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Geólogo e professor aposentado, trabalho este espaço como se participasse da confecção de um imenso tapete persa. Cada blogueiro e cada sitiante vai fazendo o seu pedaço. A minha parte vai contando de mim e de como vejo as coisas. Quando me afasto para ver em perspectiva, aprendo mais de mim, com todas as partes juntas. Cada detalhe é parte de um todo que se reconstitui e se metamorfoseia a cada momento do fazer. Ver, rever, refletir, fazer, pensar, mudar, fazer diferente... Não necessariamente melhor, mas diferente, para refazer e rever e refletir e... Ninguém sabe para onde isso leva, mas sei que não estou parado e que não tenho medo de colaborar com umas quadrículas na tecedura desse multifacetado tapete de incontáveis parceiros tapeceiros mundo afora.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Equipe econômica de FHC diz que os gastos sociais são culpados pela crise mundial (26ago2011)

Because (John Lennon / Paul McCartney)
Ná Ozzetti


Por Fernando Brito

Ontem, a gente postou aqui uma matéria sobre o espanto revelado pelo professor Joseph Stiglitz com o fato de autores de políticas econômicas fracassarem continuarem por aí, pontificando sua “genialidade” e, como aves de agouro, prevendo uma catástrofe econômica que só poderia ser evitada com sacrifícios humanos. Exatamente por isso, chamamos essa turma de “adoradores da recessão”

Pois não é que ontem mesmo houve uma reunião deles no Instituto FHC, com presença do próprio, houve um encontro desta turma da “roda presa”, que invocou o espírito da crise europeia para dizer que as políticas sociais foram as responsáveis pela crise de endividamento que assola o continente.

Está lá no Estadão:
A crise internacional evidenciou o fato de que a política de bem estar social, adotada pelos países europeus e almejada pelo Brasil, chegou ao seu limite. O ônus de oferecer serviços de educação, saúde, transporte e segurança apostando em um Estado capaz de socializar perdas e acomodar conquistas é o elevado nível de endividamento público.
Socialização de perdas foi o que os governos dos países desenvolvidos fizeram ao emitir dívida para socorrer o sistema financeiro em 2008. Lá, na Europa, assim que eclodiu a crise, os governos colocaram nada menos que um trilhão de Euros à disposição do “bem-estar” do sistema bancário. A Espanha, que está agora com a corda no pescoço, só ela, disponibilizou 100 bilhões de Euros.

A cara de pau é tanta que criticam a política econômica brasileira por fazer, em escala muito menor, coisas que eles faziam sem pudor ou meias-medidas.

Primeiro, dizem que políticas sociais não permitem cortes orçamentários para reduzir a dívida pública. Fernando Henrique e esta turma chegaram ao governo com a dívida pública abaixo de 20% do PIB e, em oito anos, mesmo vendendo as estatais, conseguiram elevá-la para 58% do PIB. Hoje, com todas as políticas sociais “gastadeiras” que criticam, está abaixo dos 40% e, como todos viram ontem, a nota de risco sobre essa dívida é inclusive reduzida pelas agências internacionais.


A segunda crítica é que essas políticas não permitem que baixemos os juros reais de nossa economia. De fato, ninguém duvida que os juros estejam mais alto do que seria bom termos para produzirmos mais, mas vinda de onde vem, a crítica chega a soar irônica. Porque os juros durante todo o período em que comandaram a economia, foram muito mais altos que com Lula e com Dilma. Muito? Não, estratosfericamente mais altos, chegando até serem quatro vezes maiores que os mais altos já pagos entre 2003 e hoje. Quem quiser conferir, pode ver aqui uma tabela dos juros reais, nominais e inflação nos dois períodos.


Mas os mortos-vivos, que tiveram a faca e o queijo na mão para usar sua genialidade durante uma década, não conseguem ver sua imagem no espelho. E sua imagem está refletida com exatidão no gráfico aí de cima, que mostra que conduziram este país a passos de cágado, numa velocidade em que os nossos urgentes problemas sociais vão se resolver, talvez, lá pelo ano de 5820.

Claro, se essa gente que crê na genialidade divina do “mercado” não acabar com o mundo antes.

Extraído do sítio Projeto Nacional.  O primeiro gráfico foi trazido do sítio Tijolaço.

Aquífero descoberto no Norte seria o maior do mundo (26ago2011)

Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) divulgarão oficialmente na semana que vem a descoberta do que afirmam ser o maior aquífero do mundo. A imensa reserva subterrânea sob os Estados do Pará, Amazonas e Amapá tem o nome provisório de Aquífero Alter do Chão - em referência à cidade de mesmo nome, centro turístico perto de Santarém.

A notícia é de abril de 2010, mas, tanto como eu, muitas pessoas podem não ter visto essa notícia. Endel Dalat publicou o seu link no facebook e achei importante divulgar, num contexto em que todos estão mais e mais conscientes da importância da água como recurso natural fundamental para a vida humana e em que as políticas neoliberais vêm tramando a sua privatização. Cuibá é exemplo disso. Estamos DANDO nosso "ouro líquido" à iniciativa privada.


"Temos estudos pontuais e vários dados coletados ao longo de mais de 30 anos que nos permitem dizer que se trata da maior reserva de água doce subterrânea do planeta. É maior em espessura que o Aquífero Guarani, considerado pela comunidade científica o maior do mundo", assegura Milton Matta, geólogo da UFPA.

A capacidade do aquífero não foi estabelecida. Os dados preliminares indicam que ele possui uma área de 437,5 mil quilômetros quadrados e espessura média de 545 metros. "É menor em extensão, mas maior em espessura do que o Guarani."

Matta cita a porosidade da rocha em que a água está depositada como um dos indícios do potencial do reservatório. "A rocha é muito porosa, o que indica grande capacidade de reserva de água. Além do mais, a permeabilidade - a conexão entre os poros da rocha - também é grande."

Segundo ele, apesar de as dimensões da reserva não terem sido mapeadas, sai do aquífero a água que abastece 100% de Santarém e quase toda Manaus. "A vazão dos poços perfurados na região do aquífero é outro indício de que sua reserva é muito grande", afirma Matta.

Para o geólogo Ricardo Hirata, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, a comparação com o Guarani é interessante como referência, mas complicada. "O Guarani é um aquífero extremamente importante para o Brasil e para a América Latina, mas não é o maior do mundo. Há pelo menos um aquífero, na Austrália, que é maior que o Guarani", contesta.

Fonte: Agência Estado

Pela retomada das terras da União invadidas pela Cutrale (26ago2011)

24 de agosto de 2011
Da Página do MST

MST promove campanha pela retomada das áreas da Cutrale e lança três documentos de abaixo-assinado para ser enviado às autoridades envolvidas no caso por e-mail.
O Movimento luta pela retomada das terras griladas no município de Iaras, na região de Bauru, no interior de São Paulo, desde 1995. Dois anos atrás, foi realizado um protesto na área usurpada pela empresa Cutrale. Na época da ocupação, o clima estava contaminado pela disputa eleitoral, além do poder de uma empresa vinculada à Coca-Cola.

A ocupação do MST foi satanizada por todos os meios de comunicação, que esconderam o principal: a área ocupada pertence à União e a Cutrale é uma empresa que utiliza do antigo procedimento da grilagem para sustentar um império do suco de laranja.

Baixe documento do Incra sobre a origem da fazenda invadida pela Cutrale

Leia dossiê sobre os crimes cometidos pela Cutrale

A empresa do ramo do suco de laranja industrial comprou a fazenda de um grileiro e instalou uma plantação de laranjas. Em negociação com o Incra, admitiu que a origem da fazenda é irregular e prometeu repassar uma outra área para o assentamento das famílias. No entanto, rompeu o acordo.

Nesta semana, famílias de trabalhadores Sem Terra voltaram a ocupar a área para denunciar a paralisia da Reforma Agrária e pressionar a Cutrale, o governo federal e o Poder Judiciário para a retomada da área.

O Incra move uma ação na Justiça federal contra a Cutrale e pede a devolução da área. No entanto, a Justiça não é tão célere para determinar a retomada de uma fazenda sob controle de uma grande empresa quanto para dar ordem de despejo a trabalhadores Sem Terra. Por isso, a ação do Incra está engavetada.

Não fosse apenas o uso ilegal das terras, a Cutrale usa em larga escala, sem o devido controle, toda espécie de venenos, pesticidas e agrotóxicos, causando poluição das águas, rios, e especialmente poluindo o lençol freático que abastece o Aqüífero Guarani.

Contamos com o seu apoio! Participe!

Abaixo, faça o download de cada um dos abaixo-assinado e envie para o endereço indicado.

Ao presidente do Tribunal de Justiça Federal de São Paulo

Ao Ministério Público Estadual

À direção da CETESB

Grileiro da Cutrale e laranjas da mídia (26ago2011)

Por Altamiro Borges


A mídia ruralista voltou a babar seu ódio contra o MST, que ontem ocupou novamente as terras griladas pela empresa Cutrale em Iaras, no interior de São Paulo. Na TV, âncoras e comentaristas criticaram a “invasão” e repetiram as cenas da destruição dos pés de laranja... em setembro de 2009. Apesar do Incra reafirmar que a área pertence a União, a mídia insiste em satanizar os sem-terra.

A ocupação da Cutrale faz parte da jornada de luta pela reforma agrária – que inclui um acampamento de 4 mil pessoas em Brasília e várias ações nos estados. A mídia nada fala das reivindicações do MST ou da absurda concentração fundiária no país. Prefere defender a “vítima” Cutrale – neste sentido, a ocupação serviu para noticiar, mesmo que de forma pejorativa, a luta pela reforma agrária.

A omissão criminosa


Nos momentos de confronto, a mídia hegemônica sempre toma partido. Ela fica ao lado dos poderosos, neste caso os barões do agronegócio, contra os trabalhadores. Ela até chega a ocultar denúncias que fez em períodos de maior calmaria. O caso da Cutrale é emblemático. As redações da imprensa conhecem bem as irregularidades desta empresa, mas preferem o silêncio criminoso.

Em maio de 2003, por exemplo, a revista Veja – talvez em mais uma ação mercenária - fez uma longa reportagem sobre a Cutrale. Ela revelou que a empresa é uma das mais ricas do mundo e que construiu o seu império de maneira predatória e ilegal. “O brasileiro José Luís Cutrale e sua família detêm 30% do mercado global de suco de laranja, quase a mesma participação da Opep no petróleo”.

Exploração, sonegação e remessa ilegal

Ainda segundo a revista, “o principal segredo do negócio consiste em adquirir a fruta a preço baixo – a preço de banana, brincam os fornecedores –, esmagá-lo pelo menor custo possível e vender o suco a um valor elevado”. Em 2001, o governo FHC chegou a investigar a altíssima lucratividade da Cutrale (nos anos 1980, ela teve taxas de retorno na ordem de 70%, um fenômeno raro).

“Uma autoridade da Receita Federal relatou a Veja que a estratégica para elevar a lucratividade do grupo passa por contabilizar parte dos resultados por intermédio de uma empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. Com isso, informa a autoridade da Receita, a Cutrale conseguiria pagar menos impostos no Brasil”.

“Agressividade gerencial”

Em síntese, a revista Veja criticou a “agressividade gerencial da família Cutrale”, que já virou “uma lenda no interior paulista. Os plantadores de laranja no Brasil têm poucas opções para escoar a produção. Há apenas cinco grandes compradores da fruta e Cutrale é o maior deles. Por essa razão, acabam mantendo com o rei da laranja uma relação que mistura temor e dependência”.

“Por um lado, eles precisam que ele compre a produção. Por outro, assustam-se com alguns métodos adotados pela Cutrale para convencê-los a negociar as laranjas por um preço mais baixo”. Vários produtores relataram à revista a brutal pressão para baixar preços ou mesmo para adquirir suas fazendas, inclusive com sobrevôos ameaçadores de helicóptero e outros métodos terroristas.

Uma coleção de processos na Justiça

A bombástica reportagem simplesmente foi arquivada, assim como também foram esquecidos os inúmeros processos na Justiça contra a Cutrale por desrespeito aos direitos trabalhistas, crimes ambientais e pressão contra os lavradores. Somente de 1994 a 2003, a empresa foi alvo de cinco ações no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel.

Para criminalizar a jornada nacional de luta pela reforma agrária, a mídia omite os crimes da Cutrale. A empresa vira uma santa; o MST é o demônio. A mídia “privada” sequer esclarece que as terras em Iaras não pertencem legalmente à Cutrale. Elas compõem o lote do Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares pertencentes à União. Ou seja, elas foram griladas – roubadas!

Laranjas ou vendidos da mídia

Em 2007, a Justiça Federal cedeu a totalidade do imóvel ao Incra. Mas a empresa permanece na área com base em ações judiciais protelatórias. Desde que grilou as terras e passou a monopolizar a produção, milhares de pequenos e médios agricultores foram à falência e 280 mil hectares de pés de laranja foram destruídos. Mas a mídia só repete as cenas do trator em setembro de 2009.

Diante da riquíssima família Cutrale, com uma fortuna avaliada em US$ 5 bilhões, os colunistas da mídia são realmente laranjas! Já alguns pegam "carona" e se vendem!

Origem: Blog do Miro (de Altamiro Borges) e sítio Escrevinhador (de Rodrigo Vianna)

Governo volta atrás em sua proposta (26ago2011)

Atitude gerou revolta e indignação nos representantes dos docentes presentes na reunião

Por Renata Maffezoli
25/08/2011

Dirigentes do ANDES-SN e do Proifes se reuniram na tarde desta quinta-feira (25) com o governo, para ouvir do secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento (MP), Duvanier Paiva, que ambas as entidades entenderam errado a proposta limite do governo. A fala do representante do MP causou revolta e indignação entre os presentes.


A manifestação de Duvanier a respeito da aplicação de 4% sobre a remuneração total dos professores veio após a presidente do ANDES-SN, Marina Barbosa, informar que os docentes haviam tomado conhecimento do documento encaminhado, na terça-feira (23), pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC) à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), no qual a Sesu informava que a proposta do governo compreendia a aplicação dos 4% sobre o vencimento básico (VB), com a incorporação da gratificação. O texto difere do acordado na mesa, de que a o percentual incidiria sobre o total da remuneração dos docentes, ou seja, o VB (com a incorporação da Gemas ou Gedbt), mais a Retribuição por Titulação (RT), isto é, sobre todas as colunas da composição remuneratória.

Marina disse que entrou em contato com o Secretário da Sesu, Luiz Claudio Costa, o qual admitiu o erro no documento do MEC e ratificou que a proposta apresentada na mesa pelo governo, no dia 19/8, se aplicava a renumeração total dos professores. Os dirigentes do Proifes informaram que também tiveram ciência do documento e que, ao questionarem Costa a respeito, obtiveram a mesma resposta que o ANDES-SN.

Os dirigentes questionaram se Paiva estava sugerindo que inclusive o representante do MEC havia compreendido a proposta de forma equivocada. A princípio, Paiva foi evasivo, mas pressionado pelos presentes se exaltou e respondeu que, caso os professores desejassem, poderia solicitar a decupagem das gravações das reuniões; o que foi aceito, e ele recuou.


Ainda assim, Marina disse que seria possível ter um encaminhamento sem ser necessário esperar a gravação, uma vez que todos ali presentes tinham clareza do que foi posto na última reunião (19/8), uma vez que as duas entidades e o MEC tiveram o mesmo entendimento da questão. Ela afirmou que nesse momento era um problema do governo ter orçamento ou não para cumprir com o assumido na mesa. “Se a proposta do jeito que estava já era considerada insuficiente pela categoria, agora fica impossível assinarmos qualquer coisa”, ressaltou.

Os dirigentes afirmaram que a postura do governo colocava em risco a credibilidade das negociações, uma vez que as deliberações das assembleias foram tiradas em cima do discutido na reunião de sexta-feira (19). Eles exigiram que o secretário de Recursos Humanos desse uma resposta imediata à questão.

Apesar dos protestos das entidades, que cobraram um retorno até o final do dia, Paiva disse que não teria como conseguir contato com os outros setores do governo em tempo de dar um retorno aos docentes nesta quinta-feira. Uma nova reunião foi marcada para sexta-feira, às 14 horas.

Na saída do encontro, Marina Barbosa deu informe aos representantes do Setor das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) do ANDES-SN, que fizeram vigília em frente ao prédio do Ministério do Planejamento.


Os representantes do Setor das Ifes estão reunidos no momento para avaliar os últimos acontecimentos e definir os próximos rumos do movimento.

Fonte: ANDES-SN


Governador comemora aval para implantação do VLT em Cuiabá e VG (26ago2011)

Cuiabá / Várzea Grande, 25/08/2011

Após sua participação na Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Educação, realizada na manhã desta quinta-feira (25.08), no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá, o governador Silval Barbosa fez um breve balanço sobre os avanços obtidos durante as reuniões realizadas em Brasília (DF) nessa quarta-feira (24.08).

“Os resultados foram extremamente positivos. Conseguimos avanços na questão da garantia de recursos para a execução das obras de Passagem Urbana, que estavam paradas. Após a reunião, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, autorizou a liberação de R$ 180 milhões dos R$ 350 milhões previstos para essa área. Além disso, conquistamos a autorização da presidenta Dilma Rousseff e da ministra do Planejamento para encaminharmos à Caixa Econômica Federal o projeto de implantação do VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) em Cuiabá e Várzea Grande”, afirmou.

O governador justificou porque o VLT é o modal que o Governo do Estado quer implantar. “Queremos um modelo de transporte que permita o crescimento da Capital e dê possibilidade de atender às demandas da população a longo prazo. Ao colocarmos o BRT na cidade já estaríamos optando por um modelo engessado”, afirmou.

Questionado sobre a ampliação do Aeroporto Marchal Rondon, o governador afirmou que em setembro receberá o projeto de reformas no terminal para dar início ao processo de licitação das obras.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Rapinagem: invasores bárbaros iniciam a contenda pelo butim líbio (25ago2011)

A farsa está se completando, com a OTAN e os Estados Unidos promovendo um golpe de Estado na Líbia. Na matéria que trago abaixo, fala-se em interesses pelo petróleo e pela água. Mas continuo acreditando que, apesar do alto valor desses dois bens naturais, a questão principal envolvida é a autonomia líbia, com Gaddhafi, em relação aos bancos centrais europeu, inglês e norte-americano.

O líder líbio tentava promover a criação de uma moeda africana com lastro nas reservas de ouro da Líbia. Não seria um banco central privado, como o norte-americano ou outros.

O dolar, como já sabemos, não tem lastro. É papel pintado de verde que pode a qualquer momento vir a ser exatamente isso e só isso. O obstáculo que o sistema financeiro internacional usa é o arsenal bélico. Além do mais, guerras dão lucros imensos aos bancos centrais e ao sistema financeiro em geral.

Quem paga por tudo isso são os imbecis dos cidadãos, que, acuados pelo pensamento único do capitalismo, vão perdendo os anéis e já lá se vão os dedos.

Palmas para o capital pelas mortes, destruições e eliminação da soberania de povos tão tradicionais como os iraquianos, os afegãos, os líbios... Ah! Tem também os palestinos, esquecidos pelo mundo e deixados entregues à ferocidade dos fundamentalistas e do governo conservador de Israel.

Fora isso, no mais o mundo vai bem... Só resta saber se tem alguma coisa "fora isso".


Do sítio Opera Mundi.

Após ofensiva militar da OTAN, começa a corrida pelas riquezas da Líbia

A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) mantém seus ataques à Líbia com o objetivo de derrotar as tropas leais ao líder Muamar Kadafi e liberar o caminho para que os rebeldes assumam o país. Embora os motivos oficiais sejam estes, quem critica a ofensiva das tropas ocidentais afirma que os verdadeiros interesses dos países que formam a OTAN -- principalmente Estados Unidos, França, Canadá, Itália e Reino Unido -- estão ligados aos recursos naturais líbios, em especial o petróleo.

"O petróleo é responsável por mais de 70% da economia líbia. Esta é a grande riqueza. E esse petróleo chamou a atenção desses países", afirmou Lejeune Mirhan, sociólogo e especialista em mundo árabe. De acordo com despacho norte-americano revelado pelo Wikileaks nesta terça-feira (24/08), as riquezas energéticas líbias -- petróleo e gás -- correspondem a 95% da economia do país africano.

O destino do petróleo líbio: Itália (38%), Alemanha (19%), Espanha (8%), EUA (7%) e França (6%)

O petróleo é hoje o principal recurso natural do país, responsável pela exportação diária de 1,525 milhões de barris. Com os números, a Líbia fica a frente, por exemplo, do Iraque, que exporta pouco mais de 1,4 milhão barris/dia.

O sociólogo destaca ainda que, apesar dos ataques da OTAN, a Líbia possuía recentemente uma estreita relação com os países ocidentais. O volume de petróleo exportado ajuda a entender melhor a questão. "Kadafi se aproximou do Ocidente nos últimos 10 anos. Ele era o 'queridinho' dos EUA e da Europa. A situação apenas atesta uma lição histórica: o imperialismo não perdoa", completou Mirhan.

EUA e Líbia reataram relações diplomáticas em 2006, após o governo de George W. Bush retirar o país de Kadafi da lista dos que patrocinam o terrorismo. Na ocasião, a Líbia se comprometeu a não desenvolver seu programa nuclear e assumiu a responsabilidade pelo atentado contra o avião da companhia norte-americana Pan Am, em 1988, sobre a cidade escocesa de Lockerbie.

Paulo Boggiani, professor do Instituto de Geociências da USP (Universidade de São Paulo) também destaca a boa relação entre a Líbia e alguns países ocidentais, que compõem a OTAN. "Enquanto Kadafi garantia o petróleo, ninguém mexia com ele. As relações eram boas", pontuou. "Agora, no entanto, a situação mudou. Os países de primeiro mundo vão querer controlar o petróleo líbio. A lógica internacional é manter a produção do país", completou.

Dependência

As declarações do sociólogo podem ser embasadas por meio de números que revelam a quantidade de petróleo importado por alguns países membros da OTAN. Entre os que não produzem petróleo, a Alemanha importa mais de 2,5 milhões de barris por dia. A França também ultrapassa a quantidade diária de 2 milhões de barris, enquanto a Itália chega a 1,8 milhões.

Já os EUA, responsável pelo ataques mais agressivos da ofensiva que toma conta da Líbia, consomem diariamente pouco menos de 20 milhões de barris de petróleo. O país, porém, produz apenas 37,42% desse total, segundo Mirhan.

Recursos hídricos

Outro recurso natural líbio que chama a atenção dos principais países ocidentais são as reservas de água subterrânea. Juntamente com Egito, Chade e Sudão, parte da Líbia está localizada sobre o Sistema Aquífero Arenito da Núbia.

Mapa ilustra as principais reservas de água na Europa, África e Ásia

Trata-se da maior reserva de água subterrânea do mundo. Estimativas garantem que a reserva possui 150 mil km³ de água. A Líbia passou a utilizar essa fonte de água com maior intensidade a partir de 1983, também para irrigar a agricultura do país.

Os países membros da OTAN, que participam da ofensiva na Líbia, sustentam a posição de apenas deixar o país quando Kadafi for preso. No entanto, os reais interesses da investida ocidental sobre o país não parece mesmo ser apenas de ordem política.

"O país foi destruído. Na África, era a nação com maior índice de saneamento, investimentos em saúde. Mas a Líbia foi destruída tal qual o Iraque. Quem toma conta do país atualmente são as petrolíferas internacionais. Está em curso na África uma disputa pelo continente. Até mesmo a China investe no continente. Se trata de uma nova partilha da África entre as potências", concluiu Mirhan.

Cientistas anunciam rio subterrâneo de 6 mil km embaixo do Rio Amazonas (25ago2011)

Postagem de hoje do sítio de Luis Nassif.

Batizado de Hamza em homenagem a um dos pesquisadores que participaram do estudo, rio corre a 4 mil metros de profundidade em meio a sedimentos; descoberta foi possível graças a dados de 241 poços perfurados pela Petrobrás nas décadas de 1970 e 1980

Por Alexandre Gonçalves

Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros de extensão que corre embaixo do Rio Amazonas a uma profundidade de 4 mil metros. Os dois cursos d"água têm o mesmo sentido de fluxo - de oeste para leste -, mas se comportam de forma diferente.

A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobrás nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo.

Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica - costumam produzir sutis variações de temperatura.

Com a informação térmica fornecida pela Petrobrás, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.

O dados do doutorado de Elizabeth, sob orientação de Hamza, foram apresentados na semana passada no 12.º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio.

Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de Rio Hamza.

Características

A vazão média do Rio Amazonas é estimada em 133 mil metros cúbicos de água por segundo (m3/s). O fluxo subterrâneo contém apenas 2% desse volume com uma vazão de 3 mil m3/s - maior que a do Rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas, de 2,7 mil m3/s. Para se ter uma ideia da força do Hamza, quando a calha do Rio Tietê, em São Paulo, está cheia, a vazão alcança pouco mais de 1 mil m3/s.

As diferenças entre o Amazonas e o Hamza também são significativas quando se compara a largura e a velocidade do curso d"água dos dois rios. Enquanto as margens do Amazonas distam de 1 a 100 quilômetros, a largura do rio subterrâneo varia de 200 a 400 quilômetros. Por outro lado, a s águas do Amazonas correm de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo do local. Embaixo da terra, a velocidade é muito menor: de 10 a 100 metros por ano (mais informações nesta página).

Há uma explicação simples para a lentidão subterrânea. Na superfície, a água movimenta-se sobre a calha do rio, como um líquido que escorre sobre a superfície. Nas profundezas, não há um túnel por onde a água possa correr. Ela vence pouco a pouco a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar.

Temperatura

Hamza e Elizabeth apontam a existência do que os pesquisadores chamam de "dois grandes sistemas de descargas de fluidos na Amazônia": o Rio Amazonas, com seus 6.100 km de extensão, e o fluxo oculto das águas subterrâneas.

Segundo os dados apresentados por Elizabeth, o fluxo subterrâneo é praticamente vertical - de cima para baixo - nos primeiros 2 mil metros. Depois, nas camadas mais profundas, muda de direção, tornando-se quase horizontal. Depois de atravessar as bacias do Solimões, Amazonas e Marajó, o rio alcança o fundo do mar, perto da foz do Amazonas.

Hamza argumenta que as descargas do fluxo subterrâneo de água doce poderiam explicar os bolsões de baixa salinidade comuns no litoral da região.

O geólogo Olivar Lima, da Universidade Federal da Bahia, assistiu à apresentação do trabalho e, na ocasião, mostrou aos autores mais dados, obtidos em outros poços perfurados pela Petrobrás na foz do Amazonas, que confirmam as conclusões do estudo. Porém, acha um exagero classificar a descoberta como um rio.

"Os resultados são muito bons", afirma Lima. "Só não acho correto propor a existência de um rio subterrâneo." Ele argumenta que os dados permitem afirmar a existência de um imenso fluxo de água através das formações permeáveis da Bacia Amazônica. Mas a velocidade seria muito baixa para justificar a categoria de rio.

Contudo, se por um lado a velocidade não se compara à de um rio convencional, o volume de água assume ordens de grandeza que tornariam compreensível tal comparação, reconhece o pesquisador.

A descoberta, por enquanto, não mudará a vida das populações que habitam a Bacia Amazônica. Como o rio está a uma profundidade muito grande e há muita água doce na superfície, não seria economicamente razoável perfurar a terra para acessar o curso d"água. O estudo pode ajudar, no entanto, a prospecção de petróleo.

Para lembrar:

Há dois anos, cientistas italianos descobriram um rio subterrâneo que corre embaixo de Roma, mais extenso que o Tibre - o terceiro maior da Itália, com 392 quilômetros. Assim como o brasileiro, o rio subterrâneo italiano foi encontrado graças a dados de perfuração de poços.

No Brasil, outra reserva de água subterrânea é o Aquífero Guarani, com 45 milhões de litros. A maior parte fica no Brasil, mas ele também se estende no Paraguai, Uruguai e Argentina.

Fonte: O Estado de S. Paulo