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Bebedouro, São Paulo, Brazil
Geólogo e professor aposentado, trabalho este espaço como se participasse da confecção de um imenso tapete persa. Cada blogueiro e cada sitiante vai fazendo o seu pedaço. A minha parte vai contando de mim e de como vejo as coisas. Quando me afasto para ver em perspectiva, aprendo mais de mim, com todas as partes juntas. Cada detalhe é parte de um todo que se reconstitui e se metamorfoseia a cada momento do fazer. Ver, rever, refletir, fazer, pensar, mudar, fazer diferente... Não necessariamente melhor, mas diferente, para refazer e rever e refletir e... Ninguém sabe para onde isso leva, mas sei que não estou parado e que não tenho medo de colaborar com umas quadrículas na tecedura desse multifacetado tapete de incontáveis parceiros tapeceiros mundo afora.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Governo federal faz ilusionismo financeiro pela mídia ao invés de negociar a sério com professores
(25jul2012)

Comunicado de hoje do Comando Nacional de Greve do ANDES-SN:
Governo apresenta mais do mesmo: desestruturação da carreira


O governo apresentou às entidades do movimento docente, na tarde desta terça-feira (24/07), mudanças pontuais na proposta da reunião do dia 13/07. Em sua essência, o texto mantém a desestruturação da carreira docente, pois propõe pequenas mudanças relativas à promoção na carreira docente e às tabelas salariais correspondentes. A expectativa, no entanto, era que o governo absorvesse as críticas feitas pelo Comando Nacional de Greve à proposta anterior e apresentasse nova proposta que, de fato, atendesse às nossas reivindicações.


Em uma tentativa de dispersar nossa luta, o governo ainda sugere transferir para Grupos de Trabalho questões centrais que ameaçam o trabalho docente e o projeto de universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.


Ao mesmo tempo em que ocorre a maior greve da educação federal, irresponsavelmente, o ministro Aloizio Mercadante embarcou para Londres na comitiva da presidente Dilma.


Enquanto isso, o CNG-ANDES/SN segue trabalhando para avançar nas negociações e está elaborando uma análise da proposta do governo para subsidiar as avaliações e deliberações em nova rodada de assembleias gerais nas IFE em todo o país entre quinta e segunda-feira para manter e fortalecer a greve.


NOVA RODADA DE ASSEMBLEIAS GERAIS DE QUINTA ATÉ SEGUNDA-FEIRA, ATÉ AS 19H, PARA ENVIO DO RESULTADO E DAS ATAS


TUITAÇO
HASHTAG #falaSerioMercadante


A GREVE É FORTE! A LUTA É AGORA!


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Que não seja feita a vossa vontade
(27jun2012)

Se alguém imaginava que o processo de democratização da América Latina era inexorável, chegou o momento de repensar sobre o tema. O golpe ocorrido no Paraguai, sob um tênue manto de legalidade forjado pelas forças conservadoras, faz acender um alerta vermelho para todos os países latino-americanos.

A riqueza desses países tropicais é, também, a causa de sua miséria. As grandes potências colonialistas mundiais não aceitarão nunca que outras potências se levantem. Povos detentores de muitos recursos naturais não podem estabelecer sua soberania, na visão deles. O Império que tem EUA e Inglaterra à frente tem esfacelado países ricos em petróleo, não importando para eles o sofrimento impingido às populações desses países. Iraque e Líbia são exemplos gritantes disso. Esses países foram totalmente desestruturados. Arrancaram o que eles tinham e nada conseguiram estabelecer em termos de bem-estar e segurança para seus cidadãos. Ficou a miscelânea de grupos de digladiando para ver quem serve melhor aos novos mandantes externos. Os sírios vêm sendo mortos cotidianamente por escaramuças entre forças do governo e opositores ao regime. Os opositores ao regime recebem apoio e armas das grandes potências. Mas o presidente não caiu ainda porque isso não interessa exatamente aos Estados Unidos ou a Israel. Uma Síria desestruturada e tomada por grupos mercenários é menos interessante para a segurança da região, o que afeta diretamente a Israel.

Na América Latina, o que vem sendo feito nas duas últimas décadas são tentativas de golpe até recentemente fracassadas, como no caso da Venezuela, por exemplo. Um instrumento central utilizado pelo Império nesses processos são as mídias nativas.

Para quem gosta mesmo de ler, indico o livro "Seja feita a vossa vontade - A conquista da Amazônia: Nelson Rockefeller e o evangelismo na Idade do Petróleo", dos autores Gerard Colby e Charlotte Dennett, tradução de Jamari França, Editora Record, 1998. Trata-se de um alentado volume de 1059 páginas, relatando a ação estadunidense nos países do Terceiro Mundo, impondo políticas e políticos alinhados com seus interesses. Rockefeller foi um incansável batalhador pela não soberania de qualquer país que interferisse em seus interesses pelas potenciais áreas petrolíferas do mundo. Aliado à sua atuação estava o processo de evangelização dos povos tradicionais da Amazônia. Povos dóceis e de fácil submissão foram evangelizados. Aqueles que repeliram as tentativas de aproximação dos "evangelizadores" foram taxados como hostis  e gradativamente extintos, devastados.

O livro, todo baseado em documentos estadunidenses que deixaram de ser secretos depois de um determinado período, mostra como fomos todos submetidos dolorosamente a ditaduras e regimes de exceção ao bel prazer da política dos governantes dos EUA de defesa dos interesses de suas empresas pelo mundo.

Para atingir seus objetivos, eles não hesitaram em exterminar povos indígenas brasileiros e dos demais países da Amazônia. Governos que trouxessem contrariedades a Washington eram simplesmente depostos, com a cooptação, pela CIA, de jornalistas locais de renome para destruírem reputações e convencerem a opinião pública de que o caos estaria se instalando no país. Assim Carlos Lacerda capitaneou todo um batalhão de detratores de Getúlio Vargas, cuja política de nacionalização e de monopolização do petróleo brasileiro desagradou profundamente às empresas de Rockefeller e, consequentemente, aos interesses de Washington.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pensamentos desalinhavados sobre o Império do norte e a retomada da América Latina
(26jun2012)


É impressionante como um determinado fato explicita e dá destaque para contextos mais amplos. O golpe "constitucional" de Estado do Paraguai amplifica várias percepções. Há tempos venho afirmando aqui que a América Latina está na mira do grande capital mundial. O Paraguai pode ser uma ponta de lança para a retomada do "quintal" estadunidense. O Paraguai possui uma imensa pista de pouso em concreto em Mariscal Estigarribia, no Chaco. O jornalista Luiz Carlos Azenha lembra bem que a estratégia estadunidense está mudada. Os EUA não querem bases de manutenção custosa. Querem um ponto de apoio para pousos e abastecimentos em ações militares aqui no sul.

Se considerarmos o Paraguai desimportante, deixando-o à própria sorte da sandice de suas elites, estaremos fazendo o jogo do lobo que devorou todo um rebanho de ovelhas ao conseguir convencer as sobreviventes de que esta ou aquela ovelha não era necessária ao rebanho. Conforme analisa Rodrigo Vianna, a direita aprendeu com a histórica luta da esquerda a começar seus ataques no elo mais fraco.

Interessa ao Império o controle da América Latina por razões para lá de óbvias. Recursos naturais e espaço para crescimento do poder de suas empresas que dominam o agronegócio. Daí a reforma agrária e a agricultura familiar serem demonizadas pelos porta-vozes estadunidenses, a grande mídia nacional. Bonito mesmo é o agronegócio, como nos mostram as lindas propagandas sobre o nosso "crescimento". Tudo o que a mídia acha lindo é concentrador de renda e aumenta desigualdades. Os velhos barões e os novos lordes brasileiros são latifundiários. O Congresso Nacional brasileiro pugna por facilitar (mais) a compra de terras por estrangeiros.

Vindo mais para perto da política nacional, vamos observar o clima de Fla-Flu entre o chamado "mensalão" e a CPMI de Cachoeira. Para além do que cada um desses casos pode gerar de consequências há um pano de fundo. Trata-se de os conservadores conseguirem ou não manter seu "tubo de oxigênio" ficando com a governança de São Paulo, cidade e estado. Oxigênio para lideranças esmaecidas do PSDB e para a mídia, que é beneficiária das gestões tucanas (e de seus coligados). A política real tem exigido que muitos sapos sejam engolidos, se o intuito é manter o país no rumo menos complicado do que a mera entrega dos governos significativos a essa oposição tacanha e retrógrada, conforme bem analisa Eduardo Guimarães. A política real tem que estar atenta e voltada também para o que ocorre fora do país e que põe em risco maior nossa soberania nacional.

Esse clima de Fla-Flu deveria, agora, passar para um segundo plano, apesar de não ser importante. O que rola agora é um "campeonato mundial". Precisamos de um time que esteja preparado para enfrentar o time do hemisfério norte. Um time coeso, bem estruturado e bom de dribles e estratégias. Coesão é necessária para rechaçarmos o golpe de Estado paraguaio e mostrar que nossa união existe de fato em torno do respeito ao estado de direito. A estrutura de apoios mútuos entre os países latino-americanos deve visar a que os "do norte" não peguem a bola. Os dribles são importantes para que nenhum de nossos jogadores seja vítima de jogadas brutas dos adversários. Nossas armas não são materiais; não temos armamentos, a bem da verdade. Então nossos dribles têm que se basear na força do apoio popular e no campo da diplomacia. A estratégia estará em estabelecer regras legítimas para o jogo. Regular, e não censurar, a mídia, por exemplo. Enquanto tivermos os meios de comunicação em mãos de um pequeno grupo amante do pessoal "do norte", o apoio popular será podado em sua raiz. Uma população "zumbizada" pelas novelas e reality shows, por informações deturpadas e, ademais, pelo caos urbano nas grandes metrópoles não terá tempo e nem disposição para apreender o que de fato acontece em sua volta. Sem compreender em profundidade o jogo, a "torcida" não comparece. Na verdade, muitas vezes nem se dá conta de que o jogo existe. Enquanto isso... na Sala da Justiça...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Quadro nacional da greve dos professores federais
(25jun2012)

Dados de hoje obtidos nos sítios do ANDES-SN e do SINASEFE

Universidades Federais:

Universidade de Brasília
Universidade de Integração Latino Americana
Universidade do Vale do São Francisco
Universidade Federal da Bahia
Universidade Federal da Paraíba
Universidade Federal de Alagoas
Universidade Federal de Alfenas
Universidade Federal de Campina Grande
Universidade Federal de Goiás (Goiânia, Cidade de Goiás, Catalão e Jataí)
Universidade Federal de Grande Dourados
Universidade Federal de Juiz de Fora
Universidade Federal de Lavras
Universidade Federal do Mato Grosso

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Transmissão ao vivo de Assunción: Golpe de Estado paraguaio acaba de acontecer: Congresso destitui o Presidente Lugo
(22jun2012)

Acabo de assistir pela TV paraguaia a votação do Congresso paraguaio destituindo o Presidente eleito democraticamente Fernando Lugo. Em poucos minutos o Vice-presidente será chamado ao Congresso para prestar juramento e tomar posse da presidência para cumprir o restante do mandato de Lugo.

A reação da Unasul está, exatamente agora quando escrevo (e escuto), sendo rechaçada pelos congressistas. Para quem quiser acompanhar ao vivo, veja abaixo imagens ao vivo desde Assunção:

Tropas de choque buscam dispersar a multidão da praça em frente ao Congresso



Streaming by Ustream


Atualização 25/06/2012: O link de vídeo era de transmissão ao vivo do golpe, da TV pública paraguaia. No momento, apesar de os funcionários terem se mantido em seus postos ocupando a referida TV, a mesma foi fechada por ordem do novo "presidente", aliás um presidente paraguaio, naquela acepção que se utilizava para falar de coisas falsificadas. Por fim, eles acabaram implantando uma "democracia paraguaia". Lamento não somente pelo povo paraguaio, vítima de mais um golpe de estado de uma direita conservadora que se acha merecedora do poder por vontade divina. Lamento também pela instabilidade que o Paraguai traz para a América Latina ao abrir as portas para um reforçado avanço de forças externas às quais as democracias latino-americanas incomodam profundamente.

Golpe de Estado no Paraguai - Rito sumário para impedimento do Presidente Lugo
(22jun2012)

Começa a emergir a reação à democratização na América Latina. O Presidente Lugo, do Paraguai, presidente eleito em 2008, vai ser julgado pelos parlamentares num processo de três dias de duração.
Ao que parece, há forte influência dos latifundiários, com amplo apoio da grande mídia do país. Provavelmente latifundiários brasileiros com propriedades no Paraguai também estejam envolvidos nesse jogo golpista.

Lideranças de movimentos populares afirmam que a pressa em depor o presidente, deposição maquiada com ares de legalidade, se dá para evitar que a população tenha tempo de reagir e ocupar a capital em apoio a Lugo.

Mesmo assim, na quinta-feira, quando do início do processo, havia já cerca de duas mil pessoas postadas em frente à Câmara dos Deputados em Assunção, e consta que muitos apoiadores do presidente estão se deslocando de várias partes do interior rumo à capital.

Até o momento, as informações que circulam na internet não relatam a presença de tanques na rua, mas há um contingente bastante grande de militares principalmente defronte à Câmara.

Para quem não acredita em golpes de estado fica aqui um alerta: quando estamos desagradando os Estados Unidos e os donos do poder financeiro, somos automaticamente alvos de golpes de estado, que podem se dar de diversas maneiras, desde a descarada e violenta (como se deu no Chile de Allende) até as maquiadas de legalidade (como ocorreu em Honduras - francamente ilegal mas apoiada imediatamente pelos EUA - e ocorre agora com Lugo, no Paraguai). Nada me convence que a CIA não esteja envolvida nisso tudo.

O interessante é constatar em todos os casos o papel de sabujo da grande mídia em cada país, buscando criar condições psicológicas para o golpe ao atacar de forma virulenta os chefes de estado a serem depostos.

No Brasil temos vivido numa corda bamba, pois a mídia quase conseguiu derrubar Lula em 2005, com o escândalo fabricado a partir de material conseguido por Cachoeira que recebeu a alcunha de "mensalão", e também com o grampo sem áudio do Gilmar Mendes. Tudo isso foi fortemente repercutido pela mídia. No entanto, a escandalosa privatização ocorrida no governo FHC nunca foram tema de notícia. Da mesma forma, qualquer irregularidade que envolva o PSDB e partidos a ele aliados, quando vira notícia, é cuidadosamente apresentada de modo a não se citar os políticos ou as instituições envolvidas. Veja-se o caso de Aref, em São Paulo, que comprou mais de cem apartamentos em sete anos de trabalho na Prefeitura de São Paulo. Em nenhum momento a mídia cita Kassab, Serra ou qualquer outro político envolvido na nomeação de Aref na Prefeitura de São Paulo.

Por seu caráter oposicionista e pelo papel de ventríloquo do capital que exerce, foi cunhada a expressão PiG (Partido da imprensa Golpista) para se referir à grande mídia brasileira.

Outros sintomas latino-americanos preocupantes são o movimento para redenção de Pinochet, no Chile, e o surgimento de correntes na internet, no Brasil, chamando a população para recompor algo com uma denominação que lembra muito aquela marcha da família com Deus pela liberdade. Foi essa marcha das senhoras católicas e ricas de São Paulo um dos detonadores da armação contra o então presidente eleito João Goulart.

Portanto, olhos e ouvidos atentos são importantes para garantirmos a manutenção do estado de direito democrático. Nada estará garantido se a população não estiver em alerta e, principalmente, se continuar a ter a grande mídia como formadora de suas opiniões.


Atualização às 17h16min, horário de Cuiabá:

Remeto à leitura de:

Paraguai: o elo mais fraco?, do jornalista Rodrigo Vianna

Unasul afirma apoio a Lugo e ameaça romper com Paraguai em caso de impeachment, do sítio Sul 21

O primeiro teste da Unasul, de Eduardo Guimarães

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Nota pública sobre a PM nas Universidades: o episódio na UNIFESP
(21jun2012)

Os abaixo-assinados, professores de distintas universidades brasileiras, estão convencidos de que é inaceitável a utilização da Polícia Militar para resolver conflitos internos à comunidade acadêmica. Os recentes episódios configurados pelas prisões arbitrárias e violências físicas contra estudantes e funcionários em universidades brasileiras são fatos intoleráveis que devem ser repudiados e denunciados pela consciência democrática.

Ao tomarmos conhecimento da violenta ação repressiva da PM paulista contra vários estudantes da Universidade Federal de São Paulo, campus Guarulhos, no dia 14 de junho, não podemos senão manifestar nossa inteira concordância com a NOTA da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis dessa universidade. Os termos da digna e ponderada NOTA são os seguintes:

“Frente à ação policial ocorrida no campus Guarulhos da Unifesp no dia 14 de junho de 2012, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) manifesta a toda comunidade acadêmica e a toda sociedade o veemente repúdio à opção de tratar as questões universitárias, por mais complexas e controversas, por meio da violência. Ressaltamos que são valores da PRAE o compromisso com a democracia e o respeito à diversidade intelectual, cultural, social e política”.

Signatários:

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Greve nas universidades federais - O estado da arte
(20jun2012)

Faço esta postagem sobre a greve também pelo fato de ser procurado por estudantes do curso de Geologia para se inteirarem sobre o andamento da greve docente.

Protesto de professores da UnB e dos membros do Comando Nacional de Greve do ANDES-SN em frente ao Ministério do Planejamento. Fotos: ANDES-SN


Havia uma expectativa quanto a uma reunião que o governo federal havia agendado com os professores em greve para o dia 19 (ontem). A reunião foi suspensa pelo governo.
A leitura que o Comando Nacional de Greve do ANDES-SN (CNG/ANDES-SN) faz do cancelamento é a de que o governo opta pelo embate, pelo enfrentamento, por "medir forças" com o movimento docente. Em seu mais recente comunicado, o CNG/ANDES-SN acrescenta que:
A greve dos(as) docentes das Instituições Federais de Ensino – agora ampliada para uma greve do conjunto do setor de educação federal – está jogando um papel decisivo na conjuntura. Ela se defronta com um momento chave nacional e internacionalmente, um momento limite, cujo pano de fundo é a crise econômica mundial. Trata-se de uma fase em que o governo brasileiro radicaliza preventivamente as políticas de “austeridade”, que transferem recursos públicos para o setor financeiro e (via subsídios para incentivar ao consumo de bens duráveis e exportação de commodities) para o grande capital em geral, ao mesmo tempo em que retiram direitos dos trabalhadores, possibilitando a ampliação da exploração do trabalho pelo capital.
O fato de tantas universidades participarem do mais forte movimento reivindicatório dos últimos dez anos deve levar o governo federal a repensar suas prioridades, uma vez que o papel da educação dentro da própria economia nacional é de fundamental importância. Se há demanda por profissionais e por boa formação, a "fonte" dessa mão-de-obra indispensável para o funcionamento da economia e para o sucesso de investimentos produtivos são as universidades públicas, como o comprovam os Exames Nacionais de Cursos do país. Educação parada significa atraso na formação e disponibilização de profissionais em todas as áreas do conhecimento.

No entanto, como lembra o CNG-ANDES-SN, a greve do setor da educação
também está cumprindo a tarefa fundamental de desmascarar a contradição de um governo que diz que “educação é prioridade”, mas trata docentes e instituições com tamanho descaso. O que fica demonstrado pelo simples exame do Orçamento da União. Em 2011, o governo Dilma destinou nada menos de 45% do orçamento do país (708 bilhões de reais) para o pagamento de juros e amortização da dívida pública, reservando apenas 2,99% para a educação (conforme os dados levantados pela Auditoria Cidadã da Dívida).
De fato, trazer à tona tal percepção de prioridades governamentais que nem sempre "coincidem" com suas promessas e discursos é importante para sensibilizar a opinião pública para que tome em suas mãos a força da cidadania e cobre do seu governo (e isso nas esferas federal, estaduais e municipais) ações concretas e claramente voltadas para a construção do futuro, priorizando os setores de educação e saúde públicas gratuitas e de qualidade. Enquanto encerrarmos nossa participação política ao sairmos das seções eleitorais onde votamos - ao elegermos nossos governantes e representantes no legislativo -, indo depois "viver nossa vidinha" e deixando para os eleitos a tarefa de conduzirem tudo sozinhos, seremos sempre vitimizados pelas forças inauditas exercidas pelo poder do capital sobre políticos em todos os níveis, acuando-os ou, em alguns lamentáveis casos, subornando-os, seja com dinheiro, seja com bajulações midiáticas.


O fato é, em suma, que NADA MUDOU NESTES 34 DIAS DE GREVE QUE PERMITA IMAGINAR UM RECUO DO MOVIMENTO. Pelo contrário, parece que o embate começa a ganhar corpo agora.
Pensando bem, ALGO MUDOU! A disposição inesperada de muitos dos professores até então inertes para reagir ao estado de coisas que vem sendo construído nas duas últimas décadas no seio da educação pública federal.

Só não vai mudar uma coisa, em qualquer tempo deste movimento: a greve não vai aparecer no Jornal Nacional. E, se por um acaso aparecer, será para caracterizá-la como baderna (em algum ato público) ou para mostrar estudantes e pais de alunos chorosos, e escolhidos a dedo, para colocar a população contra esses insolentes que infligem esses sofrimentos aos pobres cidadãos. A Globo é contra a educação pública por princípio. Para a Globo, educação é sinônimo de negócio, espaço para a iniciativa privada se refestelar.

Em tempo: quem quiser ter conhecimento e acompanhar os Comunicados do CNG/ANDES-SN basta clicar AQUI. São esses comunicados que são discutidos e avaliados nas assembleias gerais de todas as universidades cujos docentes são filiados ao ANDES-SN.