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Geólogo e professor aposentado, trabalho este espaço como se participasse da confecção de um imenso tapete persa. Cada blogueiro e cada sitiante vai fazendo o seu pedaço. A minha parte vai contando de mim e de como vejo as coisas. Quando me afasto para ver em perspectiva, aprendo mais de mim, com todas as partes juntas. Cada detalhe é parte de um todo que se reconstitui e se metamorfoseia a cada momento do fazer. Ver, rever, refletir, fazer, pensar, mudar, fazer diferente... Não necessariamente melhor, mas diferente, para refazer e rever e refletir e... Ninguém sabe para onde isso leva, mas sei que não estou parado e que não tenho medo de colaborar com umas quadrículas na tecedura desse multifacetado tapete de incontáveis parceiros tapeceiros mundo afora.

domingo, 10 de novembro de 2013

Grupo Folha-UOL sob suspeita no esquema de corrupção dos auditores de SP
(10nov2013)

Por Renato Rovai no Blog do Rovai (Revista Forum)


Há um constrangimento entre repórteres e editores no grupo Folha-Uol com relação à cobertura que está sendo realizada por essas redações no caso do esquema da quadrilha formada por auditores da Prefeitura de São Paulo que pode ter desviado mais de 500 milhões de reais dos cofres públicos.

Desde ontem este blogue conversou com quatro jornalistas dessas redações e todos, com um ou outro detalhe diferente, confirmam a tese que me foi levantada por um deles. De que este é um “caso do Otávio Frias”. E de que ele teria dado a seguinte ordem: “não importa o que aconteceu antes, importa saber a corrupção nesta gestão”.

Três deles confirmam que há gente trabalhando para que a cabeça de ao menos de um petista seja cortada do governo antes do final do ano. Um disse que acha que há equívocos na cobertura, mas que considera isso parte “da teoria da conspiração”.

O fato é que hoje o jornal Folha de S. Paulo traz como manchete de hoje a seguinte frase: “Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação”. Quem é o prefeito de São Paulo? Haddad, claro. Kassab é ex-prefeito. E Kassab tem nome. E o nome dele poderia muito bem substituir a palavra prefeito. Ou se a folha fosse ao menos um pouco correta, a de ex-prefeito.

Quem apenas passou pelas bancas e viu a manchete, passará o dia com a certeza do envolvimento de Fernando Haddad no esquema de desvio do Imposto Sobre Serviços na Prefeitura de São Paulo.

Na versão online da notícia, a Folha mantém o tom. E até o terceiro parágrafo do texto o leitor não é sequer informado sobre quem é o “prefeito”.

Já o G1, das organizações Globo, deu o seguinte título: “Kassab sabia de tudo, diz acusado de chefiar fraude em telefonema gravado”.

O trecho transcrito da gravação do telefonema de Ronilson Bezerra Rodrigues, que seria um dos chefes da quadrilha, é o seguinte:
“É um absurdo. Paula, tinha que chamar o secretário e o prefeito também, você não acha? Chama o secretário e o prefeito que eu trabalhei. Eles tinham ciência de tudo.”
A Paula citada é Paula Sayuri Nagamati, que teve seu depoimento do dia 31 de outubro à promotoria revelado. Ela teria dito neste dia que só sabia que Ronilson teria dado dinheiro ao secretário Donato. Ou seja, não se recordava deste telefonema de Ronilson, onde ele provavelmente se referia a Mauro Ricardo, de quem ela foi chefe de gabinete. E ao ex-prefeito Kassab.

Paula, ao que tudo indica, também fazia parte do esquema. E foi à promotoria para tentar salvar Ronilson e seus parceiros. Por isso batucou o nome de Antonio Donato no depoimento. Na tática diversionista da quadrilha, era preciso achar alguém do PT para tirá-los do foco.

A relação de Paula e Ronilson é bastante comentada na sede da prefeitura de SP. Este telefonema revelado ontem não seria o único grampeado de conversas entre eles. Existiram outros que revelariam um nível bem mais alto de intimidade.

Mas quando Paula foi exonerada ontem, qual foi a cobertura do UOL? Tentou transformá-la em vítima e depois forçou uma manchete absurda para mostrar que o secretário de governo da Prefeitura perdera a confiança do prefeito.

O UOL manchetou que Haddad afirmara que a situação de Donato era delicada. E anunciava que isso seria uma mudança de posição. Ou seja, o ex-presidente do PT estaria na marca do pênalti. O que corroboraria a tese de que tudo não passaria de mais uma lambança petista. E de que Serra, Kassab e Mauro Ricardo Dias, que agora trabalha com ACM Neto, em Salvador, e que diretamente ou indiretamente comandou a pasta da Finanças de São Paulo nos últimos 8 anos, eram inocentes.

O grupo Folha-UOL decidiu que é preciso transformar o escandaloso caso de mais de 500 milhões de reais de desvio de ISS da prefeitura para o bolso de agentes públicos nos governos Serra-Kassab em um crime do PT. E isso coloca-o sob suspeita.

Por que a família Frias decidiu operar neste sentido? Quem  quer preservar? O que pode surgir deste escândalo que os faz se comportar jornalisticamente de forma tão escandalosamente absurda? Por que o nome de Mauro Ricardo, o todo poderoso das Finanças de São Paulo nos últimos anos sequer é citado? Por que a Folha esconde Serra e Kassab?

O prefeito Haddad pode processar e pedir retratação para a Folha por tentar incriminá-lo de forma leviana na manchete de hoje. Injúria e difamação não fazem parte dos direitos de qualquer jornal ou jornalista. E deve se preparar para o que vem pela frente, porque a manchete de hoje deixa claro quem é o verdadeiro alvo da operação pega PT.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Rodrigo Vianna: Ali Kamel processa o blogueiro que denunciou sonegação da TV Globo
(8nov2013)

Por Rodrigo Vianna em seu sítio Escrevinhador

Ali Kamel, diretor da Globo, abriu processo contra o bravo blogueiro Miguel do Rosário – de “O Cafezinho”. Por uma coincidência lancinante, Miguel (foto) foi o blogueiro que denunciou a bilionária sonegação fiscal de que a Globo é acusada.

Hum… Vamos por partes. Ali Kamel tem, evidentemente, o direito inalienável de processar quem bem entender. E nós temos o dever de mostrar: os processos movidos por Kamel são uma forma de intimidação e vingança.

Passada a eleição de 2010, ele abriu processos quase simultâneos contra 5 blogueiros: Cloaca, Nassif, Marco Aurélio Mello, Azenha e este escrevinhador. Paulo Henrique Amorim já era processado pelo diretor da Globo. Reparem: ele usou a Justiça numa tentativa de intimidar justamente aqueles que, durante a campanha de 2010, haviam ajudado a mostrar o golpe frustrado da “bolinha de papel”.

Os blogs desmontaram a farsa da bolinha. Kamel levara o perito Molina – que já servira como perito em ações particulares movidas por Kamel contra vizinhos dele, num prédio luxuoso do Leblon (sim, Kamel é dado a processar até vizinhos!!!) – para o JN. A tentativa era dar uma força ao Serra, na reta final da eleição. Aqui no Escrevinhador, você leu que até a Redação da Globo sentiu vergonha da ação perpetrada por Kamel: “O dia em que até a Globo vaiou Ali Kamel”.

Kamel perdeu em 2010. Como já perdera em 2006 (no episódio do delegado Bruno, que terminou levando à minha demissão da Globo). E como já perdera ao dizer que no Brasil “não há racismo”, ou ao atacar o Bolsa-Família. Kamel foi desmoralizado pelos fatos. Esses não podem ser processados.

Kamel foi derrotado pelos blogs, e contra esses – sim – ele decidiu reagir. Na Justiça.

Não foi coincidência. Foi vingança.

No processo contra mim, Kamel alega que eu o teria acusado (?!) de ser ator pornográfico. Francamente… Os meus textos estão todos aí, basta uma leitura primária: jamais disse que Kamel era (ou deixava de ser) ator pornográfico. O que fiz foi usar a aparente homonímia entre ele e um ator pornográfico dos anos 80 (o filme “Solar das Taras Proibidas” é estrelado por um tal de Ali Kamel) para criticar o jornalismo que ele comanda na Globo.

Disse, sim, que o jornalismo de Kamel é – muitas vezes – pornográfico. Fui condenado por uma metáfora. Arnaldo Jabor, ex-cineasta que trabalha para Kamel, usou a mesma metáfora (“Pornopolítica”) como título de um livro – recheado de ataques a Lula. Jabor pode fazer metáforas. Blogueiro que critica a Globo não pode. Ok. Fui condenado em primeira e segunda instâncias na Justiça do Rio. Os amiguinhos de Kamel na “Folha” e “na “Veja” comemoraram. Recorri a Brasília. Escrevi minha resposta aqui. E a vida seguiu… 

O bravo blogueiro Miguel do Rosário, indignado com minha condenação, escreveu em janeiro de 2013 (atentem para essa data) um duro texto contra Kamel. Pois bem: o diretor da Globo levou dez meses para abrir o processo contra as supostas ofensas cometidas por Miguel. Não foi uma (suposta) ofensa que o fez babar na gravata imediatamente, nem ganir pela redação de ódio. Não. Chamado de “sacripanta” por Miguel do Rosário, Kamel esperou. Levou dez meses, talvez, para procurar no dicionário o significado de sacripanta.

Nesse meio tempo (entre o texto de Miguel do Rosário e a abertura do processo Kamel x Miguel), que fato novo surgiu? Ora, Miguel foi o autor dadenúncia bombástica da sonegação fiscal que teria sido cometida pela Globo. Foi Miguel quem publicou na internet as páginas originais do processo (páginas que – logo depois, este Escrevinhador revelaria – haviam sido surrupiadasde uma agência da Receita no Rio). Quem roubou o processo? A mando de quem?

Nos meses seguintes, a denúncia de Miguel (titular do blog “O Cafezinho”) espalhou-se pelas redes sociais, foi parar nas telas da TV Record, e virou mote para manifestações na porta da Globo.

“Globo sonega”, diziam os cartazes na porta da Globo. Roberto Requião, bravo senador, acaba de pedir explicações ao governo sobre a dívida da Globo. Dívida bilionária. E tudo começou lá, com a denúncia de “O Cafezinho”. Então, vocês imaginem o ódio da família Marinho contra o blogueiro Miguel.

Dia desses, encontrei com um velho amigo, funcionário da Globo, num evento em São Paulo. Por coincidência, Miguel do Rosário estava presente. Apresentei os dois: “fulano, esse é o Miguel do Rosário, blogueiro no Rio. Miguel, esse é o fulano, que trabalha na Globo”. Miguel riu e disse a meu amigo global: “bem, acho que lá na empresa onde você trabalha não devem gostar muito de mim”. Todos sorrimos, discretamente.

Perguntei ao amigo funcionário da Globo (mas que não é nenhum bozó, bem ao contrário) qual havia sido a reação, internamente, quando Miguel revelou o episódio da sonegação. E ele: “Rodrigo, foi uma bomba; você não tem ideia, uma bomba”.

Quem lançou a bomba foi Miguel do Rosário. Bomba contra a Globo, baseada em fatos.

Três meses depois da denúncia bombástica contra a Globo, Kamel resolve processar Miguel – por um texto escrito em janeiro.

Pura coincidência.

Que nome dar a isso? Vingança? Retaliação judicial?

O Miguel do Rosário respondeu ao processo de Kamel com a firmeza que se esperava. Caracterizou a ação como “ataque sórdido”; e disse mais:
“ele [Kamel] simplesmente pretende destruir o blog que noticiou um dos maiores crimes de sonegação da história da mídia brasileira, cometido pela empresa para a qual ele mesmo trabalha, porque o blogueiro lhe chamou de “sacripanta reacionário” e fez críticas à sua empresa?
Tenho esperança que o Judiciário não vai deixar barato esse ataque sórdido à liberdade de expressão, ainda mais grave porque cometido por uma pessoa que dirige uma concessão pública confessadamente golpista e, como tal, com obrigação de ser humilde e tolerante no trato com aquelas mesmas vozes que ela ajudou a calar nos anos de chumbo.
O advogado de Ali Kamel, João Carlos Miranda Garcia de Souza, é também advogado da Rede Globo. É pago, portanto, com recursos oriundos de uma concessão pública que se consolidou durante um regime totalitário, e com apoio de um governo estrangeiro (EUA).”

Aqui, você lê a resposta do Miguel, na íntegra.

O Miguel tem força moral, e mostrou isso na resposta ao Ali Kamel. Mas precisa da nossa solidariedade. O Miguel não está enfrentando o Ali Kamel – que é uma espécie de capataz da família Marinho. Está enfrentando os mais poderosos barões da imprensa da América do Sul, de todos os tempos.

Os bilionários irmãos Marinho não aceitam ser desafiados por ninguém. Usam seus prepostos para dar o troco, sempre.

Por isso, dizemos bem alto:  Miguel, conte com a gente!

E prepare-se para a dura batalha: na justiça do Rio, a Globo joga em casa.

domingo, 3 de novembro de 2013

Rombo? Rombo são os juros que o mercado exige do Brasil
(3nov2013)

Por: Fernando Brito, no sítio Tijolaço


A matéria, hoje, na Folha, onde se aponta que o Brasil paga, anualmente, 5,7% – ou 4,9%, que seria o patamar atual – de seu PIB em juros deveria ser um escândalo nacional.

É curioso, porém, que a matéria não mencione quanto isso representa em dinheiro que o país entrega ao rentismo.

Isso significa algo em torno de R$ 250 bilhões.

É como se entregássemos, a cada ano, mais do que gastamos com a educação, ou com a saúde.

Isso não entra no discurso do pessoal que fala em um Brasil “padrão Fifa”.

Não é possível sonhar se não se olha a corrente no pé.

Um corrente que não é possível romper, o que é o pior dela, sem romper a própria estabilidade econômica e política do país.

Mas que não pode ser esquecida ou tratada como “normal” na vida do país.

Dilma não mereceu um aplauso dos “sonháticos” quando baixou os juros.

Mas a mídia e o conservadorismo urraram: “Intervencionista, interferindo no Banco Central!”

E desencadearam a campanha “inflacionista”.

Depois, a da explosão do dólar, mesmo que esta tivesse evidentes causas externas.


Agora, os idólatras do “tripé macroeconômico” vêm com a história do “rombo”, do superávit primário que não vai ser atingido – e será.

Os juros brasileiros são uma hemorragia, que mal e mal tentamos estancar com a sua redução e a do montante da dívida, que a década Itamar-FHC tornou gigantesca.

É curioso, para não dizer chocante, que os arautos do “equilíbrio” falem tanto em responsabilidades e controles, em dosar a torneira da despesa – a que paga serviços e obras públicas – sem jamais mencionar o ralo da dívida.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Vibrem as suas mais reais intenções
(31out2013)

Por SaLuSa, mensagem de 30/10/2013, postada no blog Sementes das Estrelas

Há uns meses atrás foi dada a vocês mais uma linha de tempo linear para que pudessem finalizar determinados assuntos inacabados e para que o maior número de almas possível chagasse a um nível que possibilitasse a sua ascensão particular. Essa linha está convergindo com a única linha de tempo que os levará para a ascensão em massa.

Não há outra forma de vocês subirem para as dimensões mais altas senão pelo desapego completo de tudo que esteja relacionado às dimensões mais baixas.

Devido a muitas questões particulares e ao caos que os que pertencem às trevas estavam causando, esse tempo lhes foi dado e está agora no seu fim definitivo. Não haverá mais tempo a ser dado e o processo seguirá o seu curso naturalmente e ele lhes mostrará que tudo que lhes temos dito é de fato real.

O comportamento de muitas pessoas mudou consideravelmente quando o assunto se refere a vida inteligente fora da terra. Cada vez mais vê-se tais pessoas em posição de respeito e receptividade em relação a isso, ainda que os meios de comunicação tendam a ridicularizar a nossa presença, esses não têm mais a eficiência de antes pelo fato de a humanidade estar acordando para a sua natureza divina.

Alguns ainda sentem-se relutantes pelo fato de tanto tempo de encobrimento da nossa presença, o que nós compreendemos perfeitamente. Essas pessoas passarão por processos um pouco mais lentos para que tenham as suas memórias recuperadas das suas vidas em diversas partes do Universo. O tratamento será igual para todos, mas cada um sentirá um efeito de acordo com a sua própria capacidade de recuperação. Cada um tem um tempo único sempre respeitado por nós.

As pessoas que aceitam abertamente a nossa presença naturalmente serão as primeiras a serem convidadas a estar a bordo das nossas naves, onde serão levadas, por nós, às nossas bases a testemunhar tudo que viemos falando durante esse tempo – o fato de nos reunirmos no interior da Terra, no leito dos oceanos e dentro das grandes montanhas.  Será uma imensa alegria para nós levá-los ao encontro dos seus familiares da Terra interna, assim como colocá-los frente a frente com os seres que compõem a sua família genética.

Passos estão sendo dados neste momento para que as coisas acelerem o mais rápido possível já que o tempo está se esgotando e a data limite se aproxima rapidamente e trará os seus efeitos benéficos para toda a espécie humana. Continuem as suas meditações com as intenções positivas de erguer cada vez mais a Terra das vibrações mais baixas, isso possibilita que possamos impulsionar rapidamente os acontecimentos que desejamos pôr em movimento em sua realidade.

Nós gostaríamos de dizer que desejamos nos manifestar em breve com as nossas naves na capital americana, especificamente sobre a Casa Branca, e desejamos que esse evento seja televisionado para o maior número possível de pessoas. Nós sabemos que os que pertencem às trevas irão tentar minimizar esse acontecimento, fazendo com que chegue ao menor, senão a nenhuma alma vivente na Mãe Terra. Gostaríamos de pedir que vibrem as suas mais reais intenções de amor para que possam tornar possível esse nosso “aceno” para vós.

Eu os amo e desejo do fundo do meu coração que os seus dias sejam cada vez mais maravilhosos ao saborearem as novas energias deste portal que trará para vocês uma chuva de possibilidades e lhes dará a chance de concluírem positivamente os seus assuntos inacabados neste último período pré-determinado.

Eu sou SaLuSa de Sírius e renovo os votos de amor e paz da Federação Galáctica para com todos vocês.

OVNI triangular sobre Amsterdam, 28/10/2013
(31out2013)

Pobre custa muito caro para o Brasil
(31out2013)

Por Fernando Brito, no sítio Tijolaço

Millôr Fernandes, um dos frasistas mais célebres deste país, numa de suas crônicas “explicava” porque os governos brasileiros se esforçavam em que nosso país tivesse cada vez mais pobres, e concluía com um “argumento econômico”: “pobre é muito mais barato”!”

De fato, para uma colônia, onde o que importa é extrair lucros, onde os pobres são apenas insumos da produção, os pobres são baratos.

Pobre, porém, é muito caro para um país que pretende ser uma nação, um conjunto formado por território e gente com ideias de felicidade e progresso.

Não existe nada mais caro que a pobreza porque, primeiro, ela não produz, ou produz pouco, ou produz mal, por todas as carências que a pobreza traz ao trabalhador.

Depois, porque mesmo com os serviços precários que os pobres têm, custa muito tratar de gente que adoece por comer e viver mal, em meio à imundície,  custa caro manter crianças o dobro de tempo na escola porque não conseguem aprender,  custa caro não termos trabalhadores capazes porque a pobreza os tirou da escola  para o trabalho ou recalcados, porque “não tinham cabeça para aprender”, custa caro porque precisa-se de muita polícia e de muita cadeia para (não) resolver os problemas de violência e de criminalidade que a pobreza traz.

A lista da “carestia” da pobreza extrema poderia prolongar-se indefinidamente.

Nada, porém, custa tão caro quanto termos tantos pobres fazendo do Brasil um país pobre.

Pobre para os pobres, que pagam o preço desta pobreza com a falta de futuro de suas vidas e as vidas de seus filhos.

Pobre também para os não-pobres, porque não há riqueza possível em meio à pobreza, que constrange, atemoriza, ameaça ou, pior ainda, desumaniza as relações entre – queiram ou não as elites – seres humanos.

O vereador de Piraí que sugeriu que mendigo virasse ração para peixes apenas verbalizou o que muitos, alienados do sentimento de compaixão, deste humaníssimo sentimento de sentir a dor alheia, pensam sobre aqueles que a degradação e a pobreza finalmente fizeram decair à condição de párias.

Quanto custa retroceder a esta condição animal, de abandonar à morte os desvalidos, os doentes, os velhos e improdutivos? Quanto custam séculos de civilização?

Hoje, no aniversário do Bolsa-Família, deveríamos estar comemorando mais que o sucesso de um programa social, mas de um programa econômico.

A informação, citada hoje por Lula, de que cada R$ 1 investido no Bolsa Família gera um acréscimo de R$ 1,78 no Produto Interno Bruto (PIB) é apenas um pequeno pedaço da imensa riqueza que vem do fato de termos menos 36 milhões de brasileiros na pobreza extrema.

O impulso que isso gera sobre a economia é, ele próprio, um pedaço da famosa “porta de saída” que se cobra do programa, porque gera consumo, gera produção e, com eles,  gera oportunidades de trabalho.

Os tecnocratas, samurais do capital, não conseguem entender que não há custo maior no Brasil do que termos um país de pobres – do tamanho de França – dentro de nós. Muito menos ainda são capazes de perceber o potencial produtivo de tamanha quantidade de gente.

Nossas elites olham com desprezo assistir com o mínimo estes nossos irmãos. Não só as de direita, mas também os pretensiosos que se acham de esquerda “moderna”. Lembro deles criticando os Cieps por darem refeições completas aos alunos: “escola não é pensão”, diziam.

Burros, porque escola é lugar de aprender e civilizar, e não há aprendizado e civilização possíveis com fome.

Gastar com os pobres, além de ser o negócio mais lucrativo que se pode fazer nesse país de perdas, é a única maneira de fazer investimento sustentável no Brasil.

São eles, bípedes – e não o tripé econômico, como dizem os quadrúpedes do neoliberalismo – e seus recém convertidos – que podem fazer o Brasil andar para a frente.

E quem tem forças para por-se de pé e começar a andar e não volta a rastejar.

Talvez seja disso que tenham medo.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Remédio bom para a memória
(24out2013)

Vi a postagem a seguir no sítio Conversa Afiada e acredito que um olhar para essas imagens e notícias trará ao leitor o mesmo gosto de desgosto que senti. Ao mesmo tempo, percebemos quanto mudou para melhor o nosso patamar de compreensão do que seja uma busca pelo bem comum. Muito há a caminhar, ainda. Mas quero crer que hoje tais tentativas encontrariam bastante mais resistência do que encontraram na última década do século passado.

Postagem do blog Geopolítica do Petróleo, de 16 de outubro de 2010, reproduzido hoje no sítio Conversa Afiada.


“Recordar é viver”:  como FHC e Serra tentaram privatizar a Petrobrás

Diante das recentes polêmicas envolvendo o Pré-Sal e a Petrobrás nas eleições, selecionamos aqui uma sequência de  notícias a respeito da luta empreendida pelo PSDB-DEM para privatizar a Petrobrás e o petróleo brasileiro desde os anos 1990, durante o governo de Fernando Henrique, mas também após o fim daquele governo, quando esta coligação continuou criticando e atacando sistematicamente a Petrobrás e agora, o Pré-Sal.


FHC discute a privatização da Petrobrás - Folha de S. Paulo - 16/04/1997

Diretor do Banco Central durante o governo FHC, Gustavo Franco, defende a privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil - O Globo - 11/06/1997

David Zylbersztajn, genro de FHC é nomeado diretor da ANP em janeiro de 1998 e defende privatizações - Revista Veja

"Petrobrás pode ser vendida em 3 anos diz Zylbersztajn" - O Estado de S. Paulo -20/05/1999

“ANP defende venda de refinarias da Petrobrás” – David Zylbersztajn, genro de FHC e diretor da ANP no governo FHC, defende retalhar e vender Petrobrás – O Estado de S. Paulo – 07/01/1999