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Geólogo e professor aposentado, trabalho este espaço como se participasse da confecção de um imenso tapete persa. Cada blogueiro e cada sitiante vai fazendo o seu pedaço. A minha parte vai contando de mim e de como vejo as coisas. Quando me afasto para ver em perspectiva, aprendo mais de mim, com todas as partes juntas. Cada detalhe é parte de um todo que se reconstitui e se metamorfoseia a cada momento do fazer. Ver, rever, refletir, fazer, pensar, mudar, fazer diferente... Não necessariamente melhor, mas diferente, para refazer e rever e refletir e... Ninguém sabe para onde isso leva, mas sei que não estou parado e que não tenho medo de colaborar com umas quadrículas na tecedura desse multifacetado tapete de incontáveis parceiros tapeceiros mundo afora.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Molion (histeria) | 10 x 0 | Fearnside (aquecimento) (8fev2012)

Molion x Fearnside no Painel "Aquecimento ou histeria global", promovido pelo Instituto Millenium em 2009

O Professor Luiz Carlos Molion apresentou palestra na UFMT no final de 2011, no evento de comemoração dos 35 anos do curso de Geologia nesta instituição. Tive o prazer de assistir a palestra e verificar o quão enganosos são os dados ressaltados pelos aquecimentistas, uma vez que deixam de considerar, inclusive, conceitos básicos de ciência para reiterarem sua visão quanto aos efeitos antropogênicos sobre o clima global.

Faz-se, talvez deliberadamente, uma confusão entre clima e meio ambiente, colocando o CO2 como o vilão da história. É claro que os ambientalistas estão cobertos de razão ao defenderem a preservação da biodiversidade e dos diferentes nichos ecológicos, lutando contra a contaminação dos mesmos pelos mais diversos resíduos poluentes emitidos pelos homens.

No entanto, a Economia Verde que agora está em pauta, fruto da histeria aquecimentista, volta-se para o CO2 para transformar em commodities os elementos da natureza que, de alguma forma se vinculam à produção ou à redução do gás. Com a obrigação de possuir determinado quantum dessas commodities, uma empresa poderá, por exemplo, adquirir seus "ativos verdes" em Roraima e poderá gastar o "excedente" do que comprou poluindo a Baía da Guanabara. Como seu Balanço Verde está positivo, tal empresa não poderá ser considerada poluidora, certo?

Com isso, os ambientalistas, e todo mundo, perdem a qualidade e a conservação ambiental, e o Verde torna-se rentabilíssimo negócio para as corporações, as quais veem suas possibilidade de lucro definharem dentro nos atuais modelos de exploração econômica. Não bastasse explorarem o trabalho humano, vão agora gerar mais-valia a partir do trabaho da natureza.

Reproduzo a seguir a postagem do blog Terrorismo Climático que tem o título acima:

 Luiz Carlos Baldicero Molion

Philip Fearnside

Este foi um debate entre o professor Luiz Carlos Molion, o nosso maior Climatologista e o Sr. Philip Fearnside, Cientista do IPCC. O evento foi promovido pelo Instituto Millenium em 2009.
Sinceramente, se fosse um jogo de futebol, na minha opinião, o placar seria Molion 10 x 0 Fearnside. O Sr. Fearnside, como todo cientista do IPCC, usa como argumentos as mesmas sandices "cansadas de guerra" que, foram e continuam sendo divulgadas sem interrupção nas mídias nacional e internacional, no que eu considero a maior, a mais bem coordenada e a mais longa campanha de desinformação e propaganda jamais vista na história.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Novo foco para acúmulo de capital: Economia Verde (7fev2012)

Afinando o discurso contra a Economia Verde

Por Raquel Júnia | Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)

Seminário debate os conceitos e negócios por trás do modelo que será defendido pela ONU na Rio+20 e expoe os riscos da Economia Verde para a qualidade de vida no planeta

No "esboço zero", documento divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como base das discussões da Rio+20 - Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - fica claro que a proposta defendida pela Organização durante o evento será a da Economia Verde.  A Rio+20 vai acontecer em junho de 2012, no Rio de Janeiro, e, paralelamente, movimentos sociais e outras entidades da sociedade civil organizarão a Cúpula dos Povos, que pretende questionar as soluções da ONU para a atual crise ecológica. "Disfarçada de uma agenda ambiental, a Rio+20 traz uma agenda política muito importante. Podemos fazer uma comparação com os ajustes estruturais neoliberais que aconteceram na década de 90. Naquela época, se formou o famoso Consenso de Washington, para liberalizar os serviços públicos e colocar em curso todos os processos de privatização que nós vimos nas décadas de 1990 e 2000. E agora que o capitalismo está em crise, ele tenta se inovar e forjar novas formas de acumulação que precisam dos Estados, das políticas públicas e de leis para oferecer novas fronteiras de acumulação. E essas fronteiras estão em grande parte no meio ambiente. A economia verde consiste em ‘comodificar', tornar papel moeda, todos os componentes da natureza, seja a biodiversidade, a água ou o carbono", explicou Lúcia Ortiz, do Núcleo Amigos da Terra Brasil, durante o Seminário Rumo a Rio+20: por uma outra economia, realizado em Porto Alegre, durante os dias 23 e 24 de janeiro.

Ban Ki e Yoani recolham-se à sua insignificância (7fev2012)

Por Georges Bourdoukan | blog do bourdoukan

Isso a senhora Yoani não vê...

Ban Ki-Moon e Yoani Sanchez formam o casal perfeito.

Ban Ki-Moom é o tal secretário geral da ONU que não manda absolutamente nada, recebe um régio salário e vive passeando às nossas custas.

Yoani Sanchez é a cubana agente da CIA (ainda em fase experimental) que possui um blog para falar mal de Cuba

Yoani e Ban Ki têm em comum obediência cega às ordens da Casa Branca.

Formam um belo casal cuja meta de vida é mergulhar em águas repletas de candirus.

Ban Ki foi à Palestina Invadida, cuja porção ocupada se autodenomina Israel.

Os israelenses não lhe deram a mínima importância e em Gaza (Palestina Livre) foi recebido a sapatadas.

Yoani Sanchez, não satisfeita em ofender o povo cubano, voltou seu ódio ao Brasil.

E por que esse seu ódio ao Brasil?

Porque a presidente Dilma recusou-se a recebê-la em audiência.

Yoani agiria com mais dignidade se exigisse a retirada dos Estados Unidos de Guantánamo, território cubano ocupado e que foi transformado em prisão medieval, para onde são levadas vitimas inocentes para serem torturadas.

Isso não sensibiliza a cubana que diz defender os direitos humanos.

Direitos humanos de quem?

Dos torturadores?

Dona Yoani, pense duas vezes antes de vir conspurcar as terras brasileiras.

Aqui não precisamos de apoiadores de torturadores.

Aqui, os nossos torturadores já contam com o apoio incondicional da mídia.

E quanto ao senhor Ban ki, precisa se dar o respeito e parar de obedecer cegamente às ordens do Império.

Ban ki e Yoani, o melhor que vocês podem fazer e se recolherem  à sua insignificância.

Instituto de Matemática da USP tem convênio com universidade situada em território ocupado (7fev2012)

Por Idelber Avelar | Outro Olhar

A partir da coluna de Vladimir Safatle na Folha este fim de semana - aliás um texto muito bom, apesar de bastante brando, para se conhecer um pouco sobre a ocupação israelense -, recebi uma notícia que considero bastante grave: o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo mantém um convênio com a Universidade Ariel, intitulada oficialmente “Centro Universitário Ariel da Samária”. Trata-se de uma instituição de colonos israelenses situada na Cisjordânia, terra que, segundo a legislação internacional, pertence ao povo palestino, e que está ocupada ilegalmente pelo exército israelense, por quase 500.000 colonos e centenas de checkpoints. Que eu saiba, é uma situação de convênio inédita no sistema universitário brasileiro.

Para que se tenha uma ideia da gravidade do assunto, é preciso fazer uma distinção importante, entre universidades situadas dentro do território de Israel e instituições que estão em território roubado dos palestinos, na Cisjordânia. Há um movimento internacional, que ganha cada vez mais força, intitulado Boicote, Desinvestimento e Sanções, que advoga pelo boicote a toda e qualquer instituição israelense - a partir do mesmo princípio utilizado no bem-sucedido boicote ao regime de Apartheid da África do Sul. É um movimento que conta com meu apoio, mas que também tem lá os seus críticos, que não concordam com a ideia de penalizar instituições como, digamos, a Universidade de Tel Aviv por causa das políticas criminosas do estado de Israel. Discuta-se isso em outro momento, embora eu queira deixar registrada minha discordância com a caracterização, bem ligeira, que faz Safatle da política do BDS como “equivocada”. Mas, enfim, isso se pode discutir.

Coisa bem distinta é a colaboração com universidades de colonos, instituições por definição criminosas. Elas estão construídas em terras roubadas dos palestinos - são terras que, segundo a legislação internacional, não pertencem a Israel. Neste caso, não há ambiguidade ou qualquer tipo de polêmica possível: colaborar com elas é colaborar com a criminalidade internacional. É espantoso e escandaloso que a mais prestigiosa universidade brasileira esteja metida nisso.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O governo federal está pedindo uma greve docente, não está? (5fev2011)

Despesa da União com servidores é a menor nos últimos 17 anos

O arrocho salarial que o governo federal está impondo sobre os servidores já está se refletindo nas contas públicas. De acordo com matéria publicada nesta quinta-feira (2) pelo jornal Valor Econômico, em 2012 o governo vai aplicar cerca de 4,13% do PIB (Produto Interno Bruto) para pagar os servidores públicos, ativos e aposentados. Este é o menor percentual desde que a Secretaria do Tesouro Nacional começou a publicar série histórica, há 17 anos.

Na verdade, os gastos do governo central com os servidores vêm caindo a cada ano em proporção ao PIB. Em 2011, foram usados o equivalente a 4,34% do PIB, que já foi 0,08 ponto percentual a menos do que foi aplicado em 2010.

A matéria do Valor Econômico corrobora informações publicadas há dois dias pelo jornal Correio Braziliense. Segundo este periódico, embora as despesas do governo com a remuneração dos servidores tenham crescido em valores nominais, o desembolso cresceu a um ritmo menor no último ano. Na comparação entre 2009 e 2010, houve um aumento de 9,8% e já entre 2010 e 2011, os gastos subiram 7,7%.

Para este ano, as perspectivas não são boas, já que emissários do governo têm dito que reajustes, se concedidos, só valerão para 2013. Diante dessa realidade, só restará aos servidores construir uma forte mobilização, que faça o Palácio do Planalto sair da retranca em que se encontra e negociar efetivamente com a categoria.

Nas reuniões realizadas esta semana entre dirigentes das entidades dos servidores públicos federais (SPF) foi constatada a necessidade de se buscar a unidade na luta, respeitando-se as diferenças. É isso que o ANDES-SN vai buscar construir no próximo período: vamos, a partir das deliberações da base, construir um movimento forte e amplo, que demonstre todo o descontentamento dos docentes e arranque um reajuste digno do governo.

Fonte: ANDES-SN


Aquecimento global: falso problema para nos distrair das questões realmente sérias (5fev2012)

Impostura e mistificação

O imperialismo agita falsos problemas para esconder os verdadeiros, por ele próprio provocados. O envenenamento do planeta com urânio empobrecido caminha a passos largos. Centenas de toneladas deste veneno químico, físico e radiológico já foram ou continuam a ser espalhados no Iraque, Afeganistão, Líbano e antiga Iugoslávia. O urânio empobrecido tem uma semi-vida de muitos milhões de anos e não será possível limpá-lo da face da Terra. O dano é irreversível. O imperialismo e os seus acólitos, como Israel e a Grã-Bretanha, estão a praticar uma política de extermínio da vida no Planeta Terra. Como afirma Leuren Moret , basta uma tempestade de areia no Iraque para que num par de dias esse pó com efeitos teratogênicos esteja na estratosfera, sobre a Europa e os Estados Unidos.

Contudo, este problema vital para os destinos de todas as espécies existentes no nosso planeta está absolutamente ausente dos medias corporativos que se proclamam "de referência". É como se não existisse. Eles mentem-nos por omissão. O silenciamento é deliberado. São cúmplices da catástrofe ecológica e biológica agora em curso, provocada pelo militarismo ensandecido dos EUA.

Mas o que nos diz a desinformação praticada pelos tais medias auto-proclamados "de referência"? Entretem-nos com tretas, enganam-nos com mistificações em escala maciça. É o caso da impostura do aquecimento global , de que nos despejam doses cavalares. Fazem terrorismo com um problema inventado e escondem aqueles realmente existentes, e gravíssimos, como o envenenamento planetário pelo depleted uranium. Por sua vez, políticos tão ignorantes quanto os jornalistas que escrevem tais estórias, fartam-se de repetir as ladainhas do International Panel of Climate Change (IPCC).

Ainda agora, o sr. Al Gore produziu um filme a propagandear o dito "aquecimento global" (confundindo problemas climatológicos com problemas ambientais). Mas este senhor - que posa como progressista e foi candidato à presidência dos Estados Unidos - nunca abriu a boca contra as invasões do Iraque, do Afeganistão, do Líbano, da ex-Iugoslávia, com todo o seu cortejo de crimes de lesa humanidade.

A barragem avassaladora da desinformação provoca um déficit de consciência quanto aos problemas reais que estão em causa. Não é nada fácil combatê-lo.

Do sítio Resistir.

Leia mais sobre o tema, neste blog, aqui e aqui.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Aquecimento global: origem e natureza do alegado consenso científico (4fev2012)


Richard S. Lindzen
Um fenómeno sociológico, não um fenómeno físico
Cientistas fazem declarações sem significado ou ambíguas.
Advogados e mídias traduzem tais declarações em sinais de alarme.
Políticos respondem ao alarme alimentando cientistas com mais dinheiro.

Por Richard S. Lindzen [*]

Procurar falhas no IPCC [Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas] é crucial. A noção de que se você for ignorante em alguma coisa e alguém lhe aparecer com uma resposta errada tem de aceitá-la porque não tem uma outra resposta errada para dar é como a cura pela fé, é como o charlatanismo na medicina. Se alguém lhe disser que deve ingerir caramelos para curar o câncer e você responder que isso é estúpido, ele diz: bem, pode sugerir alguma outra coisa? Será que ao responder que não, isso quer dizer que você tem de ingerir caramelos?

A maior parte das pessoas instruídas aceita o aquecimento global como real e perigoso. Realmente, a propaganda em torno do aquecimento global leva muita gente a acreditar que se trata da principal ameaça que se apresenta à humanidade. Na Conferência do Rio sobre o Clima, em Junho de 1992, foram esboçados acordos internacionais para lidar com aquela hipotética ameaça, em reunião assistida por chefes de estado de dúzias de países. Tenho a declarar de início que, como cientista, não vejo nenhuma base substantiva para as ameaças do aquecimento popularmente difundidas. Além disso, de acordo com muitos estudos de economistas, agrônomos, e hidrólogos, haveria pouca dificuldade na adaptação a um tal aquecimento, se viesse a acontecer. Tal é, também, a conclusão do relatório recente do Conselho Nacional de Investigação (National Research Council) sobre adaptação às mudanças do clima. Muitos aspectos do cenário catastrófico já foram descartados pela comunidade científica. Por exemplo, o temor da elevação do nível do mar (ver aqui), presente em muitas das discussões iniciais sobre o aquecimento global, teve estimativas sucessivamente reduzidas em várias ordens de grandeza. Agora há acordo de que até mesmo a contribuição do aquecimento para a elevação do nível do mar seria secundária, face a outros fatores mais importantes.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Arma-se o bote para calar as redes sociais (3fev2012)

Ao acessar o texto que reproduzo abaixo (com grifos meus), atraído pelo título, pensei tratar-se da "junção" Veja / Folha / TV Cultura que está ocorrendo em São Paulo. Uma nova estratégia da política demotucana paulista (e nacional), que está em plena guerra contra o governo federal - vide os lamentáveis fatos ocorridos no bairro Pinheirinhos, em São José dos Campos, quando um juiz determinou que a polícia militar impedisse qualquer ação da polícia federal no evento -, no desespero de sua falta de discurso e de propostas. A proposta agora é a da violência explícita, buscando manchar com sangue o período de governo de Dilma Rousseff. Entretanto, o texto trata de outro risco imenso, que envolve a todos nós, participantes das redes sociais, com o estabelecimento, por fim, da censura na internet, sem qualquer necessidade de ações judiciais. Querem, as elites em todo o mundo, calar o povo. E os Estados Unidos avança na demolição de sua democracia, cantada em verso e prosa há tanto tempo. Agora o que se quer é impor a democracia nos moldes dos 1%, calando qualquer tentativa de insurgência ou mesmo de contra-argumentação. Calando, essa sim, a liberdade de expressão dos cidadãos do mundo.

Quanto à aliança VejaFolhaCultura, ela somente vai reforçar os trabalhos de lavagem cerebral a que o povo paulista vem sendo submetido pelos Frias, Civittas e Marinhos há décadas. Ou seja, agora haverá mais um canal de TV que será retirado do meu receptor, pois recuso-me a testemunhar a consumação do desmantelamento da TV Cultura. Triste! Já foi uma emissora de qualidade, mas isso em tempos longínquos.


Velha mídia alia-se à indústria do entretenimento contra a liberdade

Por Bruna Andrade* | No sítio Jornalismo B em 2 de fevereiro de 2012

Enquanto começamos o ano em meio a polêmicas envolvendo a liberdade de expressão na internet, através dos projetos de lei norte-americanos Stop Online Piracy Act (SOPA) e Protect IP Act (PIPA), que visam controlar o compartilhamento de arquivos protegidos por direitos autorais na web, três das principais revistas semanais do país começam o mês de fevereiro fazendo vista grossa para a pauta e trazendo em suas capas temas superficiais, como é o caso da Veja e da Istoé com: “O melhor professor do mundo” e “A ciência do otimismo”, respectivamente; ou simplesmente deslocados das principais pautas do ano, como traz a revista Época “Anatomia da corrupção”. Apenas a semanal Carta Capital estampou em sua capa o tema controverso, sob o título “A guerra da internet”.


O primeiro mês do ano foi marcado pela guerra envolvendo grupos políticos norte-americanos, que apresentaram os projetos de lei que limitariam a liberdade online, e alguns dos principais sites da internet, além de ativistas do grupo de hackers Anonymous. Em protesto, como resposta ao parlamento, no dia 18 de janeiro, vários sites saíram do ar, como fez o Wikipédia, ou usaram tarjas pretas em suas páginas, como o Google. E depois que os donos do Megaupload foram presos e o site bloqueado, no mundo inteiro, ativistas do Anonymous vêm promovendo a derrubada de sites governamentais, de empresas da indústria fonográfica e cinematográfica e, como aconteceu essa semana no Brasil, bancos.

Os motivos do aparente desinteresse da mídia hegemônica no assunto são claros: os principais interessados na aprovação da lei (indústrias fono e cinematográfica) são, há muito tempo, seus aliados econômicos e políticos. Mais que isso, em 2011 foi evidente o protagonismo da internet nos levantes populares que aconteceram pelo mundo, desde a Ásia até as Américas essa foi a ferramenta usada para organizar e unir os indignados com tudo que a mídia burguesa defende, além de ser cada vez mais forte como fonte alternativa de informação. Se aprovadas, as leis permitiriam o bloqueio de qualquer site que possua de forma não autorizada algum conteúdo protegido por direitos autorais, incluindo os sites hospedados fora da jurisdição dos Estados Unidos. Além disso, o conteúdo que for considerado ilegal não precisará ter sito postado pelo dono do site para que ele seja tirado do ar. Por exemplo, basta que um usuário do WordPress compartilhe um link que infrinja a lei para que todos os usuários tenham seus blogs apagados, sem a necessidade de uma ordem judicial. Assim, os principais sites de compartilhamento de conteúdo e, principalmente, informação correriam o risco de sair do ar já nos primeiros dias de vigência das leis. Elas não beneficiariam apenas a indústria de entretenimento, mas todos os interessados em tolher a liberdade de expressão na internet, e a imprensa dos patrões é, claramente, um deles.

A discussão vai muito além da questão dos direitos autorais, é a liberdade de circulação da cultura, da informação e do conhecimento que está em jogo. Há algum tempo a internet vem sendo a pedra no sapato das elites e essa é visivelmente uma tentativa de inibir seu uso como fonte de organização, resistência e contra-informação.

*Bruna Andrade é estudante de Ciências Sociais.