que se este moço que  diz que representa a juventude de um partido, e fala tantas coisas horríveis sem o menor respeito pelo ser humano Lula, como pode querer chegar algum dia ao poder?? Uma pessoa como esta não sabe o que é respeito humanidade solidariedade. Mas o presidente Lula é muito mais forte do que esta gentinha que só quer um pouco de visibilidade, nem que para isso façam o papel ridículo de atacar um ser humano que mostrou ao mundo quem verdadeiramente é o Brasil. Vivemos em uma democracia eu sei, e temos o direito de falar o que pensamos, mas isto não  da o direito de sermos cruéis com ninguém. O Presidente Lula( pra mim ele será sempre o presidente Lula) está doente sim, mas tenho certeza que ele vai sair desta muito mais forte em todos os sentidos. O Brasil esta choroso e manhoso com esta noticia, mas não esta desesperado como uns e outros da oposição que aproveitam-se de um momento de profunda tristeza para atacar quem tanto fez pelo país, o mais incrível é que estas pessoas acham que merecem um dia estar governando o nosso Brasil, me desculpem mas quem não sabe respeitar a dor do próximo nunca deveria estar representando nada e nem ninguém,  porque simplesmente não consegue se colocar no lugar do outro. Mas voltando a quem realmente merece minha atenção e respeito venho dizer ao mundo que o presidente vai sair desta sim porque ele  tem muito a contribuir com o país e o povo que ele tanto ama. Estamos tristes e assustados, mas sabemos que ele como o grande guerreiro que é, vai mostrar mais uma vez o que é superação. E  sei que em 2018 vou poder votar pra ele para presidente, terei 18 anos e terei a honra e o orgulho de vê-lo mais uma vez como o grande representante do povo brasileiro. ATÉ LÁ PRESIDENTE LULA!!!

Publicado em 30 de outubro de 2011 no blog Meu Pai Morreu No Voo AF 447, E Agora?!!?, de Ana Giulia Zortea (11 anos).

Para saber mais sobre a autora, clique aqui e aqui. Foto de Ana Giulia Zortea reproduzida a partir do sítio Viomundo.

As coisas estão se desmanchando na Europa... (4nov2011)

O crepúsculo do Euro

Por Paul Krugman

As coisas estão se desmanchando na Europa; o centro não está segurando. Papandreou vai realizar um referendo; o voto será não. Bônus italiano de 10 anos a 6,29%; este é um nível em que o custo de rolar a dívida existente forçará um default, apesar de a Itália ter um superávit primário. E com todos buscando simultaneamente a austeridade fiscal, uma recessão parece quase certa, agravando todos os problemas do continente.

Venho mapeando esse desastre de trem há uns dois anos, e estou me sentindo exausto demais para retraçá-lo neste momento. Digamos apenas que o euro foi uma ideia inerentemente falha que só pode funcionar com uma economia europeia forte e um grau significativo de inflação, mais crédito ilimitado a dívidas soberanas que enfrentam ataques especulativos. Mas as elites europeias abraçaram a noção de economias como peças morais, impondo austeridade a torto e a direito, endurecendo o crédito apesar da inflação subjacente baixa, e estiveram preocupadas demais com a punição dos pecadores para notar que tudo ia explodir sem um emprestador efetivo em último recurso.

A questão que estou tentando responder agora é como o ato final será encenado. A essa altura, eu suporia taxas crescentes sobre a dívida italiana provocando uma corrida gigantesca aos bancos, tanto por temores com a solvência de bancos italianos em caso de calote, como pelo medo de que a Itália acabe saindo do euro. Isso leva então a um fechamento de emergência dos bancos, e quando isso ocorrer, uma decisão de abandonar o euro e instalar a nova lira. Próxima parada, França.

Isso tudo soa apocalíptico e irreal. Mas como essa situação vai supostamente vai se resolver? O único caminho que eu vejo para evitar algo assim envolve o Banco Central Europeu mudar totalmente seu enfoque, e rápido.


Paul Krugman, Premio Nobel de Economia de 2008, é colunista do The New York Times, republicado pelo Estadão.

Postado em 2 de novembro de 2011 no sítio Projeto Nacional.

Mídia alardeia IDH antigo e não divulga dados atuais da ONU e do IBGE (4nov2011)

IDH: venderam jornal velho

Por Fernando Brito



Vocês devem ter lido que o ex-presidente Lula, no meio de um sério tratamento de saúde, abalou-se para reclamar dos números do Índice de Desenvolvimento Humano divulgados quarta-feira, com grande estardalhaço.

Nele, o Brasil subia apenas uma posição, ficando em 84° lugar, entre 187 países. E ainda caía, quando levados em conta os indicadores de igualdade/desigualdade social.

Prato feito para nossa imprensa.

Se não é Lula, sem voz, estrilar, virava verdade.

Mas, como ele estrilou, é só convidar os jornalistas a visitarem, no site da própria ONU, a página que dá a informação sobre de onde eles tiraram estes dados.

[Para acessar, clique aqui.]

E lá você vai ver que as estatísticas usadas foram as da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar, PNAD, do IBGE, que é divulgada anualmente, com dados do ano anterior.

A que o ranking do IDH usou é a de 2005, com dados de 2004!

A de 2009 está disponível no site do IGBE, com os dados do ano de 2008, como você pode ver aqui.

Agora, compare o que acontecia em 2004 com este gráfico publicado semana passada sobre renda e desigualdade no Brasil pela The Economist, no qual traduzimos os títulos, sem mexer nos dados.

Venderam a todo mundo o jornal de ontem. De ontem, não, de seis anos atrás.

Publicado no sítio Projeto Nacional em 4 de novembro de 2011.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Imprensa já trata com naturalidade um provável ataque ao Irã, o próximo alvo do Império (3nov2011)


Basta olhar o mapa e ouvir os noticiários de hoje para saber que chegou a vez do Irã. E assim eles seguem, invadindo, saqueando, matando... E a mídia trata do assunto com uma naturalidade espantosa, naturalizando o ataque e a invasão de um país soberano.

A mídia vem há muitos anos selecionando imagens dos povos do Oriente Médio que nos levam a vê-los como um bando de malucos. Em muitos dos casos trata-se meramente de atividades próprias de suas culturas, que nos são apresentadas cruamente, e propositalmente sem qualquer acréscimo informativo quanto aos costumes desses povos. Ou seja, se eles são malucos desse jeito, é até bom que sejam mesmo "disciplinados" segundo a fantástica cultura ocidental, tão civilizada e sábia...

Mas fiquem todos espertos, porque se deixamos esses países caírem sem nada fazer, seremos tal e qual aquele rebanho de ovelhas, que vai cedendo ao lobo uma ovelha porque é muito velha, depois outra, porque está manca, a outra porque não é branca e sim cinza, e assim por diante. O lobo acaba por devorar todas as ovelhas.

A América do Sul faz parte do rebanho, e o lobo imperialista vê com olhos grandes os crescentes recursos naturais (crescentes à medida em que novas jazidas de minérios, água potável e petróleo vão sendo encontradas em todo o continente) desta parte do mundo. Em breve, a Venezuela deverá ser alvo, frente a alguma desculpa esfarrapada que justifique uma invasão. Retratar o Hugo Chávez como um tolo ou louco tem sido o trabalho permanente da grande imprensa. Assim, deixaremos essa ovelha ser devorada aqui ao lado. Aí o lobo voltará a ter fome, e as ovelhas Bolívia, Argentina, Brasil, Paraguai, Chile, Uruguai, Equador, Colômbia, Nicarágua... Todas serão devoradas. Naturalmente. Ou naturalizadamente...

Será que Lula desmontou a magnífica estrutura do SUS montada por FHC-Serra? (3nov2011)

Querelas do Brasil (Aldir Blanc / Maurício Tapajós)
Quarteto em Cy


Lembro-me de ter lido, há alguns anos, sobre o Professor Florestan Fernandes. Ele foi professor de FHC na USP. Foi preso em 1964 por reclamar pelo tratamento dado pela polícia a seus colegas. Foi cassado e "aposentado" da USP em 1969. Foi para os Estados Unidos, onde, o "comunista" foi acolhido e foi professor nas universidades de Columbia e Yale.

Transcrevo abaixo alguns parágrafos de postagem de Sérgio de Moraes Paulo em seu blog O Palpiteiro (é um ótimo depoimento do autor, que pode ser visto na íntegra do texto aqui), datada de 10 de abril de 2007.
Florestan voltou ao Brasil, mas não à USP. Foi dar aula na PUC. A USP reconheceu mais tarde o valor do professor e o homenageou como “professor emérito”, título que poucos podem ter. A recém-inaugurada biblioteca de Ciências Humanas da USP fez uma exposição sobre Florestan, que dá nome ao novo prédio. Numa das fotos da exposição, uma linda e simbólica foto de Florestan abraçando o amigo Aziz Ab’Saber por ocasião do título de professor emérito.
Florestan se elegeu deputado pelo PT em 1986. O mesmo Florestan que antes, em 1977 foi dar aula em Yale, Universidade que forma a elite dos EUA. Aquela por onde andaram Bil Clinton e o tal George W. Bush. Florestan não servia para a ditadura, mas serviu para Yale... Como deputado, foi uma das referências para a elaboração da nossa Constituição. Os embates foram fortes e o professor funcionava como uma bússola em meio a tantas leis e projetos.
Mais tarde, Itamar Franco deu uma honraria da República, reconhecendo o valor de Florestan. Florestan apoiou Lula em 1994, mas quem levou a presidência foi seu antigo aluno, agora “FHC”. Para ele, Fernando. Florestan foi implacável nas críticas a Fernando. Fernando, agora FHC, sabia a profundidade e o alcance de cada uma delas. Florestan estava velho e doente do fígado. FHC deixou as divergências políticas de lado. Propôs a Florestan que se tratasse nos EUA. Deixou claro que o professor tinha esse direito, dada a prerrogativa da honraria que Itamar o havia concedido.
Florestan agradeceu e mandou dizer que era apenas um funcionário público como outro qualquer. Sugeriu que Fernando melhorasse a saúde pública brasileira, de modo que qualquer cidadão pudesse dignamente ser tratado no próprio país. Florestan foi operado e morreu. Morreu em agosto de 1995, com a dignidade que poucos no Brasil podem até hoje sustentar. Morreu digno e coerente ao que defendia. O professor Florestan era muito mais do que um garçom diferente: era um brasileiro diferente na suas atitudes e na sua importância. Até hoje pode ser considerado uma bússola...
Vejam que o texto foi escrito há quatro anos, e portanto não tem motivação  no que acontece hoje com o ex-presidente Lula.

Em termos sociais, Lula fez muito pelo país, e isso não há como negar. O problema com seu governo é que ele teve que administrar entre o fogo da mídia porta-voz da elite e as reais necessidades da população. Sem ser radical em suas providências administrativas, produziu avanços consideráveis na economia e na redistribuição de renda. Reduziu as desigualdades. Tirou muitos milhões de famílias da pobreza ou da miséria. Ampliou em muito o acesso da população a medicamentos gratuitos. Mas não pôde radicalizar em setores que, durante o choque de gestão tucano, haviam sido transmudados de direitos do cidadão para mercadoria. Saúde e educação passaram a ser fonte de renda para essa elite que adora FHC. Mercadorias. Desfazer isso implica e implicará em oferecer saúde e educação integral e de qualidade para todos. Ora, se isso acontece, os "consumidores" dessas mercadorias deixarão de comprá-las e terão acesso a elas gratuitamente.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Apoio aos manifestantes de Wall Street (1nov2011)

Se você ainda não assinou o abaixo-assinado, mas pretende fazê-lo (eu já assinei quando ainda eram 420.000 os apoiadores), clique aqui e, em concordando com o texto de solidariedade, coloque seus dados (e-mail, nome e país) e envie. Seu nome aparecerá na lista de assinantes que corre na página. Já há, como vi há poucos segundos, 797.978 assinaturas. O objetivo é atingir 1 milhão.


Vamos ser, também, sujeitos nesse processo histórico. Não vamos deixar o bonde passar.