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Geólogo e professor aposentado, trabalho este espaço como se participasse da confecção de um imenso tapete persa. Cada blogueiro e cada sitiante vai fazendo o seu pedaço. A minha parte vai contando de mim e de como vejo as coisas. Quando me afasto para ver em perspectiva, aprendo mais de mim, com todas as partes juntas. Cada detalhe é parte de um todo que se reconstitui e se metamorfoseia a cada momento do fazer. Ver, rever, refletir, fazer, pensar, mudar, fazer diferente... Não necessariamente melhor, mas diferente, para refazer e rever e refletir e... Ninguém sabe para onde isso leva, mas sei que não estou parado e que não tenho medo de colaborar com umas quadrículas na tecedura desse multifacetado tapete de incontáveis parceiros tapeceiros mundo afora.
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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Que tal o aprendizado de música como instrumento de integração e promoção social?
(26ago2014)

Publicado hoje no sítio do Luís Nassif uma postagem que parece ter sido um comentário de um(a) leitor(a) guindado para postagem. Ali foi inserido um vídeo sensacional da apresentação da Orquestra Nacional Infantil da Venezuela apresentando-se no Festival de Música de Salzburgo em 2013.

Uma orquestra composta por crianças e adolescentes com uma qualidade musical que dificilmente imaginaríamos ser atingida por jovens nessa idade. Não se trata de um conjunto imenso de gênios precoces, mas sim de crianças que foram musicalizadas com seriedade. Não compõem uma "bandinha" ou uma "orquestrinha simpática e engraçadinha". Trata-se de uma orquestra sinfônica que arrebata a plateia. E uma plateia que se acredita ser bem exigente, já que a Alemanha é berço de muitas das maiores e melhores orquestras e de muitos dos grandes compositores eruditos do mundo.

Emociona, sim, o fato de serem crianças com aquelas carinhas latinas que conhecemos muito bem e que se incumbem de uma tarefa séria à qual acrescentam o seu lado lúdico, alegre, característico de jovens, em execuções impecáveis.

O texto postado no sítio do Luis Nassif foi o seguinte:

Por Zarastro
Orquestra Nacional Infantil da Venezuela
Aqui no blog, uns declaram voto em Marina. Outros, em Dilma. Outros discutem porque os primeiros declararam voto em Marina. Outros fazem o mesmo, mas com Dilma. Enquanto isso, enquanto passava roupa, preferi ver o verdadeiro futuro, na forma de orquestra sinfônica regida por ninguém menos do que Sir Simon Rattle:


Pasmem: eles têm entre 9 e 16 anos. E de acordo com as estatísticas de O Sistema, 80% deles são oriundas de famílias (muito) pobres. E tocam Gershwin. E Ginastera. E Mahler! Difícil não chorar de felicidade e emoção.
Senhores candidatos, que tal uma propostinha para usar o aprendizado de música como instrumento de integração e promoção social?
Uma proposta de vasta inclusão social não pode deixar de lado aspectos artísticos, culturais, que permitam às pessoas se identificarem e se sentirem cidadãos do mundo, com orgulho daquilo que fazem e dos diferentes aspectos de sua gente e de seus lugares de origem. É também uma forma de desenvolver uma geração segura, gentil e amorosa, capaz de nos guiar por um futuro mais brilhante, luminoso e pacífico.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Rota Universitária - Curso de Geologia da UFMT
(3jul2014)

Sou professor do curso de Geologia há 36 anos - os 2 primeiros anos na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - e estou próximo do final de minha trajetória docente. Esta tem sido uma trajetória rica pelos contatos com as sucessivas turmas de estudantes que vejo chegarem timidamente - a maioria - e velozmente se transformarem em seguros e ativos participantes do curso e dos estudos, estabelecendo elos firmes na comunidade geológica local e nacional.

Sou ciente de que minha colaboração nesse processo foi e tem sido modesta em comparação com a de meus pares. Cada momento de meu trabalho é recheado de entusiasmo e permeado por uma constante busca por mudanças frutos de contínuas avaliações do que foi feito antes. O meu momento atual é o de preparar minha saída, certo de que a vaga que eu deixar será preenchida por alguém novo e com mil ideias inovadoras para atuar nesse processo instigante de ensino-aprendizagem. Esse processo que tem sido por muitos anos o meu foco de atenção. Os múltiplos caminhos a serem tomados no convívio com as diferentes turmas que se sucedem, as decisões sobre qual o melhor passo a ser dado a seguir, as estratégias a serem adotadas para levar o conjunto professor-estudantes a um crescimento nos terremos conceitual e pessoal são o desafio cotidiano que estimulam o professor a seguir tentando, errando, acertando e crescendo a cada nova turma que se lhe apresenta.

O vídeo a seguir é um documentário produzido por alunos do curso de Comunicação Social da UFMT sobre o curso de Geologia da mesma universidade, e mostra um pouquinho do espaço que ocupamos e construímos em nosso dia-a-dia.

Obrigado, Valéria Schmidt, pelo envio do link.

domingo, 30 de março de 2014

Condicionamento: aquele que mantém as pessoas subservientes a lideranças abusivas
(30mar2014)

Por Peter Offermann, no sítio Two Ice Floes

peter@oceanfalls.org

Poucos dos que prestam atenção aos eventos mundiais, através de lentes mais precisas do que a da Grande Mídia, negariam que a vasta maioria dos seres humanos estão sendo maldosamente abusados por suas lideranças de uma forma variada, variando dos políticos e burocratas, dos administradores financeiros, dos controladores das corporações, dos líderes religiosos, dos chefões da mídia aos senhores da guerra, sejam locais, regionais, nacionais ou internacionais.

A vasta maioria dos seres humanos parece estar inconsciente desse abuso e passivamente aceita o que está sendo feito com ela. Por que isso acontece? Em uma palavra: 'condicionamento'.

O acesso vastamente ampliado à informação que a internet permite é responsável por um grande número de pessoas pelo menos se tornando consciente desse abuso. Contudo, mesmo dentro desse grupo mais consciente, está faltando muito para se tomar medidas efetivas para parar o abuso. Por que isso acontece? Em uma palavra: 'condicionamento'.

Há um grupo muito menor que está proativamente tentando conter o abuso por meio de protestos de grupos, mas eles estão perdendo a briga. Por que isso acontece? Em uma palavra: 'condicionamento'.

Com 68 anos de idade, já estou ficando idoso. Vivi intensamente e tive tempo para refletir sobre cada passo de minha vida. Como resultado eu vim a entender que a maior parte do condicionamento ao qual estamos todos submetidos não me incapacitaram nem de perto tanto quanto o fez com a maioria das pessoas. Acredito que o meu percurso para considerar minha aparente imunidade ao condicionamento é a fundação necessária requerida para as pessoas livrarem a elas mesmas da tirania que as escraviza.

Com essa esperança em mente, gostaria de compartilhar algumas experiências de minha juventude que ilustram o problema (condicionamento), e dão pistas para a solução.

Nosso condicionamento começa no momento de nosso nascimento. Embora não estejam conscientes disso, nossos pais, e membros da família, começam o processo. Nossos pais foram condicionados antes de nós e todas as suas tradições 'condicionadas' são repassadas a nós, sem que sejam consideradas suas consequências. "É assim que as coisas são, goste você ou não." Quantas vezes você ouviu essa justificativa? Há um grande livro de Wilhelm Reich chamado "A função do orgasmo", que explica a forma e as razões para esse condicionamento no início da vida. Sim, nossa sexualidade desempenha um grande papel.

É amplamente aceito que nossos anos do final da infância e do início da fase adulta são os nossos anos formativos, e também quando estamos na nossa melhor forma tanto intelectualmente quanto fisicamente. Historicamente, pessoas assumiram plena responsabilidade sobre suas vidas muito mais cedo em suas vidas, durante o que consideramos como o final da infância. Já houve almirantes de 14 anos de idade que comandaram imensas forças navais. O compromisso de casamento e da constituição de uma família começava muito cedo. Pioneiros partiram para descobrir e povoar novas terras misteriosas antes de atingirem a adolescência.

O condicionamento mais rígido e destrutivo nos é imposto durante nossa escolarização. Nossa escolarização está começando mais cedo e vai se tornando mais prolongada do que antigamente, e enquanto estamos sendo "escolarizados" não somos considerados adultos plenos com as responsabilidades e liberdades em que tal status implica.

Por que é assim? Será que o controle em nossa sociedade é muito mais rígido do que era antes? Aqueles que nos controlam entendem que uma rebelião de jovens é a do tipo mais perigosa. O que é melhor para minimizar seu impacto do que manter seu status como "crianças", com pouco acesso ao poder até que seus melhores anos estejam já bem passados? Se as pessoas cedem à 'escravidão' durante quando estão em sua melhor idade, qual a possibilidade de elas se rebelarem depois dessa melhor forma, especialmente se elas estão sobrecarregadas com o excessivo débito oriundo de sua educação?

Vou somente tocar levemente no assunto de nossa escolarização aqui, e destacar o que eu vejo como os mais debilitantes hábitos que nos foram ensinados. Esse é um assunto imenso bem estudados por pessoas tais como John Taylor Gatto, autor de "A história subterrânea da educação norte-americana" ("The underground history of American education").

Aviso: eu deixei a escola no início dos anos 1960 quando estava na nona série, com a idade de 14 anos. O motivo foi eu sentir que estava mais estúpido ao invés de mais esperto. A resposta de meus pais foi: "se você não vai à escola nós não o sustentaremos mais". Então, deixei minha casa e assumi a responsabilidade pela minha própria vida.

Mesmo tendo escolhido um caminho diferente do que o da maioria, eu realmente não entendi intelectualmente o porquê de eu fazê-lo até recentemente, cerca de meio século depois. O que eu fiz, então, o fiz intuitivamente, mais do que logicamente, aceitando total responsabilidade para as consequências.

Primeiramente eu gastei uns poucos anos perambulando pelo Canadá pegando qualquer tipo de trabalho que eu podia encontrar, sempre que eu precisava disso. Nenhum trabalho foi humilhante demais nem desafiador demais para ser aceito.

Aos 17 eu consegui um trabalho que mudou minha vida e me levou a que meus condicionamentos quase todos me fossem retirados.

Esse trabalho foi como observador de fogo no Serviço Florestal da Columbia Britânica. Por vários anos eu trabalhei e vivi no topo de montanhas remotas, por minha conta, por 3 a 4 meses a cada ano. Passar tanto tempo completamente sozinho e afastado da civilização, especialmente durante meus anos formativos, teve um efeito profundo em minhas percepções sobre a vida como um ser humano e sobre como me situava na sociedade.


Imagem produzida por mim a partir de uma foto de Kyle Johnson (http://kjphotos.com/portfolio/outside)

Eu não tinha uma máquina fotográfica naqueles dias, então a imagem acima, a qual representa proximamente a minha situação, é usada para ilustrar o cenário de então.

Abaixo está uma fotografia minha tomada poucos anos depois na mesma área geral em que eu passei tempo nos postos de observação. As outras fotografias interpostas neste ensaio foram tomadas por mim à medida em que eu explorava as montanhas próximas à minha casa após os anos de vigilância florestal.


Na sociedade de hoje, a pressão dos pares na infância e adolescência é imensa. Para sobreviver nesse cenário, precisamos prestar cuidadosa atenção nos outros ao redor de nós para obter pistas com relação ao que é e o que não é aceitável. Por causa dessa pressão, o grosso de nossa energia é gasto nas interações humanas e nós somos bastante inconscientes em relação a tudo que não seja nosso ambiente imediato. "Use-o ou perca-o" é um conselho sábio. Em função de se concentrar nas relações humanas durante seus anos formativos, a maioria das pessoas tem pouca ou nenhuma conexão com o mundo natural.

Tente imaginar como as pessoas seriam se, como jovens, elas gastassem tempo explorando e vivendo na natureza, enquanto responsáveis por suas próprias sobrevivência e ações, ao invés de vagarem pelos shoppings ou festejando com seus parceiros.

É justo se dizer que aqueles que vagueiam com a turma são incapazes de se tornarem cientes, ou aptos a entender, eventos de grande escala que não fazem parte de seu ambiente imediato?

O que dizer se pessoas fossem encarregadas de sobreviver no mundo maior usando somente suas habilidades? Elas teriam uma chance melhor de captar o que está acontecendo?

Esse fenômeno é relacionado ao uso comum do "ritual de maioridade" por muitas culturas nas quais os jovens adultos deixam a segurança de seu grupo para ficarem face a face com o ambiente natural por sua própria conta?


A maioria nas sociedades modernas nunca passa por esse habilitador rito de passagem, mas, ao contrário, vai da segurança dos cuidados de seus pais para a segurança do Grande Irmão Estado?

Um tempo substancial nos postos de observação, sem a pressão dos pares, me fez entender quão confinante é tentar se situar em turmas. A maioria das pessoas nem sentem essa pressão porque ela é tudo o que elas conhecem. É como o ar que respiramos. Ela está sempre ali, até que venha a não estar, e então morremos, a menos que estejamos preparados para um ambiente sem ar.

A maioria das pessoas também não percebem quanto de seu tempo e energia se gasta para ser 'social'. Ser removido da 'socialização' é extremamente estressante se ela é tudo o que você conhece.

Vários homens aspirantes a observador florestal precisaram deixar as montanhas prematuramente porque eles não conseguiam ficar sozinhos. Aqueles que se ajustaram ao isolamento, tal como eu mesmo, ganharam o tesouro da liberdade de estar confortável por extensos períodos com somente a sua própria companhia. A quantidade de tempo que, então, se torna disponível para outros afazeres possivelmente mais valiosos é substancial.

Na linha de frente desses benefícios está o olhar para dentro de você mesmo sem ser constantemente submetido à opinião de outros. Construir amizades toma tempo e esforço, e tornar-se amigo de você mesmo não constitui exceção. A maioria de nós nunca teve a oportunidade de fazer isso.

Aqueles que desejam controlar o comportamento humano entendem que as pessoas que não as melhores amigas de si mesmas são muito mais susceptíveis de serem controladas porque elas são solitárias e buscam conforto e amizade fora delas mesmas. Virtualmente toda campanha de vendas desde a do vendedor de porta em porta até a dos líderes mundiais está então apta a vender para você uma lista de bens que convencem você de que o que eles têm a oferecer tornar-se-ão seus melhores amigos.


Pequenas excursões, ou férias na natureza, geralmente com outros, situadas numa agenda repleta, fazem pouco para aumentar nossa conscientização sobre a realidade maior dentro da qual os seres humanos existem. Graças às modernas tecnologias, muito poucas dessas excursões levam pessoas para longe do ambiente humano controlado ao qual elas estão condicionadas.

Uma coisa é subir ao topo de uma montanha, conquistá-la, e então imediatamente retornar à civilização. Outra coisa completamente diferente é permanecer no ambiente natural por longos períodos com tempo para vir a conhecer aquelas outras espécies que estão em casa naquele ambiente. Isso permite que se entenda que os seres humanos não são o tudo e a finalidade da vida na terra.

Uma humildade nasce que nos serve muito bem. Nesse ambiente logo se percebe que aquelas espécies incluem a própria terra. Assistir o constante respirar dos padrões do clima e as mudanças diárias ou sazonais de energias faz com que se perceba que tudo é feito do mesmo material e 'vive' de seu próprio jeito único.

Assumir que a terra é uma massa úmida sem vida da qual podemos abusar sem consequência consciente é uma proposição muito arriscada.


A maioria das vidas das pessoas são vividas dentro de ambientes criados por e para seres humanos. A maioria, e mais todo o tempo, vive em um ambiente urbano.

Quando em férias, eles tomam alguns meios tecnológicos para viajar que rapidamente os leva para o outro espaço de habitação humana onde querem passar as férias. Porque a experiência de viagens das pessoas é tão breve, e perde o detalhe do terreno sobre o qual elas passam, a maior parte do qual normalmente não tem habitantes humanos, é fácil para elas concordarem, quando dito por 'experts', que a superpopulação humana é uma crise.

Sim, há vários lugares urbanos no planeta que sobre de superpopulação, e muitos outros lugares do planeta que são estripados para se manter aqueles centros urbanos, mas no todo há uma enorme quantidade de espaço livre, capaz de manter seres humanos, se simplesmente eles fosse aptos a se separar dos centros sociais dos quais agora dependem e nos quais se espremem.

No início da década de 1990, enquanto em transição da vida no Canadá para viver no México, eu dirigia entre o Canadá e o México toda segunda semana por três anos enquanto gradualmente concluía com meus clientes os serviços previamente oferecidos. Eu era viciado em trabalho e via o tempo na estrada como meu próprio, e curtia-o tomando diferentes rodovias em quase todas as viagens. Por vezes eu dirigia entre o México e o Canadá passando por muito poucas cidades todas menores do que cerca de 10.000 pessoas. A maior parte da distância nessas viagens era gasta em rodovias bastante remotas, praticamente sem tráfego.

Posso dizer, definitivamente, que entre Canadá, Estados Unidos e México há terra fértil desabitada suficiente para acomodar o mundo todo sem que os residentes sejam capazes de ver seus vizinhos mais próximos.

Isso permite que sobrepujemos nossa condição de necessitar ser parte das vastas hordas mantidas amontoadas, e também permite retirar o poder das leis daqueles que nos escravizam e que hoje tornam essa terra indisponível para nós.


Os seres humanos são de mais difícil controle se vivem em pequenas aglomerações, distribuídas por todo lugar, prestando pouca ou nenhuma atenção para a Grande Mídia. Os propagandistas não podem então criar uma mensagem simples que motivará toda a horda de seres humanos a agirem identicamente por transmissão de sua peça única de propaganda de um único lugar que alcance todo mundo.

A propaganda ainda funcionará, mas ela precisará ser talhada propriamente para se ajustar a cada situação única de modo a conseguir resultados consistentes. Se não há um serviço de emissão central, a mensagem deve também ser levada a cada localização única individualmente. Essa é uma situação impossível para nossos governantes, e é a razão pela qual nós somos todos tão pesadamente condicionados...

Necessitar estar em espaços fechados com outros seres humanos.

Necessitar da aprovação dos outros.

Pensar igual.

Pensar que precisamos ser parte de um time, grupo.

Tornar-se emocionalmente isolado de si próprio e dos outros, mesmo quando empilhado com os outros, de modo que somente o Grande Irmão possa oferecer conforto.

Desejar conhecimento especializado que resulta em somente ser apto a sobreviver como parte do time 'urbano'.

Desejar uma 'cenoura' de recompensa que somente a 'vitória' a qualquer custo (?) dentro da multidão pode proporcionar.

Depender de serviços centralizados, especialmente fontes de energia.

Depender da regência da lei 'humana' para a proteção em relação a cada outra pessoa.


O condicionamento mais destrutivo ocorre em nossas escolas, bem no tempo em que estamos mais susceptíveis a ele, durante nossos anos formativos. Durante aquele período temos pouca experiência própria para comparar com o que nos é dito, e o levantar questões sobre a validade da 'verdade' ensinada é rudemente punido de modo a nos forçar a depender da sabedoria de outros ao invés da nossa própria intuição.

Somos rudemente regulamentados para seguir ordens de modo que finalmente nos tornamos incapazes de pensar por nós mesmos e nos tornamos dependentes do 'chefe' para pensar por nós. A caixa intelectual na qual somos enfiados é definida pelo chefe.

A especialização em habilidades, e limitando-se o acesso a informação relevante, (compartimentalização) é crítica para o nosso condicionamento. Se não podemos pensar por nós mesmos, e somente entendemos parte do quebra-cabeça, e se somos incapazes de deduzir ou intuir respostas para dúvidas, ficamos presos e dependendo dos outros.

Eu pessoalmente encontrei diversos dos intelectuais de renome mundial que são extremamente brilhantes em seus próprios campos que, figurativamente, não conseguem dar o laço em seus cadarços. Essa situação não é acidental. Se somente o chefe tem a figura total, o chefe se torna o único que pode agir efetivamente. Qualquer outra pessoa torna-se, então, dependente do Chefe.


Afastado da civilização, onde o chefe não está disponível para segurar sua mão, tal condicionamento é um desastre esperando para acontecer. A menos que você rapidamente aprenda a identificar problemas antes que eles o destruam, e também aprenda a resolver problemas que você não possa evitar intuitivamente sem um manual de instrução do chefe, você não vai sobreviver por muito tempo.

A falta de educação formal, o muito tempo gasto longe das influências condicionantes, e dos seres humanos condicionados, mudaram fundamentalmente a forma como eu resolvo problemas.

Ao se deparar com um problema, um ser humano condicionado irá se embrenhar nos canais de soluções históricas até que encontre uma que funcione para ele.

Ao invés disso, eu considero os elementos do problema posto, tento intuir o funcionamento do equipamento ou da situação, e então localizar qual parte possui erro. Não é necessário nenhum manual, mas somente a habilidade de pensar a situação por mim mesmo.

Utilizando somente essa habilidade eu consegui viver bem minha vida inteira, mesmo que nem sempre confortavelmente, sendo considerado um recurso essencial por muitas pessoas com muito mais educação do que a minha, até em áreas nas quais elas tinham expertise.

Ninguém é perfeito e você cometerá enganos quando você pensar por você mesmo. Enganos são frequentemente dolorosos, mas se você aceita a possibilidade de cometer erros e está querendo aprender a partir deles quando acontecem, você acabará se tornando uma pessoa robusta e capaz. O que não quebra você fortalece você.

Se você estiver temeroso de cometer enganos você está retido no caminho seguro construído por seus chefes. Você pode ainda não estar seguro, mas ao menos poderá jogar a culpa pelos seus erros em alguma outra pessoa.

Eu aprendi muito mais de meus erros do que dos meus sucessos. Sou agora muito grato aos meus erros, mesmo que alguns tenham sido muito dolorosos de atravessar.


Esse artigo está ficando longo, então vou terminá-lo com um último ponto sobre o qual eu aprendi da minha vida em torres de observação florestal.

Enquanto estamos afundados em meio a intensos relacionamentos pessoais em curso, especialmente durante nossos anos formativos, nossa atenção permanece fortemente focada em cada interação que acontece, e o resto do mundo passa desapercebido por nós. Vemos as árvores mas não temos consciência da floresta. Esse é muito frequentemente um hábito que carregamos por toda a vida e é um hábito bastante perigoso em nosso mundo repleto de propaganda.

Vemos cada peça de nova propaganda como um peça isolada de informação. Não temos perspectiva para ver se o modo como ela se encaixa na floresta faz algum sentido. Estamos então à mercê daqueles que nos iludiriam para atingir seus próprios intentos. Tudo o que eles precisam fazer é chamar nossa atenção e então eles podem fazer tudo como eles querem.

Em um posto de observação florestal, encontrar anomalias perigosas, dentro de uma vasta vista de florestas, ficar focado em cada árvore individualmente não é produtivo e torna impossível ver o quadro total. Um bom observador acaba por aprender a rapidamente varrer vastas paisagens sem focalizar em nada em particular. Tomar essa abordagem para encontrar os pontos de dados requeridos permite que nossa intuição venha em nossa ajuda. Sempre me deixou impressionado como claramente anomalias surgiram com a utilização desse método.

Isso funciona da mesma forma em qualquer outro ambiente, incluindo em pesquisas pela internet. Quando cercado por questionável 'notícia/propaganda', os fogos se destacam muito mais obviamente quando estamos também cientes da informação circundante aparentemente não relacionada, e que é parte da paisagem da rede. Se não há fumaça, provavelmente não há fogo. Nossa intuição pode ver a diferença mesmo que logicamente não a possamos ver. Seguindo nossa intuição ao invés de ficar centrado na propaganda leva-nos à informação que nos permitirá perceber o sentido da situação.

Para aqueles que conseguiram percorrer este artigo até este ponto, agradeço pela atenção.


Peter


Tradução: Aquiles Lazzarotto

sexta-feira, 5 de abril de 2013

A melhor educação do mundo é 100% estatal, gratuita e universal
(5abr2013)

Do sítio Pragmatismo Político

O documentário abaixo deveria ser assistido e discutido por todos os educadores, todas as escolas, todas as pessoas interessadas na educação no Brasil

A Finlândia tem a melhor educação do mundo. Lá todas as crianças tem direito ao mesmo ensino, seja o filho do empresário ou o filho do garçom. Todas as escolas são públicas-estatais, eficientes, profissionalizadas. Todos os professores são servidores públicos, ganham bem e são estimulados e reconhecidos. Nas escolas há serviços de saúde e alimentação, tudo gratuito.

Na Finlândia a internet é um direito de todos.

A Finlândia se destaca em tecnologia mais do que os Estados Unidos da América.

Sim, na Finlândia se paga bastante impostos: 50% do PIB.

O país dá um banho nos Estados Unidos da América em matéria de educação e de não corrupção.

Na Finlândia se incentiva a colaboração, e não a competição.

Mas os neoliberais-gerenciais, privatistas, continuam a citar os EUA como modelo.

Difícil o Brasil chegar perto do modelo finlandês? Quase impossível. Mas qual modelo devemos perseguir? Com certeza não pode ser o da privatização.

Veja o seguinte documentário, imperdível, elaborado por estadunidenses. Em inglês, com legendas em espanhol:


Leia abaixo matéria originalmente publicada no Diário do Centro do Mundo que trata da excelência do sistema de educação da Finlândia, reverenciado em todo o mundo.

Por que o sistema de educação da Finlândia é tão reverenciado

Acaba de sair um levantamento sobre educação no mundo feito pela editora britânica que publica a revista Economist, a Pearson.

É um comparativo no qual foram incluídos países com dados confiáveis suficientes para que se pudesse fazer o estudo.

Você pode adivinhar em que lugar o Brasil ficou. Seria rebaixado, caso fosse um campeonato de futebol. Disputou a última colocação com o México e a Indonésia.

Surpresa? Dificilmente.

Assim como não existe surpresa no vencedor. De onde vem? Da Escandinávia, naturalmente – uma região quase utópica que vai se tornando um modelo para o mundo moderno.

Foi a Finlândia a vencedora. A Finlândia costuma ficar em primeiro ou segundo lugar nas competições internacionais de estudantes, nas quais as disciplinas testadas são compreensão e redação, matemática e ciências.

A mídia internacional tem coberto o assim chamado “fenômeno finlandês” com encanto e empenho. Educadores de todas as partes têm ido para lá para aprender o segredo.

Se alguém leu alguma reportagem na imprensa brasileira, ou soube de alguma autoridade da educação que tenha ido à Finlândia, favor notificar. Nada vi, e também aí não tenho o direito de me surpreender.

Finlândia: a melhor educação do mundo é 100% estatal, gratuita e universal (Imagem: Reprodução / Documentário)

Algumas coisas básicas no sistema finlandês:
1) Todas as crianças têm direito ao mesmo ensino. Não importa se é o filho do premiê ou do porteiro.
2) Todas as escolas são públicas, e oferecem, além do ensino, serviços médicos e dentários, e também comida.
3) Os professores são extraídos dos 10% mais bem colocados entre os graduados.
4) As crianças têm um professor particular disponível para casos em que necessitem de reforço.
5) Nos primeiros anos de aprendizado, as crianças não são submetidas a nenhum teste.
6) Os alunos são instados a falar mais que os professores nas salas de aula. (Nos Estados Unidos, uma pesquisa mostrou que 85% do tempo numa sala é o professor que fala.)
Isto é uma amostra, apenas.

Claro que, para fazer isso, são necessários recursos. A carga tributária na Finlândia é de cerca de 50% do PIB. (No México, é 20%. No Brasil, 35%.)

Já escrevi várias vezes: os escandinavos formaram um consenso segundo o qual pagar impostos é o preço – módico – para ter uma sociedade harmoniosa.

Não é à toa que, também nas listas internacionais de satisfação, os escandinavos apareçam sistematicamente como as pessoas mais felizes do mundo.

Para ver de perto o jeito finlandês de educar crianças, basta ver um fascinante documentário de 2011 feito por americanos (vídeo publicado acima).

Comecei a ver, e não consegui parar, como se estivesse assistindo a um suspense.

Todos os educadores, todas as escolas, todas as pessoas interessadas na educação, no Brasil, deveriam ver e discutir o documentário.

Com BlogdoTarso; edição: Pragmatismo Politico

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

UnB forma primeiro médico indígena
(26fev2013)

Em depoimento à UnB Agência, Josinaldo da Silva, indígena da tribo Atikum, conta como foi sua trajetória desde o sertão pernambucano até a formatura em um dos cursos mais concorridos do Brasil


Foto: LF Barcelos / UnB Agência

Por Cristiano Torres - Da Secretaria de Comunicação da UnB, no sítio UnB Agência

A 85ª turma de Medicina da UnB marcou um feito inédito: entre os novos médicos estava o primeiro a ser formado pelo vestibular indígena. Josinaldo da Silva, representante da tribo Atikum, no sertão pernambucano, é o símbolo de um projeto de diversidade promovido pela UnB nos últimos dez anos. Engajado com a causa de seu povo, Josinaldo pretende usar o conhecimento adquirido na UnB no programa Saúde da Família, que leva saúde diretamente às comunidades.

No depoimento concedido à UnB Agência, ele conta que sonhava em ser médico desde que começou a trabalhar como agente de saúde, aos 22 anos, mas a falta de opções em sua região fez com que ele estudasse Matemática. Foi a criação do vestibular específico para indígenas na UnB que possibilitou a realização de um sonho. "As informações são mais difíceis na aldeia. Um grupo de colegas veio à capital em 2005 e descobriu as cotas", conta. Me interessei de imediato. Com o curso de Medicina, poderia contribuir mais com a minha aldeia". Leia abaixo trechos do depoimento de Josinaldo.


Chegada a Brasília

Confesso que quando passei, não acreditei. A ficha demorou um pouco a cair. Foi no início de 2006. Vim com uma colega e aqui me reuni com um grupo de indígenas de outros cursos. Éramos 13 cotistas ao todo: além da Medicina, havia estudantes de Enfermagem, Nutrição, Biologia e Farmácia. Foi muito difícil no início. Precisamos pagar um aluguel caro, não tínhamos referências, conhecidos, ninguém que se dispusesse a ser fiador. Além disso, tínhamos uma bolsa de R$ 900. Todo mundo sabe que isso é pouco para a cidade. Nossa salvação foi a Dona Socorro, que nos acolheu na 706 Norte e agiu como um anjo. Era paciente e compreensiva, nos apoiava quando a bolsa atrasava e sempre negociava os pagamentos.


A adaptação na cidade

Eu preciso ser sincero. Estou aqui desde 2006, mas nunca me adaptei. Acho que nunca vou me adaptar. Brasília é agradável, tem um ambiente gostoso, é uma cidade tranqüila, mas é muito fechada. Eu estranho ainda viver num apartamento. A gente que é do mato sempre sente falta da natureza. É o nosso mundo, sabe.


Primeiras impressões da UnB

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Pesquisa sobre cotas para negros revela um país atento e decidido
(18fev2013)


Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania


No começo, fizeram-se as trevas. Um obscurantismo democrático só comparável ao da ditadura militar se abateu sobre a sociedade brasileira em forma de tentativa dos seus setores mais abastados de imporem a todos uma adesão incondicional à manutenção de privilégios injustos a um seu setor literalmente microscópico.

Apesar de a política pública (mal chamada) de cotas “raciais” ter surgido em universidades estaduais do Rio de Janeiro alguns anos antes, o que desencadeou uma interminável cruzada midiática contra si foi a lei federal 4.876/2003, instituída ao fim do primeiro ano do governo Lula.

A elite étnica, econômica e regional que sempre mandou e demandou no país começou a ver, ali, o embrião do que seria aquele governo, ou seja, um governo que, pela primeira vez na história, ergueria dezenas de milhões da pobreza em que haviam sido esquecidos e os tornaria parte de uma nova “classe média” que, em poucos anos, abrigaria a maioria deste povo.

O Brasil, então, em um mundo em que há cerca de duas centenas de nações ocupava desonrosa posição entre os cinco mais socialmente injustos, perdendo em injustiça social e concentração de renda somente para países miseráveis da África e da América Latina.

Desde a redemocratização, obtida por fadiga de material após duas décadas de uma ditadura militar em que a desigualdade econômica, étnica e regional se aprofundara como nunca antes, tal herança de exclusão social que conflagrara o país e o colocara em virtual guerra civil não refluíra praticamente nada.

A partir de 2003, porém, essa “herança maldita” começaria a ser combatida.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Autonomia universitária em risco pelas interferências judiciais e pela criminalização de movimentos estudantis
(7fev2013)

Vivemos dias esquisitos, para dizer o mínimo! Nossa sociedade parece estar macaqueando a sociedade estadunidense em seus aspectos menos interessantes (deve haver alguns interessantes, provavelmente). Tudo lá é motivo de processo na justiça. Cada estadunidense é doidinho para arrancar uns dólares de seus semelhantes a qualquer custo.

Por aqui, a Justiça é utilizada mais para intimidar e tentar calar os movimentos sociais, estudantis, blogueiros etc. etc. É incrível que a Justiça aceite processos contra as universidades ou as comunidades universitárias, rompendo com o princípio constitucional da autonomia universitária. Qualquer problema interno da Universidade pode ser resolvido no âmbito dos regimentos internos da instituição, com processos administrativos ou disciplinares onde as partes têm amplo espaço para apresentarem suas respectivas posições. No entanto, os Colegiados são cada vez mais cerceados em suas prerrogativas na medida em que o Poder Judiciário acata processos que envolvem questões absolutamente acadêmicas.

Se um professor, técnico ou estudante ofende colegas, por exemplo, um processo disciplinar interno vai colher os depoimentos das partes envolvidas e, em se comprovando que o acusado realmente infringiu as normas acadêmicas ou o código disciplinar da instituição, a Comissão encarregada da realização do processo disciplinar pode indicar à administração superior a punição cabível ao caso.

Colocando toda a situação de ponta-cabeça, o acusado e punido pode processar os depoentes do processo, que relataram as suas atitudes academicamente inadequadas, por perdas e danos morais. E, pior, há juízes que acatam tal tipo de processo. Com isso, rompe-se o tecido da ordem acadêmica, bem como a autoridade e a autonomia da universidade no estabelecimento de um sadio ambiente de vivência dentro da academia. Qual membro da comunidade acadêmica, diante disso, denunciará ou coibirá um ato de desrespeito a que tenha presenciado? Uma vez que o ataque judicial é contra sua pessoa e não contra a instituição, pergunto: quem, na comunidade acadêmica, tem disponibilidade financeira para bancar sua defesa?

Diferentemente do exemplo hipotético acima citado, mas caminhando no mesmo sentido de interferência na autonomia universitária, vemos a judicialização e criminalização dos movimentos sociais construídos pelos segmentos que compõem a comunidade universitária. Greves, passeatas e fundadas atitudes de protesto são mais e mais tratadas como casos de polícia e de processos judiciais, como forma de intimidar a sociedade, de calar aspirações e demandas. Para tanto, contribuem em muito alguns regimentos internos desatualizados de diversas universidades. Tais regimentos clamam por revisões (ou pelo seu abandono) por parte dos conselhos superiores dessas instituições. Muitas dessas normas foram criadas à sombra e sob a inspiração das leis de exceção impostas pela ditadura civil-militar iniciada em 1964. Há normas anacrônicas e em completo descompasso com o atual processo político vivido em nosso país. Ou não?

Com regulamentos internos que afrontam a prática da cidadania por parte dos estudantes, eventuais administrações de perfil conservador e repressivo terão a faca e o queijo na mão para desarticular dissidências e para desestimular o aprendizado do fazer político que seria intrínseco do viver acadêmico. A universidade é um dos berços privilegiados para o pensamento político e local para politização mais acurada de nossa juventude. No entanto, o que se vê, majoritariamente em cursos de áreas ditas técnicas, são estudantes indiferentes à política mas nem um pouco indiferentes às "dicas" para se darem bem na vida profissional. Estudantes que se vêem como mercadoria a ser elaborada e ofertada pela universidade ao mercado de trabalho. Estudantes que não se vêem como cidadãos que terão participação por vezes radical na transformação de espaços e do cotidiano da população em geral. Participação que dificilmente terá o viés do interesse coletivo, social, mas sim o daqueles que pagam pelo "serviço". E muitos se esquecem de que quem paga pela sua formação é essa mesma população que poderá ser prejudicada por seus "pareceres técnicos e imparciais".

Já os poucos grupos que ousam levantar a cabeça para debater, questionar e pensar sobre política, esses não têm muita guarida mesmo no campo institucional. Eles são incômodos. Eles perturbam. Eles precisam ser pressionados a abandonar tais posturas, exceto quando suas demandas "coincidirem" com interesses políticos da administração da universidade.

O quadro é mesmo estranho. Quem não tem noção do que seja o decoro acadêmico não pode ser processado porque a Justiça acatará suas queixas e dará andamento a processos contra as testemunhas formais de suas mazelas. Quem ousa contestar politicamente as posturas da academia, exigindo melhorias, é processado na mesma Justiça que acoitou aquele que, de fato, desrespeitou o ambiente acadêmico.

Qual é o recado? Cala-se a formação integral que uma universidade deveria prover aos seus estudantes. Primeiro, dando-se cobertura judicial a quem não descobriu que a vivência social e o ambiente acadêmico requerem uma noção de limite; a noção de que sua liberdade termina onde começam os direitos dos outros. Segundo, dando-se cobertura a administrações que se valem de regulamentos autoritários para cortar pela raiz a possibilidade do aprendizado do exercício da cidadania.

De minha parte, passo a esperar com certa sofreguidão que meu tempo para aposentadoria se complete (e torcer para que as regras não sejam mudadas mais uma vez), para que eu não tenha que conviver, num futuro breve, com uma universidade que cada vez reconheço menos, com a qual cada vez menos me identifico. Será muito doloroso ver a universidade brasileira completamente encilhada e amordaçada, destituída de sua autonomia. Será triste ver a universidade como uma fábrica de bonequinhos de ventríloquo, formados com dinheiro público mas tendo como único horizonte seus interesses pessoais (vide, como exemplo, a maioria dos melhores médicos é formada em escolas públicas e foge de trabalhar com a saúde pública, preferindo se instalar em sofisticados e caros consultórios particulares).

A ideia de universidade, tão bem construída ao longo dos séculos, voltada para pensar as necessidades e os novos caminhos para o crescimento da humanidade, está se desvanecendo. As nossas universidades, no passo atual, vão se parecendo mais e mais com colégios de educação básica. Ou talvez estejam ficando aquém desses colégios. Dá-se um diploma ao indivíduo e ele que vá aprender da vida no famoso e ansiado (pelos estudantes) mercado de trabalho. Perdem-se os conceitos de ética, ao mesmo tempo em que crescem os valores de uma moralidade tacanha e egoísta.

Uma amostra do quadro atual está explicitado nas notas que transcrevo abaixo, relativas às atitudes autoritárias e judicializantes da administração da Universidade de São Paulo (com destaques meus), em consonância com as políticas públicas do governo do Estado de São Paulo. Aliás, nada pode ser mais identificado com uma elite arcaica e anacrônica do que o poder judiciário no Estado de São Paulo. O que reforça minha visão de que os melhores advogados (que passam em concursos para o Poder Judiciário) são formados nas melhores escolas públicas do país. No entanto, são provenientes de uma classe social distanciada da realidade vivida pela maioria da população brasileira. Eles vêem o mundo pela ótica do grupo social elitista em que foram criados. E é por esta ótica que eles se permitem desprezar ou simplesmente sentirem ojeriza pelos movimentos sociais. Nunca lhes foi necessário lutar por nada. Nunca precisaram conquistar nada em termos de seus direitos sociais, pois a eles nada foi negado e seus direitos nunca foram sequer ameaçados. É claro que para toda regra há exceções, as quais somente servem para confirmar a regra.



Nota do Fórum Aberto pela Democratização da USP

No dia 31 de janeiro de 2013, a reitoria da USP finalizou o andamento de processos administrativos contra estudantes e funcionários tendo por fundamento o decreto n°52.906/1972, conhecido como regime disciplinar da USP, editado em consonância com o Ato Institucional n°5. As punições compreendem de 5 a 15 dias de suspensão para 72 estudantes e funcionários da USP por participarem do movimento político que ocupou o prédio da reitoria em novembro de 2011, na luta contra a militarização da Universidade e a violência policial.

Menos de uma semana após a determinação das punições administrativas, no dia 5 de fevereiro, o Ministério Público Estadual (MPE) denuncia os 72 estudantes, funcionários e manifestantes por formação de quadrilha, posse de explosivos, danos ao patrimônio público, desobediência e crime ambiental por pichação, que indicam o mínimo de 8 anos de prisão.

A criminalização do movimento político na universidade, além de ser confirmada com as punições aparentemente leves (suspensões de até 15 dias), previstas em regime disciplinar, tem nova faceta na investigação criminal do movimento político no Ministério Público Estadual e escancara a evidente criminalização dos movimentos sociais e políticos, fora e dentro da Universidade.

As punições referentes aos processos administrativos consolidam o fato de que a reitoria da USP, amparada pelo regimento disciplinar, segue empreendendo o acordo com a Polícia Militar, com a evidência, hoje, de que não há por parte da reitoria, qualquer tipo de política de “segurança” que não seja a presença da PM. Nada foi realizado no campus em relação à melhor iluminação das vias, por exemplo. Nesse sentido, a ameaça de prisão vem se constituir em mais uma medida de judicialização da política, que coíbe o debate, a participação e a manifestação de ideias.

Nesse sentido, se faz necessário somar esforços em defesa dos estudantes e funcionários punidos administrativamente e, desde o dia 5 de fevereiro, denunciados pelo Ministério Público Estadual, exigindo a imediata revogação dos processos e a imediata anulação da denúncia.

Fórum Aberto Pela Democratização da USP

Adusp, Sintusp, DCE, APG, CAHIS, Guima, CEUPES, CAF, CEPEGE

Levante Popular da Juventude, Juntos, Ler-QI, Rompendo Amarras, Para Além dos Muros, Partido Operário Revolucionário, Consulta Popular

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Petição do DCE Livre da USP ao Ministério Público de São Paulo

O DCE-Livre da USP e abaixo-assinados exigem a retirada imediata da denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo à Justiça no dia 5 de fevereiro, que acusa 72 estudantes da universidade, detidos durante a violenta reintegração de posse do prédio da reitoria em 2011 por parte da Tropa de Choque da Polícia Militar, por danos ao patrimônio público, pichação, desobediência judicial e formação de quadrilha. Além disso, também repudiam as declarações da promotora Eliana Passarelli, autora da denúncia, à imprensa que chama os estudantes de bandidos e criminosos. Na nossa opinião, a intenção de criminalizar esses estudantes é um ataque ao movimento estudantil e aos movimentos sociais de conjunto, em todo Brasil, que possuem o direito democrático de livre expressão, manifestação e organização política e ideológica. Lutar por democracia na universidade não é crime.

Para apoiar a petição, clique aqui.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Críticas ao novo plano de carreira de docentes
(5fev2013)


No sítio de Luís Nassif

Novo plano de reestruturação de carreira de docente universitário é um retrocesso para o país, dizem especialistas

Por Viviane Monteiro, Jornal da Ciência

A nova lei desestimula a pós-graduação, as pesquisas universitárias e o interesse de grandes talentos pela profissão

O novo Plano de Carreiras e Cargos de Magistério Federal - aprovado pela presidente Dilma Rousseff "no apagar das luzes" de 2012, em 31 de dezembro - representa um retrocesso para o país. A avaliação é de especialistas e acadêmicos que se mostram surpresos com a velocidade "meteórica" com que a matéria tramitou no Congresso Nacional.

Na prática, o Palácio do Planalto sancionou o Projeto de Lei 4368/12, encaminhado pelo Executivo,  dando origem à Lei nº 12772/12 que alterou dispositivos da Lei nº 7.596, de 10 de abril de 1987. Tradicionalmente, os projetos de interesse político, como esse, não enfrentam resistência em sua tramitação.  O PL foi apresentado em agosto, aprovado pelos deputados em 05 de dezembro e em 21 do mesmo mês pelos senadores.

No entender do cientista Walter Colli, professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), a nova lei desestimula a pós-graduação, as pesquisas universitárias e o interesse de grandes talentos pela profissão. Isso porque a promoção para a categoria de professor titular "valoriza em demasia a progressão temporal" em detrimento do mérito acadêmico e científico.

Em meio à tramitação do projeto na Câmara e no Senado Federal,  a SBPC e ABC encaminharam, no fim de 2012, um manifesto aos parlamentares alertando sobre os riscos que o PL acarretaria à carreira dos professores de universidades públicas federais. Mesmo assim, a tramitação da matéria surpreendeu cientistas que depositavam na presidente Dilma a expectativa de vetá-lo.

"Foram detectados aspectos que poderão trazer graves dificuldades, problemas e, por que não dizer, retrocesso, para as Universidades Federais Brasileiras, principalmente no que tange a qualidade da Pesquisa e do Ensino de Graduação e Pós-Graduação", destaca a nota (disponível em http://www.sbpcnet.org.br/site/busca/mostra.php?id=1800) assinada pela presidente da SBPC, Helena Nader, e pelo presidente da ABC, Jacob Palis.

O Ministério da Educação, por intermédio da assessoria de comunicação, informa que o novo Plano tem por objetivo "buscar a valorização da dedicação exclusiva", igualmente a titulação dos docentes, embora acadêmicos e cientistas afirmem o contrário.

Sem querer entrar nos detalhes da nova lei, a nota do MEC destaca os reajustes salariais assegurados na nova legislação. Nesse caso, cita que o plano prevê aumento mínimo de 25% e máximo de 40%, a ser aplicado em março deste ano 2013. O reajuste será gradual. Isto é, neste ano será concedida metade (50%) do aumento total previsto para 2013. Assim, a média do reajuste salarial previsto para este ano será de 16%.

Já em 2014 o acréscimo será de 30% do total estabelecido, ao passo que em 2015 o reajuste atingirá 20% do total, segundo o ministério. A principal crítica dos cientistas recai, porém, sobre o fato de a carreira de magistério, em qualquer universidade federal, iniciar sempre (sic, Art. 8º, caput) pelo piso da categoria. Ou seja, pela categoria de professor auxiliar, independentemente da titulação.

A lei estabelece cinco etapas na carreira do magistério federal - professor auxiliar, assistente, adjunto, associado e titular - que devem ser conquistadas por concurso público exigindo apenas o diploma de graduação. Hoje para ingressar no magistério da USP (estadual), por exemplo, o professor tem de ser portador do título de doutor. Assim também era para as universidades federais, até a promulgação dessa nova Lei.

"Para exemplificar, no meu caso, cheguei ao cargo de professor titular na USP, mas se quisesse fazer parte do corpo docente regular de uma universidade federal teria de prestar concurso para professor auxiliar, na base do novo sistema e lá ficar por três anos, pelo menos. No entanto, como obtive o título de doutor há mais de 20 anos posso entrar para uma nova categoria denominada com o estranho nome de Cargo Isolado de Professor Titular-Livre do Magistério Superior", analisa o cientista.

Diante do novo modelo, o mesmo resultado não será obtido por um grande cientista que tenha o título de doutor há menos de 20 anos, já que ele terá de recomeçar sua carreira da base.

"Para aspirar subir um pouco mais, ser um professor assistente, ele teria de esperar um intervalo de dois anos", exemplifica Colli, ex-presidente da CTNBio , também atual Segundo Tesoureiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Esse tipo de escalonamento, segundo Colli, afasta os melhores talentos das universidades públicas federais.

Com a mesma opinião, a professora associada do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Debora Foguel, destaca que, no modelo anterior, a posição de professor titular na universidade pública federal era alcançada por um novo concurso, avaliado por uma banca altamente qualificada.

"Somente os professores com grande mérito acadêmico com destacada contribuição na pesquisa alcançavam tal nível diferenciado", lamenta Debora, pro-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da mesma universidade e membro titular da ABC.

"Certamente quem o redigiu parece desconhecer o ambiente universitário, a pesquisa e a inovação que temos procurado trazer para dentro de nossas universidades", salienta a pesquisadora.

Histórico - O PL havia sido costurado com entidades sindicais em meados do ano passado  em troca  do fim greve dos professores federais. Aparentemente, lutava-se por um aumento salarial que passará a valer a partir de março, inicio do ano letivo. A nova Lei mostra, porém, que um dos motivos da greve era o de mitigar o rigor na admissão e promoção de professores pela análise do mérito na avaliação da qualidade, analisa Colli.

Impacto nas pesquisas - Para Colli, exigir apenas o título de graduação no inicio da carreira de magistério reduz a importância da pós-graduação no Brasil e, por tabela, as pesquisas universitárias que hoje respondem pela maioria das pesquisas científicas nacionais.

Dessa forma, ele vê necessidade de mudanças na Lei, sobretudo no artigo 8º  propondo que o ingresso na carreira do magistério superior seja realizado por concurso público de vários níveis. Isto é, para a categoria de professor auxiliar exigindo diploma de graduação; para a de professor assistente com a exigência de títulos de mestre; e a professores adjunto e associado para pessoas com nível de doutor.

"Assim, seria possível atrair pessoas melhores para os concursos, valorizando a nossa pós-graduação", disse.

Com a nova Lei, Colli acredita que a universidade pública se aproxima das universidades privadas que não exigem, pelo menos a maioria delas, o título de mestre ou de doutor para lecionar, pagando, assim, salários relativamente menores.

Retrocesso no número de doutores -  Na avaliação de Débora, o novo plano de carreira do magistério federal tende a retardar a chegada do Brasil no time dos países que apresentam relação de doutores por número de habitantes mais justa.

No Brasil, o número de portadores de títulos de doutorado proporcionalmente ao número de habitantes é um dos mais baixos do mundo. Conforme consta do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) de 2011 a 2020, existem no país 1,4 doutores titulados por cada mil habitantes na faixa etária entre 25 e 64 anos, na frente apenas da Argentina, com 0,2 doutores, na mesma comparação. O número brasileiro fica aquém do observado em países desenvolvidos como Suíça, no topo do ranking, com 23 doutores em um universo de mil habitantes; Alemanha, com 15,4; e Estados Unidos, com 8,4.

Evitando entrar no mérito do novo plano de carreira do magistério, o assessor da Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco ) no Brasil, o professor Célio da Cunha, considera  baixo o número de doutores no Brasil em relação ao de habitantes. O ideal, analisa, seria o Brasil se aproximar dos Estados Unidos, titulando cinco a seis doutores por mil habitantes.

Inconstitucionalidade  - Colli define o novo Plano como "concentrador e paternalista" por atribuir ao Ministério da Educação (MEC) a prerrogativa de avaliar os cursos e os critérios de promoção dos docentes, contrariando o artigo 207 da Constituição Federal que concede autonomia às  universidades do ponto de vista didático e administrativo.

"Se diluem todos os ganhos que tivemos até agora com a pós-graduação e com a experiência das universidades no aperfeiçoamento das avaliações de mérito", lamenta Colli.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Alunos cotistas têm desempenho
superior a não-cotistas
(7nov2012)


Do sítio Pragmatismo Político

Uma das explicações para o melhor desempenho é que os cotistas valorizam mais o fato de passar no vestibular e entrar na universidade, o que para eles pode representar uma possibilidade de mobilidade social

Estudos realizados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela Universidade de Campinas (Unicamp) mostraram que o desempenho médio dos alunos que entraram na faculdade graças ao sistema de cotas é superior ao resultado alcançado pelos demais estudantes.

Alunos cotistas apresentam desempenho acima da média 
nas universidades. (Foto: reprodução)

O primeiro levantamento sobre o tema, feito na Uerj em 2003, indicou que 49% dos cotistas foram aprovados em todas as disciplinas no primeiro semestre do ano, contra 47% dos estudantes que ingressaram pelo sistema regular.

No início de 2010, a universidade divulgou novo estudo, que constatou que, desde que foram instituídas as cotas, o índice de reprovações e a taxa de evasão totais permaneceram menores entre os beneficiados por políticas afirmativas.

A Unicamp, ao avaliar o desempenho dos alunos no ano de 2005, constatou que a média dos cotistas foi melhor que a dos demais colegas em 31 dos 56 cursos. Entre os cursos que os cotistas se destacaram estava o de Medicina, um dos mais concorridos – a média dos que vieram de escola pública ficou em 7,9; a dos demais foi de 7,6.

A mesma comparação, feita um ano depois, aumentou a vantagem: os egressos de escolas pública tiveram média melhor em 34 cursos. A principal dificuldade do grupo estava em disciplinas que envolvem matemática.


Estudantes cotistas valorizam mais a vaga na universidade

Os estudantes que entraram na universidade por meio do sistema de cotas para negros tendem a valorizar mais a sua vaga do que aqueles que não são cotistas, especialmente nos cursos considerados de baixo prestígio. Essa é uma das conclusões do estudo Efeitos da Política de Cotas na UnB: uma Análise do Rendimento e da Evasão, coordenado pela pedagoga Claudete Batista Cardoso, pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB).

De acordo com a pedagoga, os cotistas negros obtiveram notas melhores do que os demais alunos em 27 cursos da UnB. No curso de música, por exemplo, as notas dos cotistas são 19% superiores às dos demais estudantes. Eles também se destacam em cursos como matemática, em que a diferença é de 15%, artes cênicas (14%), artes plásticas (14%), ciências da computação (13%) e física/licenciatura (12%).

De acordo com Claudete Cardoso, uma das explicações para o melhor desempenho é que os cotistas valorizam mais o fato de passar no vestibular e entrar na universidade, o que para eles pode representar uma possibilidade de mobilidade social.

“Até porque [geralmente] eles não conseguem entrar na universidade, então vêm as cotas, eles têm uma chance maior e tem sido atribuído esse melhor desempenho deles a um maior esforço para preservar a vaga, para chegar ao fim do curso”, disse a pesquisadora, em entrevista à Agência Brasil.

O estudo também mostrou que, em geral, os alunos cotistas têm desempenho melhor nos cursos da área de humanidades, rendimento semelhante ao dos demais na área de saúde e notas inferiores em alguns cursos de exatas, particularmente as engenharias. Isso porque são cursos que requerem uma base melhor do ensino médio, segundo Claudete.

“O aluno já entrou sabendo que uma das dificuldades é a barreira do vestibular, por isso a instituição das cotas. Na universidade ele precisa dessa base, é uma base que ele necessariamente vai ter que ter, então a dificuldade que ele encontra no vestibular se repete na universidade, por isso a diferença entre eles é bem maior e o cotista vai pior do que o não-cotista”, explicou.

Isso justifica as notas menores em cursos como engenharia civil (41% inferior às dos não-cotistas), engenharia mecatrônica (-32%) e engenharia elétrica (-12%).

Por outro lado, o caso do curso de matemática – no qual, apesar de ser da área das ciências exatas, os cotistas têm notas melhores – se justifica por ser um curso pouco prestigiado, não só na universidade, mas também socialmente e em termos de remuneração para o profissional.

De acordo com Claudete, em geral, os alunos acabam desistindo da carreira, já que o curso demanda um esforço relativamente grande, mas nem sempre dá o retorno profissional desejado. Para os cotistas, a visão é diferente. “Eles dão muito valor ao curso, mesmo que seja um curso de baixo prestígio social.”

Agência Brasil

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Greve nas federais não é "contra o governo", mas a favor do resgate da dignidade das Universidades
(8jun2012)


Tenho lido em alguns blogs comentários de leitores que, ou acusam os professores federais em greve de estarem apoiando José Serra nas eleições da capital paulista, ou apelam aos professores para que abandonem esta greve porque o momento não é politicamente apropriado.

Tentei responder, no sítio do Paulo Henrique Amorim, a um desses comentários. Talvez minha resposta tenha sido muito extensa e, por isso, não tenha sido publicada. Mas tem também o “talvez” de o sítio não querer dar espaço para esse tipo de contraditório.

Há vários aspectos que desmontam essa caracterização de a greve vir para “auxiliar” José Serra:
1. Trata-se de uma greve nacional, e não circunscrita à cidade de São Paulo.
2. Dentro do sindicato nacional dos professores das instituições de ensino superior (ANDES-SN) há uma parcela significativa de filiados e de membros da diretoria nacional que são filiados ou pelo menos simpatizantes ao PT.
3. As atuais reivindicações dos docentes das federais ao governo federal vêm sendo apresentadas desde o início de 2011.
4. O governo federal fez uma pseudonegociação, com rodadas de reuniões absolutamente esvaziadas de diálogo.
5. Diante da aparência de negociações, a greve não foi deflagrada em 2011, pois muitos professores da base do sindicato acreditaram que as mesas de negociações levariam a algum avanço.
6. Às vésperas da data que foi estabelecida pelas bases do sindicato para deflagração da greve, o governo federal editou Medida Provisória contendo a oferta feita por ele em 2011 e que foi rejeitada na ampla maioria das assembleias gerais ocorridas em todo o país.

As greves de professores das universidades federais são um gesto extremo ao qual o movimento docente só recorre quando um verdadeiro diálogo e uma negociação legítima não ocorrem.

As universidades federais são o que são, hoje, em termos de estrutura e organização legal, porque os professores vêm lutando há 32 anos, conseguindo o estabelecimento de isonomia, carreira docente, democracia, autonomia etc. num processo lento e contínuo de sua atividade sindical.

O ANDES-SN não é um sindicato que atua somente com vistas às questões salariais, o que, por si só já seria um motivo válido e legítimo. O Sindicato Nacional possui, em sua estrutura, grupos de trabalho permanentes, com participação totalmente aberta às bases em todo o país, responsáveis por estudar e propor políticas educacionais, plano de carreiras, políticas de saúde docente, acompanhamento da situação dos professores aposentados, além de acompanhar de perto as condições oferecidas pelas instituições de ensino para o permanente implemento da qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão.

O Sindicato Nacional tem uma preocupação permanente com a educação brasileira em todos os níveis, participando ativamente dos fóruns de discussão e de elaboração das propostas dos Planos Nacionais de Educação. A Universidade pública é tema central dos debates e lutas sindicais, o que permitiu que a Universidade pública sobrevivesse, a duras penas, às tentativas de neoliberais de precarização da educação pública para favorecimento do crescimento desenfreado das instituições privadas de ensino superior.

A Universidade pública quase faliu nas mãos do Ministro Paulo Renato de Souza, do governo FHC, pois a política de desmonte implicava em não repassar recursos para as universidades sequer pagarem suas contas de luz e de telefone. Os reitores tinham que participar de procissões a Brasília para, no Ministério da Educação, pedirem, de “pires na mão”, a liberação de recursos que eram devidos às suas unidades, e que eram retidos pelo Ministro.

O ex-ministro Haddad tem completa razão ao afirmar que nenhum de nós, professores federais, tem saudades do tempo de FHC. Muito pelo contrário. Foi um dos tempos mais sombrios para a educação superior pública.

O que ocorre atualmente, no governo Dilma, é que a busca ensandecida pelo superávit primário exigido pela grande mídia (porta-voz do Deus Mercado). Portanto, as reivindicações docentes, e a greve, sequer são tratadas nos informativos de maior circulação ou audiência. E quando o forem, será para descaracterizá-las e atacá-las. Claro está que essa mídia é vinculada aos interesses do capital, e esses interesses incluem a tomada do espaço da educação superior enquanto um filão rico em possibilidades de lucro.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Análise sensata da relação Dilma x Greve Docente
(6jun2012)

Governo Dilma e greve:

a insatisfação que não querem ver

O texto, de Maurício Caleiro, pode ser lido no seu blog: Cinema & Outras Artes (é só clicar aqui).

Recomento aos colegas em greve e a todos que se sintam envolvidos com essa situação.

Recomento, também, aos cidadãos em geral, que estão no meio desse cabo-de-guerra de informações entre a grande mídia vendida ao capital e a blogosfera progressista.

Recomendo fundamentalmente aos amigos dos "blogs sujos", entre os quais este meu blog procura se situar.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Universidades : sistema de cotas: necessário, mas não suficiente
(27abr2012)

Um tema bastante discutido neste momento, a decisão unânime do Supremo Tribunal Federal quanto à política de cotas da UnB veio ratificar um princípio constitucional que não tem a ver com racismo, especificamente.

Minha percepção é a de que o que foi decidido no STF tem muito mais a ver com a Autonomia da Universidade. O Tribunal não obriga, com seu julgamento, as universidades a instituírem políticas de cotas. Cada universidade tem autonomia, agora sem receios legais, para definir, em parceria com sua comunidade acadêmica e com a comunidade, sob a necessária pressão das reivindicações dos movimentos sociais regionais, qual política adotar para a oferta de suas vagas para ingressantes. Pode, inclusive, fixar-se tão somente no critério meritocrático até então dominante na maioria dessas instituições.

Assim, a abertura de cotas para ingressantes pode ter critérios variados quando uma universidade passa a entender que deve estabelecer políticas afirmativas. Há casos em que os afrodescendentes foram o foco das cotas, mas há, também, casos em que o critério utilizado foi o de os candidatos a uma vaga de cota terem sido estudantes de escolas públicas durante toda sua educação básica.

O enfoque dado em blogs e na mídia à cota racial possibilita acender polêmicas antigas quanto à existência de racismo no Brasil. Ninguém, em sã consciência, pode negar esse que é o pior tipo de racismo. O racismo cordial, encoberto, mas facilmente detectável. Trazer esse tema à baila com intensidade é fato que considero positivo. As pessoas precisam refletir sobre isso, tentando, com sinceridade e coragem, detectar em si mesmas ranços de racismo, seja na linguagem, no humor, nos “ditos populares” e mesmo em atitudes bem concretas de segregação.

Voltando ao reconhecimento legal das cotas, penso que nada será alterado nas políticas que as diversas universidades têm buscado desenvolver. Em todas, certamente, há a preocupação com melhores oportunidades para aqueles que até poucos anos atrás sequer seria capaz de sonhar com uma vida acadêmica. Quantos jovens valorosos devem ter sido perdidos por nossa academia! Quantas boas cabeças e lideranças devem ter sido podadas pela raiz! A universidade não era para filhos de pobres. Entravam estudantes pobres nas universidades públicas? Sim, certamente. Mas eram as exceções que confirmavam a regra de aquele ser um ambiente para privilegiados que tiveram uma educação básica de qualidade. E educação básica de qualidade não tem sido, nas últimas décadas, o traço marcante da imensa maioria das escolas públicas do país.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Governo federal insufla uma greve ao tentar empurrar a recomposição salarial dos SPFs para 2014 (19mar2012)

Lendo, hoje, no sítio do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), matéria sobre as negociações que estão sendo encaminhadas com o governo federal para recomposição salarial dos Servidores Públicos Federais (SPF) (leia aqui), torna-se bem verossímil a impressão de que o governo vai empurrar o problema com a barriga, marcando reunião após reunião, marcando reunião para marcar outra reunião etc. etc.

Destaco na matéria as seguintes frases:

"ficou claro que as negociações serão ‘dolorosas’ e que a perspectiva de recomposição de perdas salariais ainda para 2012 é quase nula"

“Acho que há uma expectativa de construir essa proposta, mas não com efeitos para este ano. Mas com efetividade para 2013 e eventualmente 2014”  [declaração à imprensa feita por Sérgio Mendonça, Secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento]

Há uma diferença na lógica do olhar para as perdas. O governo tem um olhar para isso e eu acho que as entidades têm outro” [idem]

“Nós vamos ter que repactuar esse prazo. Nós vamos tentar conversar com as entidades para jogar para frente, em função dos acontecimentos que dificultaram o processo” [idem].

Eu já tive oportunidade de afirmar aqui, neste blog, que votei em Dilma e que nunca teria votado em Serra, pois tenho certeza que o governo do privata tucano seria desastroso. Entendo, também, que governar é estar lidando com diferentes pressões provenientes do capital, essas extremamente bem equipadas e apoiadas pelo Partido da imprensa Golpista, e as do mundo do trabalho. Essa última somente será feita por nós, os trabalhadores. Nossa ferramenta para tanto é a mobilização e a paralisação dos serviços: GREVE!

Infelizmente, não estão no horizonte perspectivas de uma negociação séria com um governo que atende aos reclamos do Deus Mercado por superávits primários gigantescos, que paga anualmente aos rentistas do capital cifras absurdas de juros, sem providenciar uma revolução nas taxas de juros do Banco Central.

Os servidores públicos do Poder Executivo não são marajás, não são aplicadores de dinheiro no mercado de capitais, não se locupletam com os jogos das bolsas de valores. São salários que tão logo são recebidos irrigam a economia, pois o servidor público dificilmente conta com sobras inclusive para uma pequena poupança para as emergências.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Finlândia tem a educação pública, gratuita e de qualidade que podemos e devemos invejar e almejar (16mar2012)

Reproduzo resenha publicada no New York Revieu of Books que mostra a diferença total entre a educação finlandesa e aquela pregada pelas grandes corporações e grandes nações. Enquanto na Finlândia cuida-se do prazer de se estar na escola, tanto para professores quanto para alunos, estabelecendo-se também intenso investimento numa exigente formação qualificada e na respeitabilidade do professor, nos demais países a ideia vigente é a da competitividade consequente de avaliações padronizadas, com políticas meritocráticas aplicadas aos professores. A escola finlandesa privilegia a educação para todos com base em princípios cooperativos, com estímulos à curiosidade e criatividade, e, fundamentalmente, com a confiança nos critérios dos professores.

O texto, apesar de um pouco longo para os padrões de um blog, é imperdível para todos que tenham algum interesse em políticas educacionais ou pela educação de um modo geral. Não é texto voltado somente a educadores, mas para cidadãos que se preocupam com o futuro e o destino das novas gerações.

Se você clicar no "continua", verá uma fotografia que dá uma boa noção de como deve ser agradável para as crianças finlandesas frequentar a escola e nela permanecer.

Escolas que podemos invejar

Por Diane Ravitch | New York Review of Books, 8/3/2012

Tradução Viomundo

[Resenha do livro Lições Finlandesas: O que o mundo pode aprender com as mudanças educacionais na Finlândia?, de Pasi Sahlberg, Teachers College Press, 167 páginas, U$34.95]

Em anos recentes autoridades eleitas e formuladores de políticas públicas como o ex-presidente George W. Bush, o ex-chanceler educacional de Nova York, Joel Klein; a ex-chanceler educacional de Washington DC, Michelle Rhee e a secretária de Educação [equivale ao ministro, nos Estados Unidos] Arne Duncan concordaram que não deve haver “desculpas” para a existência de escolas com notas baixas em testes de múltipla escolha. Os reformistas do “sem desculpas” acreditam que todas as crianças podem atingir determinada proficiência acadêmica independentemente de pobreza, problemas de aprendizagem ou outras condições, e que alguém deve ser responsabilizado se os alunos não conseguirem. Este alguém é invariavelmente o professor.

[Nota do Viomundo: Na lista acima podemos incluir um sem número de 'especialistas' e políticos brasileiros que bebem na matriz neoconservadora]

Nada é dito sobre cobrar responsabilidade dos líderes municipais ou de autoridades eleitas que decidem questões cruciais como financiamento, tamanho da classe e distribuição de recursos. Os reformistas dizem que nossa economia corre risco, não por causa da crescente pobreza ou desigualdade de renda ou da exportação de empregos, mas por causa de professores ruins. Estes professores ruins devem ser identificados e jogados fora. Qualquer lei, regulamentação ou contrato que proteja estes malfeitores pedagógicos precisa ser eliminada para que eles sejam rapidamente removidos sem considerar experiência, senioridade ou processo legal.

A crença de que as escolas, em si, podem superar os efeitos da pobreza teve origem décadas atrás, mas sua mais recente manifestação está num livro curto, publicado em 2000 pela conservadora Fundação Heritage, de Washington DC, intitulado Sem Desculpas [No Excuses]. No livro, Samuel Casey Carter identificou vinte e uma escolas em regiões de alto índice de pobreza com bons resultados nos testes. Na última década, figuras influentes na vida pública decretaram que a reforma escolar é chave para sanar a pobreza. Bill Gates declarou à National Urban League, “vamos acabar com o mito de que podemos acabar com a pobreza antes de melhorar a educação. Eu diria que é ao contrário: melhorar a educação é a melhor forma de resolver a pobreza”. Gates nunca explicou porque uma sociedade rica e poderosa como a nossa não pode enfrentar a pobreza e a melhoria da educação ao mesmo tempo.

Por um período, a Fundação Gates imaginou que escolas menores eram a resposta, mas Gates agora acredita que a avaliação dos professores é o ingrediente primário da reforma escolar. A Fundação Gates dá centenas de milhões de dólares a distritos escolares para desenvolver novos métodos de avaliação. Em 2009, a principal reformista, secretária da Educação Arne Duncan, lançou um programa competitivo de U$ 4,35 bilhões chamado Corrida ao Topo, que exige que os estados avaliem os professores baseados nos resultados de testes e que removam os limites existentes sobre as escolas charter gerenciadas privadamente [escolas que recebem financiamento público e privado, mas que não se submetem a todas as regras impostas pelo estado; em vez disso, se comprometem a atingir determinados parâmetros definidos numa declaração de princípios, o charter].

O principal mecanismo da reforma escolar de hoje é identificar professores capazes de melhorar os resultados dos testes dos alunos ano após ano. Se os resultados melhorarem, dizem os reformistas, então os estudantes vão seguir na escola até a faculdade e a pobreza eventualmente vai desaparecer. Isso vai acontecer, acreditam os reformistas, se houver um “grande professor” em toda classe e se um número maior de escolas for entregue a gerentes privados, ou mesmo a corporações com fins lucrativos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pesquisadores canadenses defendem seleção que considere o “gostar de aprender” e formação menos conteudista dos docentes dos anos iniciais da educação básica (14dez2011)

Leia na Carta Fundamental (Carta Capital) matéria sobre os pesquisadores canadenses Clare Kosnik e Clive Beck (foto abaixo, de Cristina Gallo), bem como sua entrevista à revista.


Segundo eles, o professor deve ser valorizado e deve ser entendido que a aprendizagem mais aprofundada de muitos conteúdos virá com o tempo do trabalho.

Da leitura que fiz de sua entrevista, entendo que o essencial fica ligado à vontade de trabalhar com crianças e educar, e também à pesquisa contínua da prática docente pelos próprios docentes. Ressaltam também os pesquisadores que o professor precisa envolver-se com o cotidiano dos alunos, construindo pontes para que se estabeleça uma relação dialógica em sala de aula.

Assim, as universidades que formam professores para as séries iniciais da educação fundamental devem preparar, e bem, o futuro professor para monitorar um processo em que o diálogo e a manifestação dos estudantes sejam incentivados, reforçando o ensino de pontos fundamentais, como o ensinar a ler, por exemplo, permitindo que esses futuros professores saiam da universidade sentindo-se mais seguros e prontos para começar uma carreira de estudos que nunca terá fim. Para isso é necessário que esse candidato a professor tenha ou desenvolva a vontade de aprender, sempre.

Encerro dizendo que a principal pesquisa que todos os professores, em todos os níveis de ensino, precisam desenvolver é aquela feita sobre sua própria prática docente. É a contímua repetição do fazer-criticar-refletir-fazer-criticar-refletir-fazer, ou seja, construir conhecimento com base na praxis, que constitui um verdadeiro professor, sempre em construção, sempre se vendo e se reconhecendo em seu trabalho.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pré-Vestibular Comunitário da Rocinha (1dez2011)

A princípio o PVCR chamava-se PVNC – Pré Vestibular para Negros e Carentes –, mas percebeu-se que a fragilidade social não estava focada somente na questão da inclusão racial, e sim na questão geral dos excluídos socialmente. Assim surgiu o atual PVCR.

O Pré-Vestibular Comunitário da Rocinha já funcionou no Ciep Ayrton Senna da Silva, na Igreja Metodista, no Clube Umuarama e atualmente, localiza-se no espaço cedido pelo Movimento Social de Comunicação Comunitária – TV Tagarela, na Travessa Servidão Leste, nº 27, no 5º andar, situado na própria comunidade. O PVCR não possui sede fixa dependendo assim, de espaços cedidos por parceiros na comunidade que acreditam em nosso projeto.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Estudantes latino-americanos fazem mobilização continental pela educação (25nov2011)


No Chile, mais de 10 mil pessoas deram prosseguimento às reivindicações de maio

Estudantes latino-americanos marcharam nesta quinta-feira (24/11) em mobilizações por todo continente para defender o direito à educação pública e gratuita. O ato contou com a adesão de organizações estudantis e movimentos do Chile, Colômbia, Peru, Argentina, Brasil, México, Equador, Venezuela, Costa Rica, Paraguai, El Salvador, Bolívia, Uruguai, Espanha, França e Alemanha. As manifestações também acontecerão nas redes sociais.

Ao menos 60 pessoas foram detidas.

Efe (24/11/2011)
Estudantes na Colômbia protestam por uma melhor educação em Bogotá

Chile e Colômbia são países que vivem atualmente intensas manifestações estudantis. No Chile, a mobilização por educação pública e gratuita começou há mais de seis meses e desencadeou mobilizações em diversos países da América Latina. Ontem, cerca de 12 mil pessoas participaram dos protestos.

Na Colômbia, estudantes protestam desde o dia 12 de outubro contra a lei de reforma da educação superior. Os estudantes colombianos, que junto com os chilenos organizaram o 24N dizem que o objetivo da marcha vai além da queda da reforma da educação. Para eles, “o objetivo é alcançar uma educação gratuita, de excelência, e a serviço da sociedade a que se deve a universidade”.

Efe (24/11/2011)
Nas ruas desde maio, estudantes chilenos voltaram a se manifestar em Santiago

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Segundo a avaliação do MEC, ensino superior em Cuiabá é de baixa qualidade (18nov2011)

Todas as faculdades de Cuiabá estão abaixo da média
Ministério da Educação quer suspender 50 mil vagas em faculdades com avaliação ruim


A Unic, em Cuiabá, está em terceiro lugar, com média, 2,06: ensino considerado insatisfatório (foto MidiaNews)

Por Katiana Pereira / MidiaNews
DA REDAÇÃO

Todas as instituições de ensino superior de Cuiabá, avaliadas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), em 2010, obtiveram notas que ficaram abaixo da média no Índice Geral de Cursos (IGC). A lista completa com os 1.828 cursos superiores de todo o Brasil foi divulgada na quinta-feira (17).

Esse índice monitora a qualidade dos cursos de graduação e divide as instituições por totais contínuos, que vão de 0 a 5 pontos, com divisão por casas decimais, e em faixas que vão de 1 a 5. Avaliações abaixo de três são consideradas insatisfatórias pelo MEC.

A única instituição que conseguiu alguns décimos acima de três, índice satisfatório, foi a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que obteve média de 3,03. Essa média não é para se comemorar, mas a UFMT se equipara com, pelo menos, 985 outras faculdades de todo o Brasil, que ficaram com a média 3.

As outras instituições - inclusive, a Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), que obteve média 2,31 na avaliação - ficaram bem abaixo da média aceitável pelo MEC. A média mais baixa foi atribuída à Faculdade de Cuiabá (Fauc), que obteve apenas 1,11 de pontuação.

Veja a classificação das instituições de ensino em Cuiabá:
Univerdade Federal de Mato Grosso (UFMT): média 3,03
Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat): média 2,31
Universidade de Cuiabá (Unic): média 2,06
Centro Universitário Cândido Rondon (Unirondon): média 1,75
Instituto Cuiabano de Educação e Cultura (Icec): média 1,68
Faculdade Afirmativo: média 1,30
Faculdade de Cuiabá (Fauc): média 1,11.

Suspensão por notas baixas

A baixa pontuação passa a ser um motivo de preocupação para estudantes e faculdades de Cuiabá. O MEC informou que pretende suspender 50 mil vagas em cursos superiores que tiveram notas abaixo de 3 no Índice Geral de Cursos.

Não foram informadas quais instituições serão afetadas pela decisão. O corte deve afetar as instituições que não tiveram desempenho satisfatório no índice de qualidade divulgado.



Qualidade dos cursos

O IGC de cada instituição resume a qualidade de cursos de graduação, mestrado e doutorado, distribuídos pelos vários campi da instituição.

São utilizados no cálculo do indicador a média dos Conceitos Preliminares de Curso (CPCs) da instituição - componente relativo à graduação - e o conceito fixado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para a pós-graduação.

A média dos conceitos dos cursos é ponderada pela distribuição dos alunos entre os diferentes níveis de ensino (graduação, mestrado e doutorado).


Publicado hoje no sítio MidiaNews.