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Geólogo e professor aposentado, trabalho este espaço como se participasse da confecção de um imenso tapete persa. Cada blogueiro e cada sitiante vai fazendo o seu pedaço. A minha parte vai contando de mim e de como vejo as coisas. Quando me afasto para ver em perspectiva, aprendo mais de mim, com todas as partes juntas. Cada detalhe é parte de um todo que se reconstitui e se metamorfoseia a cada momento do fazer. Ver, rever, refletir, fazer, pensar, mudar, fazer diferente... Não necessariamente melhor, mas diferente, para refazer e rever e refletir e... Ninguém sabe para onde isso leva, mas sei que não estou parado e que não tenho medo de colaborar com umas quadrículas na tecedura desse multifacetado tapete de incontáveis parceiros tapeceiros mundo afora.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Urubu flamenguista fantasiado de tucano (7out2011)

Publicação do sítio Carta Capital de 5 de outubro de 2011.

Uma vez tucana, nem sempre tucana

Por Sergio Lirio


Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, troca o PSDB pelo PMDB. Quem diria, até a camisa do clube ela mudou por causa do ex-partido. Foto: Fabio Motta/AE

O imã da base governista é mesmo poderoso. Nem a presidente do Clube de Regatas Flamengo, Patrícia Amorim, apaixonada tucana carioca resistiu. Antes do fim da janela de troca partidária, que se encerra na sexta-feira 7, Patrícia Amorim deixou o PSDB e filiou-se ao PMDB do vice-presidente Michel Temer e do governador do Rio, Sergio Cabral.

Quem não se lembra da força que Patrícia Amorim tentou dar a José Serra e ao PSDB nas eleições presidenciais do ano passado? Obrigou até o Flamengo, time de maior torcida do Brasil ao lado do Corinthians, a entrar em campo no Brasileirão com um inexplicável uniforme azul e amarelo, no lugar do tradicional vermelho e preto, com a desculpa que eram as primeiras cores utilizadas pelo remo do clube.

Nada como uma eleição após a outra.

Observação: aviso que não sou flamenguista, mas não tenho a menor intenção de sacanear nenhum flamenguista. Tenho flamenguistas entre os meus melhores amigos. Logo, só estou mostrando como uma personalidade pode tentar utilizar a paixão de muitos com interesses muito particulares e, pior, facilmente mutáveis. Somente isso. Não é segredo para ninguém que sou anti-PSDB.  Aquiles.

O SUS é uma conquista social que contraria a "conveniente" visão de saúde = mercadoria (7out2011)

Trechos da entrevista do médico sanitarista Paulo Gadelha, presidente da FIOCRUZ, concedida à Carta Maior. Gadelha é doutor em Saúde Pública, tendo sido eleito pelos funcionários da FIOCRUZ para assumir a presidência da instituição em 2008.

Publicada hoje no blog Com Texto Livre (veja aqui na íntegra):

Subfinanciamento do SUS começou com ‘garfada’ de 1994





Este médico sanistarista envolveu-se profundamente durante a elaboração da Constituição de 1988, articulando a criação do Sistema Único de Saúde, projeto de um movimento suprapartidário.



"...o fim da CPMF representou uma fenda num momento muito importante. Àquela época, nós tínhamos um projeto estruturado, o 'Mais Saúde', tradução do Programa de Aceleração do Desenvolvimento (PAC) na Saúde. O ministério contaria com os recursos ordinários e com dinheiro suplementar, da CPMF. Toda a programação foi implodida, com o fim da contribuição. Uma série de metas e avanços que a Saúde que se estava desenhando ficou frustrada. Aquela perda foi extremamente danosa."
"...Quando foi promulgada a Constituição de 1988, estava previsto que 30% do Orçamento da Seguridade Social [exceto o FAT] iria para a Saúde. Isso caiu em 1994.

Bolívia em conflito. Que tipo de desenvolvimento? E para quem? (7out2011)

Publicado em 2 de outubro de 2011 no sítio Outras Palavras.

Evo no espelho


Indígenas e trabalhadores que ajudaram a eleger Evo Morales em 2006 agora protestam contra o presidente para que o governo cumpra a Constituição e não ceda às pressões do desenvolvimentismo

Por Tadeu Breda
@tadeubreda

Na semana passada, o presidente boliviano, Evo Morales, meteu-se numa situação delicada. Sua popularidade, que já estava bastante comprometida (37%) desde que o governo tentou aumentar o preço da gasolina, em janeiro passado, caiu ainda mais. Porém, mais que meros números numa pesquisa de opinião, a nova encruzilhada política pode, num futuro não muito distante, inviabilizar sua administração e descredenciá-lo como legítimo representante dos anseios populares no país.

A crise atual é eminentemente política, um choque de concepções divergentes sobre o desenvolvimento, e seu aspecto visível é a construção de uma rodovia. Em 2009, enquanto fazia campanha pela reeleição, Evo Morales recebeu o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em Villa Tunari, cidade localizada no Departamento de Cochabamba. Ali, anunciaram a construção de uma estrada de grande importância para a integração da Bolívia. Ela ligaria a própria Villa Tunari, então colorida pela cúpula presidencial, a San Ignacio de Moxos, pouco mais de 300 quilômetros ao norte, no vizinho Departamento de Beni. Por que Lula estava lá? Porque o Brasil, através do BNDES, seria o financiador do projeto, orçado em 332 milhões de dólares.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O outono norte-americano: acampamentos nos EUA (6out2011)

Publicado no sítio Brasil de Fato em 4 de outubro de 2011.

Manifestantes continuam em Wall Street

A mobilização ganhou apoio de movimentos em diversas outras cidades dos EUA e até do Canadá



Da redação

Centenas de manifestantes que protestam contra os bancos e a crise econômica continuam pela terceira semana em Wall Street, apesar dos episódios de repressão protagonizados da polícia de Nova York no final de semana.

No domingo (02), mais de 700 pessoas que participavam de uma marcha foram presas. Os manifestantes cruzavam a Ponte do Brooklyn quando foram detidos pela polícia, que alegou que a manifestação não tinha autorização para ocorrer.

Um porta-voz do movimento, no entanto, afirmou à imprensa que "desde que caminhemos pela calçada e de maneira ordeira, é completamente legal". Entretanto, a polícia informou que muitos não obedeceram às ordens de permanecer na calçada e foram presos.

John Hildebrand, um jovem de 24 anos de Norman, Oklahoma, disse que chegou a Nova York no sábado, vindo de avião, e afirmou que é professor desempregado. "Minha revolta é com a influência corporativa sobre a política", ele disse.

"Eu gostaria de eliminar o financiamento corporativo das campanhas políticas". Ele disse voltará para Oklahoma, onde pretende começar um protesto parecido. Um manifestante, William Stack, disse que enviou um e-mail à Prefeitura de Nova York pedindo que todas as acusações contra os detidos sejam retiradas.


Caminho para enfrentar crise é político, e não técnico (6out2011)

Publicado no sítio Carta Maior em 4 de outubro de 2011.

Quando a política vira coisa “técnica”

Desconfie daqueles que tentam lhe convencer da existência de medidas puramente técnicas em administrações públicas. Geralmente buscam encobrir o essencial: a ação governamental tem sempre ganhadores e perdedores. É sempre política.
Por Gilberto Maringoni


A virtual quebra da economia grega representa o grau máximo de submissão de uma autoridade pública aos ditames do mercado. Ou seja, ao mundo privado. Embora as relações de troca se deem na esfera pública, suas regras, dinâmicas e procedimentos acontecem a partir daquela pequena mas poderosa parcela da sociedade que concentra capital e, por conseguinte, poder.

O governo grego, capitaneado por um partido que tem a denominação de “socialista” – o que hoje não significa muita coisa – resolveu tomar lado no dilema colocado à sua frente. Se suspendesse os pagamentos do serviço de sua dívida pública, estaria ameaçado de sofrer uma retaliação brutal por parte dos bancos credores – em sua maior parte europeus – e de ser tratado como um pária no sistema financeiro internacional. Uma espécie de leproso da Idade Média, de quem nada ou ninguém quer se aproximar e muito menos oferecer linhas de crédito.

Uma escolha soberana desse tipo teria também efeitos devastadores para a economia europeia. Uma moratória ou default por parte do país, além de arrastar bancos franceses e alemães, contaminaria toda a zona do euro (na dupla acepção do termo) e poderia dizimar a credibilidade da moeda única, dizimando economias maiores que enfrentam problemas fiscais de difícil solução.


O governo grego tomou a não decisão:

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Hoje é o meu Dia das Mães (5out2011)


1935

Se fosse viva, minha mãe completaria hoje 95 anos.

1936

Nunca me esqueço da "minha casa", com minha mãe elaborando cotidianamente uma mescla de cheiros e sabores em sua cozinha, em seu jardim e horta, com seu carinho e cuidados para com os filhos, e muito para mim, que era o seu caçula temporão.

Assinantes de TV pagam para ver propagandas (5out2011)

Esse é um tema que me tem produzido incômodos desde há algum tempo. Sou assinante de TV e o sou porque queria fugir da mesmice e das muitas bobagens que a TV aberta vive enfiando por nossa goela abaixo.

Na década de 1990, quando pela primeira vez contratei TV a cabo, em Campinas (durante o meu mestrado), os canais não apresentavam propagandas comerciais, e tinham intervalos curtos com divulgação de sua própria programação. Beleza, eu estava livre do bombardeio dos omos, bombris, cremes faciais, desinfetantes, absorventes, supermercados, etc. Achava justo: eu estava pagando pela TV, e portanto ela não dependia de patrocinadores para sua programação. Essa programação tinha que se sustentar na sua qualidade para manter o assinante.

Hoje acontecem coisas no mínimo esquisitas. Primeiro os fornecedores de canais por assinatura nos dão "brindes" que em geral não nos interessam. Pelo menos a mim, não. Canção Nova, Igreja Universal, canais rurais, "entertainments", e por aí vai.

Entendo que deveria haver como que um cardápio de canais, onde cada um deles teria um custo específico - nada de "brindes" -, onde eu poderia escolher a minha "cesta" de canais, pagando somente por eles. Brindes não existem. São uma falácia. A mesma daquelas propagandas que dizem "e tem mais, se você ligar nos próximos cinco minutos, receberá inteiramente grátis isto, isso e mais aquilo". Ora, faça-me o favor! Propaganda enganosa, para dizer o mínimo. Além de considerar que o espectador é um trouxa abobalhado.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sobre Toni, aluno africano da UFMT, e a sua morte num país "não racista" (4out2011)

Hoje tive oportunidade de ler o artigo de meu amigo João Negrão, jornalista e amigo também do Toni. Não conheci o Toni. Entretanto, tivemos alunos africanos no curso de Geologia (estudantes de convênio internacional) e a memória que tenho de todos eles é a da doçura e cordialidade. Jovens gentis, com diferentes graus de aproveitamento no curso, mas sempre o mesmo grau de civilidade. Não tenho porque acreditar que o Toni fosse diferente deles.

As duas mortes do Toni

Postagem do sítio de Conceição Tavares, do dia 26 de setembro de 2011.

Por João Negrão, especial para o Maria Frô

Quarta-feira, 21 de setembro de 2011, 19 horas, em Jackson, capital do estado da Geórgia, Estados Unidos, Troy Davis, um negro de 42 anos, recebeu a dose letal que o levaria à morte. Condenado por assassinato, Troy Davis deitou-se na maca para receber as injeções repetindo a mesma frase de 22 anos antes, quando foi preso e condenado: “Sou inocente”.

Quinta-feira, 22 de setembro de 2011, por volta das 23 horas, em Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, Brasil, Tony Bernardo da Silva, um negro de 27 anos, africano de Guiné-Bissau, estudante de Economia da Universidade Federal, recebeu um pontapé na traquéia e morreu. O golpe culmina uma sessão de socos e pontapés desferidos por dois policiais e um empresário que duraria em torno de 15 minutos.

Impossível não traçar um paralelo entre as duas mortes.

A primeira foi uma condenação legal, nos moldes da justiça norte-americana, que todos conhecemos, empenhada a condenar negros, ainda que, como é o caso de Troy, haja evidências de inocência. Inclusive depoimento de outro preso assumindo a autoria do crime atribuído a ele. Em vão: Troy não recebeu perdão, não teve a clemência do governador da Geórgia e muito menos direito a recurso na Suprema Corte, dado às evidências de sua inocência.

Difícil não imaginar que se trata de mais um caso de racismo como os que pontuam a crueldade do sistema jurídico e a sociedade racista dos Estados Unidos, especialmente nos estados sulistas como a Geórgia.

Como é difícil não suspeitar que o caso do Toni foi uma expressão pura e cabal de racismo.