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Cuiabá, Mato Grosso, Brazil
Geólogo e professor, trabalho este espaço como se participasse da confecção de um imenso tapete persa. Cada blogueiro e cada sitiante vai fazendo o seu pedaço. A minha parte vai contando de mim e de como vejo as coisas. Quando me afasto para ver em perspectiva, aprendo mais de mim, com todas as partes juntas. Cada detalhe é parte de um todo que se reconstitui e se metamorfoseia a cada momento do fazer. Ver, rever, refletir, fazer, pensar, mudar, fazer diferente... Não necessariamente melhor, mas diferente, para refazer e rever e refletir e... Ninguém sabe para onde isso leva, mas sei que não estou parado e que não tenho medo de colaborar com umas quadrículas na tecedura desse multifacetado tapete de incontáveis parceiros tapeceiros mundo afora.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Um salutar pontapé da música em minha vida
(1out2014)

Nos idos de 1974 chegava eu, aos 17 anos, à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro para iniciar meu curso de graduação em Geologia. Feliz, vindo de uma cidade do interior de São Paulo que ficava a uma distância de 800 quilômetros, vivia cada momento daqueles dias com um sorriso que insistia em ficar estampado em minha face. Eu estava imbuído de diversas responsabilidades. A responsabilidade de morar longe dos pais, a de viver com recursos bastante escassos, a de dar conta dos estudos universitários, a de corresponder à altura à chance que recebia de estudar em uma escola superior pública. Tudo isso bailava em minha cabeça com muita clareza. Tudo isso me fazia também feliz por ter tanta confiança depositada em minhas seriedade e capacidade.

Todo esse tempo me veio vividamente agora quando por uma dessas buscas pela internet encontrei vídeos de um coro da ópera Nabuccodonosor, o Va pensiero. Assim que as aulas do primeiro semestre começaram, minha sala foi visitada por um pessoal do Coral da UFRRJ, convidando os calouros para nele ingressarem. Venci minha timidez e caipirice interiorana e lá fui eu, na quinta-feira à noite, para ensaiar no coral. Daí, foram seis anos de participação, sendo quatro como aluno e dois como professor daquela universidade. Eu já havia cantado em períodos pequenos no Coral de Bebedouro, com o Maestro Pedro Pellegrino, de saudosa memória, mas eu era um menino e o coral era de adultos, o que fazia com que eu me sentisse bastante deslocado e inútil para o grupo.

No Coral da UFRRJ, regido pelo Maestro Nelson Nilo Hack, com o acompanhamento de Leopoldo Touza ao piano, aprendi, já adulto, uma enormidade sobre música, história e vida. O coral é um espaço privilegiado da diversidade e do aprendizado de convivência com as diferenças, unindo-as para consoarem, para se harmonizarem e produzirem um som único, de conjunto.

O Va pensiero foi uma das primeiras músicas que ali ensaiei e cantei. Língua estrangeira, partitura em mãos  com todos aqueles signos da escrita musical que eu buscava decodificar na forma de sons. O Maestro fazia um trabalho fenomenal ao apresentar essas obras contextualizando-as, traduzindo-as e buscando nosso entendimento do seu significado para colocarmos nas vozes e nas nossas expressões aquilo que entendíamos que correspondia aos textos e músicas que apresentávamos.

Fizemos naqueles anos diversos coros de grandes obras da história da música ocidental, e esse contato levou-me a querer conhecer mais de músicas, o que me levou a, hoje, poder apreciar um leque bastante ampliado e diversificado de gêneros musicais. Sou grato à sincronicidade de eventos que me levou a trilhar esse caminho. Se o pessoal, juntamente com o Maestro, não tivesse ido à minha sala de aula, muito provavelmente eu não teria o impulso de ir até o coral, dado, como já mencionei, a minha caipirice, uma timidez acachapante à época. Enfrentar palcos e um grupo multifacetado como aquele foram ingredientes importantes para que eu pudesse sobrepujar essa timidez. Fui monitor por dois anos e acabei me tornando um professor, encarando cotidianamente uma plateia geralmente bastante exigente. É certo que o coral tenha sido um dos catalizadores para que se desse esse desdobramento.

No meio musical, ao qual permaneci vinculado ainda por muitos anos, participando de corais e de grupos vocais aqui no Mato Grosso, pude conhecer grandes nomes da cena musical brasileira, bem como pesquisadores da educação musical. Fiz cursos, participei de oficinas e de painéis de regentes corais, estive a pouco de me tornar um regente coral de fato (por sorte, o mundo ficou livre dessa possibilidade pois eu me considerava, e era, um regente bem fraquinho), participei de concertos nas mais importantes cidades do Brasil e em algumas poucas no exterior. Mais importante do que tudo isso: fiz amizades muito especiais com pessoas dos mais variados matizes culturais, as quais acrescentaram e acrescentam muito à minha vida e enriquecem minhas memórias.

Os rumos que minha vida tomou foram sempre muito diferentes daquilo que eu planejava, daquilo que eu pretendia que fosse. Sinto que a música, e todo o seu entorno, tenha me dado um pontapé que me tirou do rumo a que me propunha quando jovem. E quando parei de "sofrer" por causa dos planos não realizados percebi que a vida me mostrava um trajeto muito mais rico e significativo do que o que qualquer dos meus planos poderia me trazer. Compreendi que somente planejamos com base no vivido e, muitas vezes, no que o meio social nos cobra como sendo o caminho ideal. Assim, jogamos para o futuro uma mera ampliação daquilo que conhecemos e do que somos capazes de entender nos anseios de nosso meio social. Ou seja, um futuro limitado ao passado ou pela nossa compreensão fragmentária de concepções alheias. Quando somos empurrados para o novo, para o inesperado, há uma incômoda sensação de desequilíbrio, de perda de controle. Isso, até percebermos que viver é, e deve ser, estar em constante desequilíbrio. Para que um pé se desloque para a frente, precisamos desequilibrar nosso corpo para a frente, e depois de novo, para que o outro pé se desloque, e assim sucessivamente. O equilíbrio de fato somente acontece quando nossa energia para de circular de um lado para outro em nosso corpo, em nossas células. É a morte!

Mas chega, por agora. Segue o vídeo que me despertou essas reflexões. Quem sabe começo a relatar mais de minhas vivências. Minha memória é voltada para pessoas que influenciaram meus caminhos, às quais sou grato por tudo que me propiciaram. Agradeço de coração inclusive a pessoas que eventualmente não gostaram ou não gostam de mim, pois elas foram e são balizas importantes para o meu caminhar.

Obs.: A imagem no vídeo é de muito boa qualidade, bastante diferente do que possa estar aparecendo aqui.


Coral do Metropolitan Opera House de Nova Iorque, gravado em 2002, coro dos escravos "Va pensiero", da ópera Nabuccodonosor, de Giuseppe Verdi.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Caso você ainda esteja confuso sobre o que está acontecendo no Oriente Médio...
(25set2014)

Contribuição de um leitor do jornal britânico Daily Mail, reproduzida no sítio Zero Edge:


Minha tradução para o texto:

Claro como lama

Você está confuso com o que está acontecendo no Oriente Médio? Deixe-me explicar.

Nós apoiamos o governo do Iraque na luta contra o Estado Islâmico (ISIL), mas o ISIL é apoiado pela Arábia Saudita, de quem nós gostamos.

Nós não gostamos do Presidente Assad na Síria. Nós apoiamos a luta contra ele, mas não o ISIL, que também está lutando contra ele.

Nós não gostamos do Irá, mas o Irã apoia o governo do Iraque contra o ISIL. Assim, alguns de nossos amigos apoiam nossos inimigos e alguns de nossos inimigos são nossos amigos, e alguns de nossos inimigos estão lutando contra nossos outros inimigos, os quais queremos que percam, mas não queremos que nossos inimigos que estão lutando contra nossos inimigos vençam.

Se quem nós queremos que seja derrubado for derrubado, eles podem ser substituídos por aqueles de quem nós gostamos ainda menos. E tudo isso começou por invadirmos um país para expulsar terroristas que não estavam lá de fato até que que fomos expulsá-los. Você entende agora?

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Experimento da Física busca provar que nosso Universo é um holograma bidimensional
(3set2014)

O cientista Aaron Chou (à esquerda), da Fermilab, chefe do projeto para o experimento com o Holômetro, com sua colega Brittany Kamai, mestre pela Universidade Vanderbilt, no aparelho que testará se o universo é um holograma 2-D / Foto: Fermilab


Por David Freeman, no The Huffington Post

Todo mundo sabe que o universo existe em três dimensões, certo? Talvez não. Há algum tempo, sérios físicos têm ponderado sobre a aparentemente absurda possibilidade de que o espaço tridimensional seja meramente uma ilusão - e que realmente vivemos em um "holograma" bidimensional.

E agora cientistas do Laboratório Nacional do Acelerador Fermi, em Illinois (EUA), iniciaram um experimento revolucionário para mostrar de uma vez por todas em que tipo de universo vivemos.

"Queremos descobrir se o espaço-tempo é um sistema quântico da mesma forma que a matéria o é", escreveu o Dr. Craig Hogan, diretor do Centro de Partículas Astrofísicas do Fermilab, em uma declaração. "Se virmos algo, isso mudará completamente as ideias sobre espaço que temos utilizado por milhares de anos".

De acordo com o princípio da incerteza da teoria quântica, é impossível se saber tanto a localização precisa quento a velocidade exata de uma partícula subatômica. Se o mesmo princípio da incerteza se aplica ao espaço da mesma forma que se aplica à matéria, o espaço também deveria ter sido construído por flutuações - conhecidas como "quantum jitter" ou "ruído holográfico", de acordo com a citada declaração.

Os 21 cientistas envolvidos no experimento procurarão pelo jitter com a ajuda de um aparelho extremamente sensível conhecido como Holômetro. Ele produz jatos de laser 200,000 vezes mais brilhantes do que um apontador de laser e, com a ajuda de uma técnica óptica conhecida como interferometria, medirá nos jatos um jitter tão pequeno quanto alguns poucos bilionésimos de um bilionésimo de metro.

Um close-up do Holômetro no Fermilab


O holômetro inclui dois interferômetros em tubos de aço de 6 polegadas e cerca de 40 metros de comprimento.  Os sistemas ópticos (não mostrados aqui) em cada um deles "recicla" a luz do laser para criar uma intensa onda de laser. Os produtos dos dois fotodiodos são correlacionados para se medir o jitter holográfico.

"Se encontrarmos um ruído, será inescapável; poderemos estar detectando algo fundamental sobre a natureza - um ruído que é intrínseco ao espaço-tempo", declarou o Dr. Aaron Chou, o cientista que lidera o experimento e responsável pelo projeto com o holômetro. "É um momento excitante para a Física. Um resultado positivo abrirá uma avenida totalmente nova de questionamentos sobre como o espaço funciona".

A perspectiva de fazer uma descoberta que não somente desafiaria o senso comum mas também viraria de cabeça para baixo séculos do pensamento científico faz Chu pensar em termos filosóficos, quase místicos.

"Eu sempre acreditei que se há de fato um criador, então o mecanismo com o quel o mundo foi criado não é necessariamente não-conhecível, e se nós pesquisarmos profundamente o suficiente, podemos alcançar algumas conclusões muito interessantes e inescapáveis", disse Chou ao Huffington Post em um e-mail.

"Esse tópico traz à tona toda sorte de interessantes questões filosóficas e teológicas que são talvez melhor discutidas em torno de uma cerveja ou de uma gostosa xícara de chá. Enquanto isso, nós, cientistas, temos um trabalho a fazer."

Tradução: Aquiles Lazzarotto

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Que tal o aprendizado de música como instrumento de integração e promoção social?
(26ago2014)

Publicado hoje no sítio do Luís Nassif uma postagem que parece ter sido um comentário de um(a) leitor(a) guindado para postagem. Ali foi inserido um vídeo sensacional da apresentação da Orquestra Nacional Infantil da Venezuela apresentando-se no Festival de Música de Salzburgo em 2013.

Uma orquestra composta por crianças e adolescentes com uma qualidade musical que dificilmente imaginaríamos ser atingida por jovens nessa idade. Não se trata de um conjunto imenso de gênios precoces, mas sim de crianças que foram musicalizadas com seriedade. Não compõem uma "bandinha" ou uma "orquestrinha simpática e engraçadinha". Trata-se de uma orquestra sinfônica que arrebata a plateia. E uma plateia que se acredita ser bem exigente, já que a Alemanha é berço de muitas das maiores e melhores orquestras e de muitos dos grandes compositores eruditos do mundo.

Emociona, sim, o fato de serem crianças com aquelas carinhas latinas que conhecemos muito bem e que se incumbem de uma tarefa séria à qual acrescentam o seu lado lúdico, alegre, característico de jovens, em execuções impecáveis.

O texto postado no sítio do Luis Nassif foi o seguinte:

Por Zarastro
Orquestra Nacional Infantil da Venezuela
Aqui no blog, uns declaram voto em Marina. Outros, em Dilma. Outros discutem porque os primeiros declararam voto em Marina. Outros fazem o mesmo, mas com Dilma. Enquanto isso, enquanto passava roupa, preferi ver o verdadeiro futuro, na forma de orquestra sinfônica regida por ninguém menos do que Sir Simon Rattle:


Pasmem: eles têm entre 9 e 16 anos. E de acordo com as estatísticas de O Sistema, 80% deles são oriundas de famílias (muito) pobres. E tocam Gershwin. E Ginastera. E Mahler! Difícil não chorar de felicidade e emoção.
Senhores candidatos, que tal uma propostinha para usar o aprendizado de música como instrumento de integração e promoção social?
Uma proposta de vasta inclusão social não pode deixar de lado aspectos artísticos, culturais, que permitam às pessoas se identificarem e se sentirem cidadãos do mundo, com orgulho daquilo que fazem e dos diferentes aspectos de sua gente e de seus lugares de origem. É também uma forma de desenvolver uma geração segura, gentil e amorosa, capaz de nos guiar por um futuro mais brilhante, luminoso e pacífico.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Cosmogenia para a nossa Era de Aquarius
(3jul2014)

Numa palestra de praticamente 4 horas de duração, Matias de Stefano, argentino, um dos jovens índigo da atualidade, circula pela história desde a criação do Universo até os dias atuais, reunindo conceitos e ideias que venho encontrando dispersos, às vezes confusos, em diversos sítios que tratam dos novos tempos e desafios com que o mundo e a humanidade começam a se defrontar.

Para quem tem curiosidade ou interesse no estudo dos mitos da criação, bem como nos enlaces que envolvem a história da humanidade, esta é uma aula magna. E tudo sem se contrapor a conceitos científicos que o homem construiu nos últimos séculos. Trata-se de um novo olhar sobre esse quebra-cabeça envolvendo desde o Big Bang até os dias atuais, passando pelas civilizações antigas e seus papéis na evolução da humanidade, bem como uma perspectiva refrescante quanto aos próximos passos a serem dados.

O que Matias apresenta é uma visão desmistificadora tanto das religiões quanto dos próprios conceitos de bem e mal, de céu e inferno, de certo e errado. E tudo isso ele faz de maneira simples, límpida, despretensiosa, além de bem-humorada.







Rota Universitária - Curso de Geologia da UFMT
(3jul2014)

Sou professor do curso de Geologia há 36 anos - os 2 primeiros anos na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - e estou próximo do final de minha trajetória docente. Esta tem sido uma trajetória rica pelos contatos com as sucessivas turmas de estudantes que vejo chegarem timidamente - a maioria - e velozmente se transformarem em seguros e ativos participantes do curso e dos estudos, estabelecendo elos firmes na comunidade geológica local e nacional.

Sou ciente de que minha colaboração nesse processo foi e tem sido modesta em comparação com a de meus pares. Cada momento de meu trabalho é recheado de entusiasmo e permeado por uma constante busca por mudanças frutos de contínuas avaliações do que foi feito antes. O meu momento atual é o de preparar minha saída, certo de que a vaga que eu deixar será preenchida por alguém novo e com mil ideias inovadoras para atuar nesse processo instigante de ensino-aprendizagem. Esse processo que tem sido por muitos anos o meu foco de atenção. Os múltiplos caminhos a serem tomados no convívio com as diferentes turmas que se sucedem, as decisões sobre qual o melhor passo a ser dado a seguir, as estratégias a serem adotadas para levar o conjunto professor-estudantes a um crescimento nos terremos conceitual e pessoal são o desafio cotidiano que estimulam o professor a seguir tentando, errando, acertando e crescendo a cada nova turma que se lhe apresenta.

O vídeo a seguir é um documentário produzido por alunos do curso de Comunicação Social da UFMT sobre o curso de Geologia da mesma universidade, e mostra um pouquinho do espaço que ocupamos e construímos em nosso dia-a-dia.

Obrigado, Valéria Schmidt, pelo envio do link.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

27 imensos sinais de perigo para a economia dos Estados Unidos
(22mai2014)

Por Michael Snyder, no sítio The Economic Collapse, publicado também no sítio Zero Hedge

Se você acredita que a economia estadunidense está apontada para a direção certa, você realmente precisa ler este artigo. Ao apontarmos o olhar para a segunda metade de 2014, há sinais de perigo por todos os lugares. A produção industrial está baixa. As vendas de casas estão caindo. Lojas de varejo estão fechando no ritmo mais rápido desde o colapso do Lehman Brothers. A dívida de chefes de família subiu substancialmente, e em 20% de todas as famílias estadunidenses todas as pessoas estão desempregadas. De muitas maneiras, o que estamos testemunhando bem agora é bastante similar ao que experimentamos durante a montagem da última grande crise financeira. Estamos cometendo muitos dos mesmos enganos que cometemos da última vez, e no entanto nossos "líderes" parecem completamente alheios ao que está acontecendo. Mas os sinais de alerta são muito claros. Tudo o que vocês têm que fazer é abrir seus olhos e olhar para eles. O que se segue são os 27 imensos sinais de perigo para a economia estadunidense...

#1
A despeito das infindáveis garantias da administração Obama de que estamos em uma "recuperação econômica", a preocupação número um dos eleitores é "desemprego/empregos", de acordo com uma recente pesquisa Gallup.

#2
Historicamente, as vendas para a fabricante de equipamentos para construção Caterpillar têm sido um bom indicador de para onde a economia aponta a seguir. Desafortunadamente, as vendas caíram 13% no último mês e experimentou agora declínios por 17 meses seguidos.

#3
Durante o primeiro trimestre de 2014, os lucros da gigante Staples, fabricante de materiais para escritório, caíram cerca de 43,5%.

#4
O tráfego de pessoas nas lojas Wal-Mart caiu cerca de 1,4% durante o primeiro trimestre de 2014. Os analistas parecem intrigados sobre o motivo da "baixa performance" do Wal-Mart. Talvez seja porque a classe média estadunidense esteja sendo firmemente destruída e os consumidores estadunidenses estejam sendo postos para fora neste ponto.

#5
Projeta-se que a Sears logo fechará mais centenas de lojas e que fatalmente sairá do negócio de uma vez...
A companhia disse nesta semana que pode vender seus 51% das ações na Sears Canadá, que opera aproximadamente 20% das lojas da companhia em todo o mundo. Sem alarde, ela fechou cerca de 100 lojas nos Estados Unidos no último ano. Para a próxima semana, espera-se que anuncie resultados sombrios do primeiro semestre fiscal e possivelmente ainda mais fechamentos de lojas.
"Eles têm muitas lojas e estão perdendo muito dinheiro, queimando o caixa", disse John Kernan, um analista da Cowen.
Kernan espera que a companhia feche 500 de suas 1980 lojas estadunidenses em poucos anos e, por fim, saia do negócio.
"As luzes estão se apagando na Sears e no Kmart", disse ele. "Há bolos de ervas daninhas rolando nas áreas de estacionamento do Kmart. Eles são completamente desnecessários."
O "apocalipse do varejo" segue rolando, mas isso não é assunto realmente importante para a grande mídia.

#6
O índice de participação da força de trabalho para estadunidenses de 25 a 29 anos caiu para uma baixa que é recorde de todos os tempos.

#7
De acordo com números oficiais do governo, todos estão desempregados em 20% das famílias estadunidenses.

#8
À medida que as famílias lutam para pagar suas contas, muitas delas estão com cada vez mais dívidas para fazer frente às despesas. No início deste mês vimos que o débito total das famílias estadunidenses aumentou por três trimestres consecutivos. E como observei em um artigo recente, o total de crédito ao consumidor nos Estados Unidos aumentou em 22%, sendo que neste momento 56% de todos os estadunidenses têm "crédito subprime".

#9
As taxas de juros para empréstimos estudantis devem aumentar substancialmente em 1º de julho...
Em 1º de julho, taxas federais de empréstimos estudantis vão subir. As taxas terão um aumento, no geral, de 0,8% em relação às atuais.
Os empréstimos federais Stafford para estudantes de faculdades - agora de 3,86% - serão de 4,66%. Os empréstimos federais Stafford para estudantes de mestrado e doutorado - agora de 5,41% - serão de 6,21%.
Os empréstimos Federal Grad PLUS e Federal Parent PLUS - agora de 6,41% - irão para 7,21%.
Isso colocará mais pressão na crescente bolha da dívida estudantil.

#10
A produção industrial estadunidense caiu cerca de 0,6% em abril. Isso não poderia estar acontecendo se a economia efetivamente estivesse "se recuperando".

#11
A abertura de trabalho manufatureiro nos Estados Unidos tem declinado por quatro meses seguidos.

#12
A venda de casas já existentes caiu por sete dos últimos oito meses e parece estar repetindo o padrão que testemunhamos em 2007 antes da última crise financeira.

#13
No mercado da bolha imobiliária de Phoenix, as vendas em abril caíram 12% ano a ano, e o inventário de ativos foi de 49% ano a ano. Em outras palavras, há toneladas de casas no mercado, mas as vendas estão caindo.

#14
O índice de casas próprias nos Estados Unidos caiu para o menor nível em 19 anos.

#15
As receitas de transações nos grandes bancos em todo o mundo ocidental estão caindo...
Na última sexta-feira foi o JPMorgan que disse que as receitas de transações serão 20% menores neste trimestre. Agora, o Barclays diz que as receitas de transações nos primeiros três meses foram 41% menores. A empresa citou "condições de transação desafiadoras resultando em atividade do cliente subjugada". Assim como o JPMorgan, o Barclays alertou que eles não veem melhoria em transações para o segundo trimestre.

#16
Jan Loeys, chefe de alocação de ativos globais da JPMorgan, alerta que o Federal Reserve está criando uma imensa bolha financeira que poderia "nos levar a uma crise de crédito"...
Para onde iremos a partir daqui? Para esse analista, a continuidade de crescimento econômico deprimido, tanto para os Estados Unidos quanto em nível global, implica na continuada política de emissão de moeda. O risco é que a rentabilidade dos títulos não aumente mais rapidamente do que os atacantes. O superaquecimento financeiro (inflação de ativos) se dá muito mais rapidamente do que o superaquecimento econômico (inflação medida pelo IPC). Antes que uma inflação de preços tenha a possibilidade de emergir, a ante uma política monetária que seja acima de neutra, uma bolha financeira terá estourado em algum lugar e será corrigida, jogando a economia para baixo. Isso foi o que aconteceu nos últimos 25 anos. O comportamento dos bancos centrais não dão confiança de que desta vez será diferente: os bancos centrais falam de instabilidade financeira, mas parecem definir isso mormente em termos de poder dos bancos. Cada um dos altos e baixos sucessivos está sempre em outro lugar. Uma bolha pode emergir sem alavancagem. Não é possível se projetar exatamente onde este ciclo de altos e baixos vai acontecer, pois saber onde ele será induziria ações evasivas que poderiam impedi-lo de ocorrer. Um possível final, dentre muitos, é o de que taxas ultra baixas, que induziram os mercados de crédito a crescer muito mais rápido do que o mercado de capitais, combinem-se com a reduzida criação de mercado por parte dos bancos (muitos dos quais tornaram-se corretores) para criarem uma crise de liquidez quando o Federal Reserve começar o primeiro conjunto de aumentos de juros. Isso poderia então ser mal o suficiente para fechar mercados, e assim empurrar-nos para uma crise de crédito.

#17
Peter Boockvar, o analista chefe do Grupo Lindsey, está alertando que o mercado de ações estadunidense poderia experimentar um declínio de 20% assim que a emissão excessiva de moeda terminar completamente.

#18
Uma porção de outros grandes nomes também está dizendo à CNBC que esperam para muito breve uma significativa "correção" do mercado de ações...
Um bando de nomes de alto perfil tem alertado ultimamente que o mercado está na soleira de um grande movimento de queda. De especuladores de longo prazo tais como Piper Jaffray até negociantes de curto prazo tais como Dennis Gartman, as expectativas são altas de que as principais médias estão preparadas para um grande mergulho, com chamadas variando de 10% ou mais, até 25%.

#19
O número de estadunidenses inscritos no programa de Seguridade Social por incapacidade ultrapassa toda a população da Grécia e acaba de alcançar um novo recorde de alta.

#20
A pobreza continua a crescer por todo o país, e bem agora há 49 milhões de estadunidenses que lidam com insegurança alimentar.

#21
De acordo com a Pew Charitable Trusts, as receitas de impostos em 26 estados dos Estados Unidos estão menores do que estavam em 2008, mesmo tendo os impostos sido aumentados em diversas áreas desde então.

#22
Barack Obama está fazendo o seu melhor para manter sua promessa de destruir a indústria do carvão dos Estados Unidos...
A EPA está prestes a impor um novo regulamento que irá reduzir as emissões de carbono de usinas existentes começando em 2 de junho até tornar-se permanente em 2015. Este novo regulamento, de acordo com o Político, é a "regulamentação antipoluição mais dramática em uma geração". O novo regulamento irá inviabilizar ainda mais a indústria do carvão, uma vez que indústrias movidas a carvão serão gravemente afetadas, e a energia estadunidense se tornará mais dependente do gás natural, e das energias solar e eólica.

#23
Climatologistas dizem agora que o estado do Texas está entrando no pior período de seca que já experimentou em 500 anos.

#24
Noticia-se que "dezenas de comunidades do Texas" estão a menos de 90 dias de ficarem completamente sem água.

#25
Projeta-se que a seca na Califórnia custará 1,7 bilhões de dólares para a indústria agrícola e que aproximadamente 14.500 trabalhadores da agricultura perderão seus empregos.

#26
Devido, em parte, à seca, o preço da carne subiu mais rápido no mês passado do que em mais de 10 anos.

#27
De acordo com pesquisas recentes, somente cerca de 1/4 dos estadunidenses acreditam que o país esteja seguindo na direção certa.


Tradução: Aquiles Lazzarotto

quarta-feira, 16 de abril de 2014

As assombrosas Teorias da Conspiração do gênio de Wall Street Mark Gorton
(16abr2014)

Por Hamilton Nolan, no sítio Gawker

Mark Gorton é um proeminente financista e empresário respeitado. Ele fundou o sítio de compartilhamento de música Limewire, e possui a Tower Research, uma firma famosa de comércio de alta-frequência. Gorton também acredita que a cabala secreta "implacável" que assassinou John Kennedy e planejou o 11 de setembro poderia vir para matar sua família.

Mark Gorton não tem uma reputação de maluco. Muito pelo contrário. Ele tem sido retratado favoravelmente no New York Times por sua perspicácia nos negócios e suas ações caritativas. Sua experiência no comando da Limewire - que quebrou a indústria da música e lhe rendeu um processo onde perdeu 100 milhões de dólares - foi acompanhada de perto pela imprensa. E quando o novo livro de sucesso de Michael Lewis sobre comércio de alta-frequência [High-Frequency Trading - HFT - Aquiles] foi publicado recentemente, proeminentes canais da mídia voltaram-se para Gorton para aprenderem como são realmente as firmas de HFT. O Huffington Post até o rotulou como "a nova face de Wall Street". Ele é um homem muito respeitado e muito abastado.

Esta semana foram-nos encaminhados documentos que Gorton estava enviando para seus empregados na Tower Research. Esses documentos - inseridos no final desta postagem [arquivos em pdf no original, em inglês] - são ensaios escritos por Mark Gorton, expondo suas teorias sobre a "Cabala" altamente secreta, criminosa e assassina, que é responsável, entre outras coisas, pelos assassinatos de John e de Robert Kennedy, pela carreira presidencial dos Bush, de Clinton e de Obama, o atentado de Oklahoma, o plano do 11 de setembro, e o assassinato de incontáveis testemunhas, políticos e jornalistas que procuraram expor tudo isso, incluindo o senador Paul Wellston e até Hunter S. Thompson [incluí link -  Aquiles]. Tudo, de acordo com Gorton, tem sido um trabalho interno [inside job].

Isso é muita coisa.

O mais longo e mais completo ensaio de Gorton tem o título "Cinquenta nos do Estado Profundo" [creio que profundo tenha mais uma ligação com 'subterrâneo', 'escondido']. Para dar a vocês um gostinho daquilo em que ele acredita, apresento alguns breves excertos. Sobre o assassinato de John Kennedy [JFK]:
O assassinato de JFK foi parte de um Golpe de estado em escala total, a violenta tomada de nosso governo por um grupo de criminosos. Não tenho a menor dúvida em minha mente de que o assassinato de JFK foi o trabalho de uma rede de criminosos embutida no sistema político e na estrutura de poder dos Estados Unidos. Elementos-chave entre eles no Golpe de 1963 eram LBJ [Lindon Johnson]; Allen Dulles e a CIA; J. Edgar Hoover e o FBI; executivos de direita do Texas incluindo Clint Murchison Sr., H. L. Hunt e D. H. Byrd; os negócios da costa leste centrados em torno dos interesses de Rockefeller e do Conselho de Relações Exteriores; Curtis Le May (presidente da junta chefe de pesoal), outros líderes militares de direita e elementos da inteligência militar; e a família Bush (tanto Prescott quanto George H. W. Bush)...
LBJ planejou matar JFK desde o momento que foi considerado a se tornar vice-presidente.
E Gorton acredita que os planejadores do assassinato estavam prontos para literalmente dar início a uma guerra nuclear como parte do acobertamento:
As contingências para além de culpar Oswald eram muito mais sérias. Se era superficialmente óbvio que a morte de JFK era o resultado de uma conspiração, [Fidel] Castro seria acusado, e uma invasão de Cuba se seguiria rapidamente. Muitos cubanos anticastristas que participaram do Golpe foram profundamente desapontados pelo fato de a invasão de Cuba nunca ter se materializado. Meus estudos do Golpe de 1963 levaram-me a acreditar que até mais graves estratégias de recuos estavam embutidas no plano. Se a morte de JFK fosse obviamente percebida como sendo parte de uma grande conspiração, e o público norte-americano não comprasse a ideia de que Castro tivesse feito isso, os planejadores do Golpe estariam em situações verdadeiramente terríveis. Esses homens desesperados que comandavam os militares, o FBI, algumas das maiores companhias do mundo, e o governo dos Estados Unidos encaravam a possibilidade de serem presos por traição. Eu acredito que os cenários mais escuros visados pelos planejadores do Golpe envolviam a declaração de lei marcial e culpar os russos, levando o país à beira de, ou a, uma guerra nuclear com a Rússia...
O acobertamento, escreve Gorton, foi mortal:
Ao longo dos anos, certamente 50 e mais provavelmente mais de 100 pessoas foram mortas para se preservar os segredos do Golpe de 1963. Diversas testemunhas, repórteres, pessoas que sabiam demais, membros do plano sob o risco de serem expostos, e autoridades excessivamente zelosas na aplicação da lei foram todos sendo mortos. Algumas dessas mortes foram claramente violentas. Muitas foram feitas para parecerem com qualquer outra coisa.
Outro dos escritos de Gorton, "O domínio político da Cabala" é uma cartilha ponto-a-ponto sobre os alegados membros da Cabala e conspirações homicidas. (Exemplo: o presidente Bill Clinton foi um "membro senior da Máfia Dixie... associado com dúzias de mortes suspeitas"; George H. W. Bush foi o mentor das crises de poupança e de crédito, do tiro em Reagan e dos "esquadrões da morte domésticos".) O terceiro documento, "O Golpe de 1963, Parte 1", é uma versão mais curta, centrada no assassinato de JFK, de "Cinquenta anos de Estado Profundo".

Ontem, chamamos Mark Gorton para perguntar a ele sobre a autenticidade desses documentos. Após uma longa pausa ele disse que estava ponderando sobre as "consequências para mim" se esses documentos viessem à luz. Tais como? "Pessoas me matando e matando meus filhos", ele disse. "Isso tem o potencial de mudar minha vida".

Gorton confirmou que escreveu os ensaios, embora os tenha descrito como trabalhos em andamento. Ele até concordou em nos enviar as versões mais recentes dos documentos, que são as versões anexadas abaixo. Em seu e-mail para nós, ontem, Gorton descreveu seus medos:
Estou preocupado porque os criminosos que eu descrevo nesses documentos têm uma longa história de assediar e matar quem descreve o que eles fazem. Eles não somente matam a pessoa que denuncia, quando isso acontece; eles também matam os membros de sua família. Eu tenho uma vida boa e quatro grandes crianças, e eu preferiria trazer a ira de um governo criminoso sobre minha cabeça.
Eu pediria a você que lesse completamente todos os três documentos e pensasse sobre o que eles têm para dizer. Com esses documentos aparecendo subitamente num blog como o Gawker muda o perfil de risco de minha vida.
Isso dito, acho que a verdade precisa ser dita sobre o que aconteceu à nossa democracia. Tenho elaborado esses documentos e os tenho enviado para um público seleto. Se você está interessado em publicar esse material, peço que fale comigo e que isso seja feito de maneira séria. Eu preferiria que minha vida não fosse posta em perigo por uma postagem casual, rápida e solta de um blog.

Decidimos publicar o material. Acreditamos que qualquer força sombria será contida pela atenção pública que estamos proporcionando a este tópico.

Tradução: Aquiles Lazzarotto