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Geólogo e professor, trabalho este espaço como se participasse da confecção de um imenso tapete persa. Cada blogueiro e cada sitiante vai fazendo o seu pedaço. A minha parte vai contando de mim e de como vejo as coisas. Quando me afasto para ver em perspectiva, aprendo mais de mim, com todas as partes juntas. Cada detalhe é parte de um todo que se reconstitui e se metamorfoseia a cada momento do fazer. Ver, rever, refletir, fazer, pensar, mudar, fazer diferente... Não necessariamente melhor, mas diferente, para refazer e rever e refletir e... Ninguém sabe para onde isso leva, mas sei que não estou parado e que não tenho medo de colaborar com umas quadrículas na tecedura desse multifacetado tapete de incontáveis parceiros tapeceiros mundo afora.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Farsa do Aquecimento Global levou cientista a se desfiliar da American Physical Society
(29out2014)

Publicada no sítio do Telegraph em 9/10/2010, traduzo aqui alguns trechos de longa carta enviada pelo Professor Hal Lewis à American Physical Society em que solicita seu desligamento daquela instituição. Somente agora, quatro anos depois, seguindo uma série de links, tomei conhecimento dessa notícia, e considerei relevante compartilhá-la aqui, uma vez que o tema me interessa e sobre ele já postei:

Não houve aquecimento global nos últimos 15 anos (1fev2012)

Aquecimento global: origem e natureza do alegado consenso científico (4fev2012)

- Molion (histeria) | 10 x 0 | Fearnside (aquecimento) (8fev2012)

Em 2000, o geólogo Geraldo Lino já desnudava as raízes das crises mundiais atuais (17fev2012)


Atualmente já é possível perceber que o termo Aquecimento Global está sendo abandonado, passando a se tratar de Mudanças Climáticas, em seu lugar. As previsões catastróficas sobre o rápido aquecimento não foram confirmadas pelos fatos. Mas, a essência da insistência sobre o tema continua a mesma: a implementação da Economia Verde, de grande interesse para o capital para o estabelecimento de mais uma forma de dominação e controle na economia e na política mundial.

A íntegra da carta de Hal Lewis, em inglês, encontra-se no link que apresentei acima, do Telegraph, e nela o Professor apresenta em maiores detalhes suas motivações.

* * * * * * * *

Professor Emérito Hal Lewis demite-se da American Physical Society 


O que se segue é uma carta à Sociedade Americana de Física lançada a público pelo Professor Emérito de Física Hal Lewis, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara.

Enviado: sexta-feira, outubro 8, 2010 17:19 Hal Lewis 
De: Hal Lewis, da Universidade da Califórnia, Santa Barbara 
Para: Curtis G. Callan, Jr., da Universidade de Princeton, presidente da Sociedade Americana de Física 
06 de outubro de 2010 

Caro Curt: 
Quando entrei pela primeira vez na American Physical Society (APS), 67 anos atrás, ela era muito menor, muito mais suave e, no entanto, não corrompida pela inundação de dinheiro (uma ameaça contra a qual Dwight Eisenhower alertou meio século atrás). 
Na verdade, a escolha da física como profissão era então uma garantia de uma vida de pobreza e de abstinência – foi a Segunda Guerra Mundial que mudou tudo isso. A perspectiva de ganho mundano apossou-se de alguns físicos. Tão recentemente quanto 35 anos atrás, quando eu presidi o primeiro estudo da APS de uma questão controversa social / científica, “O Estudo da Segurança Nuclear”, embora houvesse fanáticos em grande quantidade no exterior, não havia nenhum indício de pressão excessiva sobre nós como físicos. Estávamos, portanto, capacitados a produzir o que eu acredito que tenha sido uma avaliação honesta da situação naquele momento. Fomos mais habilitados pela presença de um comitê de supervisão constituído por Pief Panofsky, Vicki Weisskopf e Hans Bethe, todos eles físicos imponentes irrepreensíveis. Eu estava orgulhoso do que fizemos em uma atmosfera carregada. No final, o comitê de supervisão, no seu relatório ao Presidente APS, observou a completa independência com que se fez o trabalho, e previu que o relatório seria atacado pelos dois lados. Que tributo maior poderia haver? 
Como é diferente agora. Os gigantes já não caminham sobre a terra, e a inundação de dinheiro tornou-se a razão de ser de grande parte da pesquisa física, o sustento vital de muito mais, e fornece o suporte para um número incontável de empregos profissionais. Por razões que logo ficarão mais claras, o meu antigo orgulho em ser uma membro da APS por todos estes anos foi transformado em vergonha, e eu sou forçado, sem nenhum prazer, a oferecer-lhe a minha demissão da Sociedade. 
É claro, a farsa do aquecimento global, com os (literalmente) trilhões de dólares a conduzi-la, que corrompeu tantos cientistas, e levou a APS à sua frente como uma onda gigantesca. É a maior e mais bem sucedida fraude pseudocientífica que eu já vi em minha longa vida de físico. Qualquer pessoa que tenha a menor dúvida de que isso é assim deve forçar-se a ler os documentos ClimateGate, que a deixam nua. (O livro de Montford organiza os fatos muito bem.) Eu não acredito que qualquer físico verdadeiro, ou qualquer cientista, possa ler esse material sem sentir repulsa. Gostaria quase de fazer com que repulsa fosse uma definição da palavra cientista.
[...]
A direção da APS tem jogado com o problema desde o início, para suprimir conversas sérias sobre os méritos das reivindicações de mudanças climáticas. Você imagina por que eu perdi a confiança na organização? 
Eu sinto a necessidade de acrescentar uma nota, e isso é conjectura, uma vez que é sempre arriscado discutir os motivos das outras pessoas. Este esquema na alta direção da APS é tão bizarro que não pode haver uma explicação simples para isso. Alguns defenderam que os físicos de hoje não são tão inteligentes como eles costumavam ser, mas eu não acho que isso seja um problema. Eu acho que é o dinheiro, exatamente sobre o que Eisenhower alertou meio século atrás. De fato, há trilhões de dólares envolvidos, para não falar da fama e glória (e frequentes viagens a ilhas exóticas) que derivam de se ser um membro do clube. Seu próprio Departamento de Física (do qual você é presidente) iria perder milhões por ano, se estourasse a bolha do aquecimento global. [...] Como diz o velho ditado, você não tem que ser um meteorologista para saber para que lado o vento está soprando. Como eu não sou filósofo, não vou explorar sobre justamente em que ponto o autointeresse esclarecido cruza a linha da corrupção, mas uma leitura cuidadosa dos lançamentos ClimateGate deixa claro que esta não é uma questão acadêmica. 
Eu não quero participar disso; então, por favor, aceite meu pedido de demissão. A American Physical Society já não me representa, mas espero que ainda sejamos amigos. 
Hal

sábado, 11 de outubro de 2014

Jornalista alemão denuncia: "respeitáveis" jornalistas alemães recebem propina para serem pró-americanos
(11out2014)

O texto a seguir é uma razoável (sofrível) tradução de postagem feita por Laura Bruno em seu blog:
Udo Ulfkotte, jornalista alemão, revela ligações de jornalistas com a CIA. Ele decidiu falar porque está envergonhado com os rumos que a mídia promove a guerra. Ele admite ter recebido subornos e descreve a Alemanha como uma colônia dos Estados Unidos. Todos os "respeitáveis" jornais ou empresas de notícias alemães são "convidados" de organizações transatlânticas que esperam notícias, artigos e coberturas jornalísticas pró-americanos em troca de suborno e cidadania honorária. Isso está acontecendo na Alemanha, mas ele suspeita que que seja o mesmo caso especialmente com Inglaterra, Israel, Austrália, Nova Zelândia, Taiwan, Jordânia e muitos outros países (provavelmente, ao que me parece, também no Brasil) onde você encontra pessoas que se proclamam jornalistas respeitáveis,mas se você olhar por detrás você descobrirá que são marionetes nas cordas manipuladas pela CIA.
Um vídeo necessário para quem pensa que os "teóricos da conspiração" são idiotas quando proclamam que a grande mídia mente e que a CIA está infiltrada em tudo visando construir uma realidade de consenso.

O vídeo é em inglês, mas é bastante acessível para quem tem um pouco de conhecimento daquela língua, pois trata-se de um alemão falando inglês, e o faz com uma pronúncia bem clara.


O vídeo está postado no Youtube. Veja neste link informações sobre quem é Udo Ulfkotte.

domingo, 5 de outubro de 2014

Ciência caminha para o que acreditávamos ser coisa de lunáticos
(3out2014)

Destaco algumas postagens do sítio Inovação Tecnológica que mostram que a Ciência atual caminha para muito do que acreditávamos que só poderia ser ficção científica. Um futuro que até então parecia distante, ou mesmo "cientificamente" impossível, aproxima-se velozmente, provavelmente confirmando teses caras aos defensores de que estamos no portal de uma Nova Era.

No artigo Motor quântico gera trabalho sem produzir nenhum atrito, informa-se que cientistas trabalham sobre um motor "que opera com atrito zero e, ainda assim, gera um trabalho". Cientistas do Laboratório Nacional de Los Alamos (EUA) "mostraram a possibilidade de construção de um motor 'super-adiabático', cujo funcionamento pode ser revertido sem qualquer dissipação de energia". Teria chegado a hora de rever nossos conceitos de termodinâmica?

Diagrama de pressão-volume do motor de ciclo Otto quântico. [Imagem: Campo, et al - 10.1038/srep06208, apud sítio Inovação Tecnológica]
No artigo Inflação cósmica balança, multiverso ganha firmeza, pode-se ler a declaração do cientista Paul Steinhardt, da Universidade de Princeton, um dos criadores da teoria inflacionário para o universo, o seguinte, em entrevista à revista New Scientist:
"O problema mais profundo é que, uma vez que a inflação começa, ela não termina da forma como estes cálculos simplistas sugerem. [...] Em vez disso, devido à física quântica, ela leva a um multiverso, onde o universo de divide em um número infinito de fragmentos. Os fragmentos incluem todas as propriedades concebíveis conforme você vai de um para o outro. Assim, não faz nenhum sentido dizer o que a inflação prevê, exceto dizer que ela prediz tudo. Se for fisicamente possível, então acontece no universo."
Por fim, por enquanto, o artigo Teólogo medieval antecipou teoria cosmológica atual aponta que cientistas "descobriram que um teólogo inglês previu a ideia dos multiversos em 1225". No tratado De Luce (Sobre a Luz), Robert Grosseteste, teólogo medieval, "propôs que o universo concêntrico começou com um flash de luz, que empurrou tudo a partir de um ponto minúsculo, formando uma grande esfera". Grosseteste propõe, também, "que a luz e a matéria são intimamente relacionadas - essencialmente acopladas".

A coincidência entre a cosmologia atual e o modelo proposto por Robert Grosseteste em 1225 é impressionante - e leva aos mesmos gargalos. [Imagem: McLeish et al., apud sítio Inovação Tecnológica]

Bibliografia citada nas postagens:

Campo, Adolfo del; Goold, J.; Paternostro, Mauro. More bang for your buck: Super-adiabatic quantum engines. Nature Scientific Reports, vol.: 4, Article number: 6208, DOI: 10.1038/srep06208.

McLeish, Tom C. B.; Bower, Richard G.; Tanner, Brian K.; Smithson, Hannah E.; Panti, Cecilia; Lewis, Neil; Gasper, Giles E. M.. History: a medieval multiverse. Nature, vol.:507, 161-163. DOI: 10.1038/507161a.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Agora não é mais só uma eleição. Agora é a História.
(2out2014)

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço


Não é difícil perceber que se formou, nestes dias finais da campanha eleitoral do primeiro turno (e talvez da própria campanha eleitoral), uma imensa e tresloucada aliança do conservadorismo brasileiro.

Um clima histérico que capturou, admita-se, parte da classe média e da mediocridade fútil que foi entronizada pela mídia como sendo a “inteligência” brasileira.

Chegamos aos píncaros de uma onda de pessimismo que não encontra base nos fatos profundos da economia – não há desemprego, não há queda violenta do poder de compra da população, não há uma crise social como tantas que vimos em nossa história – e muito menos nos da política, porque jamais vivemos numa democracia formal tão completa como hoje, embora os imbecis chamem a tudo de “perigo vermelho”, 50 anos atrasados em sua guerra-fria neurótica.

Mas os jornais publicam um país que arde: as bolsas despencam, o “mercado” incorpóreo prevê o desastre e embolsa lucros milionários.

Mas o outro mercado, o da esquina, faz tempo que não tira a plaquinha do “estamos contratando”.

O debate nacional se reduz à pobreza mental do aparelho excretor de Levy Fidélix, como se Levy Fidélix e a polivalência de aparelhos excretores fossem as causas nacionais e este não fosse um país que tenta se livrar de sua condição histórica de colônia.

Um Brasil que pode e vai assumir seu papel de um dos gigantes do mundo, já não só pela sua “própria natureza”, e não mais ser, me perdoem, o cu da Terra.

Mas é assim a alienação de nossas classes médias transformadas em diletantes do voto: o ator americano que faz o papel de Hulk ou a neurose fanática do pecuniário pastor Malafaia contam mais que o aumento do salário mínimo que alimenta melhor 40% dos 200 milhões de brasileiros.

Ou que os espelhinhos energéticos da Siemens (caríssimos, aliás) fossem nos prover da gigantesca energia de que precisamos e nos fizessem guardar para os espertos o petróleo do pré-sal. Ou se um país pudesse se desenvolver sem portos, ferrovias, gasodutos, estradas, transportes.

Assim é, em tudo, a manipulação que nos impõem, como se fôssemos um bando de tolos e superficiais.

O que teria ou não teria dito um safardana que foi demitido da Petrobras e ao qual se promete o perdão de anos de cadeia por todos os roubos se envolver neles os que o demitiram de lá (perdão que faria um desqualificado moral que, a esta altura, acusaria a própria mãe) flui, anônima e criminosamente, de meia dúzia de meganhas e promotores que podem dizer o que quiserem, na sombra do que seria, no mínimo, a violação dos seus deveres funcionais, mas os confessados e comprovados aeroportos privados e jatinhos de caixa-2, ah, estes repousam no silencioso limbo da conveniência.

Em tudo se tenta distrair o povo brasileiro do que está por trás da eleição.

É preciso que se deixe de olhar para a história deste país infelicitado por quase ininterruptos 512 anos de governos de elites coloniais, daqui e de fora, para que se atribua a quem nos tenta tirar daí a culpa pelas carências e roubalheiras que nos marcaram por séculos.

É preciso transformar em tolos ou corruptos quem tem trajetória de luta, de honradez, de amor ao povo brasileiro e que não se serviu dele para exibir-se como um exotismo manso e servil aos senhores de nossa escravidão histórica.

O povo brasileiro a tudo vem resistindo, na sua sabedoria inconsciente, aquela que se forma apenas pela força irresistível da realidade, que é o único componente da verdade que não se forma com fumaça e que, por isso, não se esfumaça com os dias.

Hoje não é dia mais de dados, de números, de “denúncias”.

Nada disso importa mais, porque nossa imprensa e nossas classes dominantes transformaram dados, números e “denúncias” em panfletos imundos que se penduram nas bancas de jornal ou se exibem na tela das televisões. O nosso povão, na sabedoria que lhe vem da vida e da pele, na sua maioria, já o entendeu e o repele.

Hoje e os próximos três dias são de honradez, de altivez, de dignidade e, por isso, de absoluta tranquilidade.

Sabemos contra o que lutamos e pelo que lutamos.

A nossa causa é digna, é bonita, é humana, é generosa.

A deles, é feia, sombria, perversa e, por isso, precisa revestir-se de mil mentiras e das falsas juras de quem há muito entregou sua fé, como Judas, pelos trinta dinheiros com que os novos (e eternos) romanos compram alguns de nossos filhos.

Os que representam a causa do povo brasileiro, nestes dias finais, devem se sublimar.

Banharem-se na serenidade dos que sabem que sentem a razão e o destino a seu lado.

Distantes do ódio, do nervosismo e dos medos, inseguranças próprias de cada um e de todos nós, seres humanos.

Há momentos em que as circunstâncias são o senhor supremo nossos atos e decisões.

Porque é a hora que faz os grandes e aqueles que apenas planejam sê-lo declinam quando chega o momento da verdade.

Este é o instante em que já não somos apenas nós mesmos, mas somos o passado mesclado ao futuro, somos nossos pais e nossos filhos, somos negros, pardos, brancos, índios, somos esta massa diversa, fervilhante e teimosa que é o povo brasileiro.

A História, esta força imensa que habita em cada um de nós, nos absorve quanto mais a amamos.

E, quando amamos agudamente, temos a confiança dos amantes e deixamos que ela nos possua e fale por nossa boca.

E as palavras, então, tornam-se invencíveis.

* * *
Tenho buscado, e conseguido, não me afundar no mar de ressentimentos e ódios plantados principalmente pela grande mídia. No entanto, o texto acima coincide bastante com minha percepção do momento político que agora testemunhamos.

O mundo não está para brincadeiras, e basta dar uma olhada de relance nos noticiários para vermos que muitas guerras estão estourando, muita gente está sendo morta nos mais diversos cantos do mundo. Em praticamente todos esses casos há recursos naturais e energéticos envolvidos. O Brasil, com suas reservas naturais e com seu potencial de crescimento autônomo é, e será cada vez mais, alvo da ganância internacional. Daí minha preocupação em entregarmos nosso destino a alguém que correrá para o colo do Império, abrindo mão de nossa soberania e de nosso potencial protagonismo na criação de alternativas globais ao neoconservadorismo.

Nosso país é hoje citado em sítios da internet de praticamente todos os países deste mundo como fazendo parte de uma resistência possível ao avanço das políticas regidas por Wall Street e pela City de Londres. O aprofundamento das alianças latino-americanas, bem como a implementação dos projetos conjuntos com os BRICS são, por agora, uma alternativa possível para tentarmos escapar do mesmo aviltamento que o FMI e o Banco Mundial vêm impondo às populações de diversos países, mais visivelmente os europeus. Precisamos estar comprometidos, enquanto nação, com a criação de um sistema financeiro que permita aos países em desenvolvimento trilharem caminhos mais humanos e com desenvolvimento de cunho social. Nós, seres humanos, e não o mercado ou o lucro, somos a razão da existência de tudo. Se perdermos essa dimensão do sentido da vida e da política, seremos subumanos, uma coisa, uma mercadoria para ser manejada tal qual um rebanho de gado pelos ricos e poderosos.

Meu desejo, neste momento, é para que os nossos corações sejam iluminados por uma chama amorosa que nos permita enxergar em cada ser humano uma extensão de nós mesmos. Portanto, cada ser humano é digno de nosso respeito e deve ser honrado, qualquer que seja a expressão de sua visão de mundo. Os epítetos jocosos e as desqualificações de adversários são desnecessários e não levam a nada que não seja a produção de rancores e ressentimentos. Espero que o Universo conspire em nosso favor, e fico confiante de que o melhor acontecerá. 

Boa eleição para todos!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Um salutar pontapé da música em minha vida
(1out2014)

Nos idos de 1974 chegava eu, aos 17 anos, à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro para iniciar meu curso de graduação em Geologia. Feliz, vindo de uma cidade do interior de São Paulo que ficava a uma distância de 800 quilômetros, vivia cada momento daqueles dias com um sorriso que insistia em ficar estampado em minha face. Eu estava imbuído de diversas responsabilidades. A responsabilidade de morar longe dos pais, a de viver com recursos bastante escassos, a de dar conta dos estudos universitários, a de corresponder à altura à chance que recebia de estudar em uma escola superior pública. Tudo isso bailava em minha cabeça com muita clareza. Tudo isso me fazia também feliz por ter tanta confiança depositada em minhas seriedade e capacidade.

Todo esse tempo me veio vividamente agora quando por uma dessas buscas pela internet encontrei vídeos de um coro da ópera Nabuccodonosor, o Va pensiero. Assim que as aulas do primeiro semestre começaram, minha sala foi visitada por um pessoal do Coral da UFRRJ, convidando os calouros para nele ingressarem. Venci minha timidez e caipirice interiorana e lá fui eu, na quinta-feira à noite, para ensaiar no coral. Daí, foram seis anos de participação, sendo quatro como aluno e dois como professor daquela universidade. Eu já havia cantado em períodos pequenos no Coral de Bebedouro, com o Maestro Pedro Pellegrino, de saudosa memória, mas eu era um menino e o coral era de adultos, o que fazia com que eu me sentisse bastante deslocado e inútil para o grupo.

No Coral da UFRRJ, regido pelo Maestro Nelson Nilo Hack, com o acompanhamento de Leopoldo Touza ao piano, aprendi, já adulto, uma enormidade sobre música, história e vida. O coral é um espaço privilegiado da diversidade e do aprendizado de convivência com as diferenças, unindo-as para consoarem, para se harmonizarem e produzirem um som único, de conjunto.

O Va pensiero foi uma das primeiras músicas que ali ensaiei e cantei. Língua estrangeira, partitura em mãos  com todos aqueles signos da escrita musical que eu buscava decodificar na forma de sons. O Maestro fazia um trabalho fenomenal ao apresentar essas obras contextualizando-as, traduzindo-as e buscando nosso entendimento do seu significado para colocarmos nas vozes e nas nossas expressões aquilo que entendíamos que correspondia aos textos e músicas que apresentávamos.

Fizemos naqueles anos diversos coros de grandes obras da história da música ocidental, e esse contato levou-me a querer conhecer mais de músicas, o que me levou a, hoje, poder apreciar um leque bastante ampliado e diversificado de gêneros musicais. Sou grato à sincronicidade de eventos que me levou a trilhar esse caminho. Se o pessoal, juntamente com o Maestro, não tivesse ido à minha sala de aula, muito provavelmente eu não teria o impulso de ir até o coral, dado, como já mencionei, a minha caipirice, uma timidez acachapante à época. Enfrentar palcos e um grupo multifacetado como aquele foram ingredientes importantes para que eu pudesse sobrepujar essa timidez. Fui monitor por dois anos e acabei me tornando um professor, encarando cotidianamente uma plateia geralmente bastante exigente. É certo que o coral tenha sido um dos catalizadores para que se desse esse desdobramento.

No meio musical, ao qual permaneci vinculado ainda por muitos anos, participando de corais e de grupos vocais aqui no Mato Grosso, pude conhecer grandes nomes da cena musical brasileira, bem como pesquisadores da educação musical. Fiz cursos, participei de oficinas e de painéis de regentes corais, estive a pouco de me tornar um regente coral de fato (por sorte, o mundo ficou livre dessa possibilidade pois eu me considerava, e era, um regente bem fraquinho), participei de concertos nas mais importantes cidades do Brasil e em algumas poucas no exterior. Mais importante do que tudo isso: fiz amizades muito especiais com pessoas dos mais variados matizes culturais, as quais acrescentaram e acrescentam muito à minha vida e enriquecem minhas memórias.

Os rumos que minha vida tomou foram sempre muito diferentes daquilo que eu planejava, daquilo que eu pretendia que fosse. Sinto que a música, e todo o seu entorno, tenha me dado um pontapé que me tirou do rumo a que me propunha quando jovem. E quando parei de "sofrer" por causa dos planos não realizados percebi que a vida me mostrava um trajeto muito mais rico e significativo do que o que qualquer dos meus planos poderia me trazer. Compreendi que somente planejamos com base no vivido e, muitas vezes, no que o meio social nos cobra como sendo o caminho ideal. Assim, jogamos para o futuro uma mera ampliação daquilo que conhecemos e do que somos capazes de entender nos anseios de nosso meio social. Ou seja, um futuro limitado ao passado ou pela nossa compreensão fragmentária de concepções alheias. Quando somos empurrados para o novo, para o inesperado, há uma incômoda sensação de desequilíbrio, de perda de controle. Isso, até percebermos que viver é, e deve ser, estar em constante desequilíbrio. Para que um pé se desloque para a frente, precisamos desequilibrar nosso corpo para a frente, e depois de novo, para que o outro pé se desloque, e assim sucessivamente. O equilíbrio de fato somente acontece quando nossa energia para de circular de um lado para outro em nosso corpo, em nossas células. É a morte!

Mas chega, por agora. Segue o vídeo que me despertou essas reflexões. Quem sabe começo a relatar mais de minhas vivências. Minha memória é voltada para pessoas que influenciaram meus caminhos, às quais sou grato por tudo que me propiciaram. Agradeço de coração inclusive a pessoas que eventualmente não gostaram ou não gostam de mim, pois elas foram e são balizas importantes para o meu caminhar.

Obs.: A imagem no vídeo é de muito boa qualidade, bastante diferente do que possa estar aparecendo aqui.


Coral do Metropolitan Opera House de Nova Iorque, gravado em 2002, coro dos escravos "Va pensiero", da ópera Nabuccodonosor, de Giuseppe Verdi.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Caso você ainda esteja confuso sobre o que está acontecendo no Oriente Médio...
(25set2014)

Contribuição de um leitor do jornal britânico Daily Mail, reproduzida no sítio Zero Edge:


Minha tradução para o texto:

Claro como lama

Você está confuso com o que está acontecendo no Oriente Médio? Deixe-me explicar.

Nós apoiamos o governo do Iraque na luta contra o Estado Islâmico (ISIL), mas o ISIL é apoiado pela Arábia Saudita, de quem nós gostamos.

Nós não gostamos do Presidente Assad na Síria. Nós apoiamos a luta contra ele, mas não o ISIL, que também está lutando contra ele.

Nós não gostamos do Irá, mas o Irã apoia o governo do Iraque contra o ISIL. Assim, alguns de nossos amigos apoiam nossos inimigos e alguns de nossos inimigos são nossos amigos, e alguns de nossos inimigos estão lutando contra nossos outros inimigos, os quais queremos que percam, mas não queremos que nossos inimigos que estão lutando contra nossos inimigos vençam.

Se quem nós queremos que seja derrubado for derrubado, eles podem ser substituídos por aqueles de quem nós gostamos ainda menos. E tudo isso começou por invadirmos um país para expulsar terroristas que não estavam lá de fato até que que fomos expulsá-los. Você entende agora?

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Experimento da Física busca provar que nosso Universo é um holograma bidimensional
(3set2014)

O cientista Aaron Chou (à esquerda), da Fermilab, chefe do projeto para o experimento com o Holômetro, com sua colega Brittany Kamai, mestre pela Universidade Vanderbilt, no aparelho que testará se o universo é um holograma 2-D / Foto: Fermilab


Por David Freeman, no The Huffington Post

Todo mundo sabe que o universo existe em três dimensões, certo? Talvez não. Há algum tempo, sérios físicos têm ponderado sobre a aparentemente absurda possibilidade de que o espaço tridimensional seja meramente uma ilusão - e que realmente vivemos em um "holograma" bidimensional.

E agora cientistas do Laboratório Nacional do Acelerador Fermi, em Illinois (EUA), iniciaram um experimento revolucionário para mostrar de uma vez por todas em que tipo de universo vivemos.

"Queremos descobrir se o espaço-tempo é um sistema quântico da mesma forma que a matéria o é", escreveu o Dr. Craig Hogan, diretor do Centro de Partículas Astrofísicas do Fermilab, em uma declaração. "Se virmos algo, isso mudará completamente as ideias sobre espaço que temos utilizado por milhares de anos".

De acordo com o princípio da incerteza da teoria quântica, é impossível se saber tanto a localização precisa quento a velocidade exata de uma partícula subatômica. Se o mesmo princípio da incerteza se aplica ao espaço da mesma forma que se aplica à matéria, o espaço também deveria ter sido construído por flutuações - conhecidas como "quantum jitter" ou "ruído holográfico", de acordo com a citada declaração.

Os 21 cientistas envolvidos no experimento procurarão pelo jitter com a ajuda de um aparelho extremamente sensível conhecido como Holômetro. Ele produz jatos de laser 200,000 vezes mais brilhantes do que um apontador de laser e, com a ajuda de uma técnica óptica conhecida como interferometria, medirá nos jatos um jitter tão pequeno quanto alguns poucos bilionésimos de um bilionésimo de metro.

Um close-up do Holômetro no Fermilab


O holômetro inclui dois interferômetros em tubos de aço de 6 polegadas e cerca de 40 metros de comprimento.  Os sistemas ópticos (não mostrados aqui) em cada um deles "recicla" a luz do laser para criar uma intensa onda de laser. Os produtos dos dois fotodiodos são correlacionados para se medir o jitter holográfico.

"Se encontrarmos um ruído, será inescapável; poderemos estar detectando algo fundamental sobre a natureza - um ruído que é intrínseco ao espaço-tempo", declarou o Dr. Aaron Chou, o cientista que lidera o experimento e responsável pelo projeto com o holômetro. "É um momento excitante para a Física. Um resultado positivo abrirá uma avenida totalmente nova de questionamentos sobre como o espaço funciona".

A perspectiva de fazer uma descoberta que não somente desafiaria o senso comum mas também viraria de cabeça para baixo séculos do pensamento científico faz Chu pensar em termos filosóficos, quase místicos.

"Eu sempre acreditei que se há de fato um criador, então o mecanismo com o quel o mundo foi criado não é necessariamente não-conhecível, e se nós pesquisarmos profundamente o suficiente, podemos alcançar algumas conclusões muito interessantes e inescapáveis", disse Chou ao Huffington Post em um e-mail.

"Esse tópico traz à tona toda sorte de interessantes questões filosóficas e teológicas que são talvez melhor discutidas em torno de uma cerveja ou de uma gostosa xícara de chá. Enquanto isso, nós, cientistas, temos um trabalho a fazer."

Tradução: Aquiles Lazzarotto

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Que tal o aprendizado de música como instrumento de integração e promoção social?
(26ago2014)

Publicado hoje no sítio do Luís Nassif uma postagem que parece ter sido um comentário de um(a) leitor(a) guindado para postagem. Ali foi inserido um vídeo sensacional da apresentação da Orquestra Nacional Infantil da Venezuela apresentando-se no Festival de Música de Salzburgo em 2013.

Uma orquestra composta por crianças e adolescentes com uma qualidade musical que dificilmente imaginaríamos ser atingida por jovens nessa idade. Não se trata de um conjunto imenso de gênios precoces, mas sim de crianças que foram musicalizadas com seriedade. Não compõem uma "bandinha" ou uma "orquestrinha simpática e engraçadinha". Trata-se de uma orquestra sinfônica que arrebata a plateia. E uma plateia que se acredita ser bem exigente, já que a Alemanha é berço de muitas das maiores e melhores orquestras e de muitos dos grandes compositores eruditos do mundo.

Emociona, sim, o fato de serem crianças com aquelas carinhas latinas que conhecemos muito bem e que se incumbem de uma tarefa séria à qual acrescentam o seu lado lúdico, alegre, característico de jovens, em execuções impecáveis.

O texto postado no sítio do Luis Nassif foi o seguinte:

Por Zarastro
Orquestra Nacional Infantil da Venezuela
Aqui no blog, uns declaram voto em Marina. Outros, em Dilma. Outros discutem porque os primeiros declararam voto em Marina. Outros fazem o mesmo, mas com Dilma. Enquanto isso, enquanto passava roupa, preferi ver o verdadeiro futuro, na forma de orquestra sinfônica regida por ninguém menos do que Sir Simon Rattle:


Pasmem: eles têm entre 9 e 16 anos. E de acordo com as estatísticas de O Sistema, 80% deles são oriundas de famílias (muito) pobres. E tocam Gershwin. E Ginastera. E Mahler! Difícil não chorar de felicidade e emoção.
Senhores candidatos, que tal uma propostinha para usar o aprendizado de música como instrumento de integração e promoção social?
Uma proposta de vasta inclusão social não pode deixar de lado aspectos artísticos, culturais, que permitam às pessoas se identificarem e se sentirem cidadãos do mundo, com orgulho daquilo que fazem e dos diferentes aspectos de sua gente e de seus lugares de origem. É também uma forma de desenvolver uma geração segura, gentil e amorosa, capaz de nos guiar por um futuro mais brilhante, luminoso e pacífico.